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O Facebook deu para trás na Saúde?

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Não é exagero dizer que o mercado de saúde digital americano atualmente pode ser dividido em dois grandes grupos.
De um lado temos grandes empresas de Saúde ou de Tecnologia que estão surfando a onda da Digital Health Revolution.

De outro lado, temos startups que ganham tração de uma forma surpreendente, outras que remam contra a maré para não fechar as portas e outras tantas que foram adquiridas por uma daquelas grandes empresas do primeiro pelotão.

Para se ter uma ideia, apenas no segmento de seguradoras, desde o início de 2012, foram 63 aquisições de jovens empresas de tecnologia (e o foco como se pode imaginar está em startups que navegam no mar da medicina preventiva).

Empresas como United Health, Kaiser Permanente, Optum e Cigna decidiram abreviar o caminho rumo à inovação e adquiriram uma fatia do futuro comprando empresas como como Ginger, Audax, Omada, Chrono, Ingenious, Livongo e por aí vai (a lista é grande e não dá para colocar toda aqui; quem quiser depois me procura no LinkedIn e eu passo por lá).

Já do lado das grandes empresas de tecnologia, sabemos que não precisam pegar um atalho para o futuro, uma vez que ele é construído dentro delas próprias. Essas estão se jogando de cabeça nesse mar cheio de oportunidades para gente com disposição e com talento para inovar no setor (combinação muitas vezes rara nas empresas do primeiro pelotão). Falo de gente como Google, Apple, Microsoft e Uber (alguns desses cases já foram falados nessa coluna e você pode ler aqui).

Mas a pergunta que não quer calar e que quase sempre surge em palestras, cafés e reuniões é sempre a mesma: e o Facebook? O que será que está preparando para o Setor de Saúde?

Como não tenho sido convidado para as reuniões de Conselho pelo Marck Zuckerberg (?!) não posso dizer com certeza o que eles estão pensando (se estão pensando) para o Setor. Mas o fato é que há cerca de dois anos uma notícia correu a mídia especializada dizendo que o Facebook iria entrar no mesmo segmento que gente como Patients Like Me, Inspire e My Health Teams e construir comunidades online para pacientes e cuidadores…e de lá para cá nada aconteceu.

Ninguém se pronunciou oficialmente sobre o caso, mas na ausência disso, o que se falou bastante nos bastidores é que a notícia não fora bem recebida. A razão é que algumas especificidades desse segmento não estariam no domínio da rainha das redes sociais:

1) Privacidade: o foco das comunidades online está em doenças crônicas que são objeto de estudos clínico e que, por esse motivo, apresentam sintomas e reações adversas que nem sempre são fáceis de serem relatadas e tornadas públicas, ainda que entre seus amigos e conhecidos.

2) Modelo de Negócio: o negócio do Facebook é publicidade e essas comunidades de pacientes via de regra são monetizadas de formas diferentes, onde a publicidade está sempre em xeque em razão de tradicionais questões éticas.

3) Segurança de Dados: muitos provedores estariam interessados em manter sob sua custódia os dados de seus pacientes, ao invés de transferi-los para um terceiro, o que também traria à tona questões legais sobre o uso que o Facebook faria dessas informações.

4) Confiança: como se sabe, hoje o Facebook está trabalhando duro para garantir mais credibilidade ao conteúdo que é postado na rede e isso tem causado desconfiança do usuário em relação ao que surge no seu Feed. Nada pior para um ambiente voltado para projetos de Educação em Saúde.

Enquanto isso, do lado das redes especializadas em saúde, tem-se notado um crescimento e uma diversificação ano após ano, algo que também suscita especulações sobre uma possível futura aquisição.

Enfim. O fato é que não se sabe ao certo a resposta para o esfriamento do assunto e talvez esse tema tenha apenas perdido prioridade dentro do Facebook, por razões de estratégia de negócio. Ou simplesmente ele esteja na fila para, quem sabe, vir à tona num futuro próximo.

Até lá vamos continuar assistindo movimentações das grandes empresas de tecnologia na Saúde, (como a recente notícia de bastidor – ainda não confirmada, mas bastante bem fundamentada – de que a Amazon estaria finalmente se preparando para adentrar no ramo de Farmácias).

Vamos aguardar.

Istvan Camargo é especialista em engajamento de pacientes. Foi membro do Comitê Científico da Health 2.0 Latam e residente digital do Centro de Mídias Sociais da Mayo Clinic / USA. Atuou como Chief Innovation Officer do Grupo Notredame Intermédica. Realizou palestras sobre o tema em conferências como Social Media Week, Campus Party e HIS. Em 2012 fundou a primeira rede social de saúde do país e tem realizado projetos para Laboratórios Farmacêuticos, PBMs, Grupos de Apoio a Pacientes, dentre outros, engajando grupos de pacientes das mais diversas patologias.

       
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