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O que a reportagem da revista Época tem a ver com seu corte de cabelo?

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Em eventos nos quais participo causa polêmica certa comparação que faço entre a base de remuneração de hospitais e um simples corte de cabelo, guardando a óbvia diferença de responsabilidade e consequências entre as atividades.

Veja só: se os salões de corte existentes no Brasil tivessem o seu formato de cobrança nos mesmos moldes que o mercado da saúde convencionou adotar nas relações comerciais, ao concluir seu trabalho, o profissional da tesoura , além do espelho, apresentaria a seu cliente uma conta na qual estariam apontados o custo da ?tesourada?, o valor do mililitro de shampoo aplicado x a quantidade usada, o preço da esterilização dos instrumentos e até quantos movimentos de ?levantar? da cadeira foram feitos naquele atendimento.

Parece loucura, não é? Afinal, quando precisamos de um bom corte, nada mais lógico do que se pagar um preço fixo por um serviço, até para que nossa decisão de escolha do ?fornecedor? possa combinar a qualidade do produto com o custo envolvido e a confiança depositada no profissional ou salão que irá nos atender.

Pois bem: como empresa de serviço, hospitais privados deveriam adotar sistemática parecida como a dos velhos e conhecidos barbeiros, cobrando por uma cirurgia de varizes um custo fixo que já considere em seu escopo todos os valores necessários para a prestação do atendimento, já incluindo sua margem de lucratividade.

Isso infelizmente não acontece porque toda a estrutura de remuneração da saúde está amparada mais na venda de produtos (medicamentos, materiais hospitalares e OPME?s) e nas complexas dificuldades em se entender quanto deve custar algo do que propriamente no principal negócio das instituições: a assistência ao paciente.

A minha comparação deve causar estranheza devido ao fato da nossa geração de profissionais não ter vivido outra realidade desde que chegou um mercado que estrebucha com muxoxos e resignação diante das claras evidências que indicam a necessidade imediata de mudança dos modelos de relações.

Bem, se sozinhos não conseguimos encontrar a saída para resolver estas distorções, talvez tenha chegado a hora da sociedade leiga sobre autorizações de cirurgias, SImpro, Brasíndice, etc, nos apresentar seu impulso de indignação como fator de motivação para a revisão do atual cenário.

A reportagem da revista Época desta semana, conforme você pode verificar no link abaixo, não é um evento isolado. É um sinal de que há um processo alheio ao controle dos profissionais de hospitais, operadoras, fornecedores e médicos se avistando no horizonte.

http://epoca.globo.com/ideias/noticia/2014/05/por-que-bmedicina-pode-levar-voce-bfalencia.html

 

E, senhoras e senhores, com a mudança é assim: ou nos a gerenciamos ou ela nos gerencia.

 

Disponível também no site www.condutasaude.com.br

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