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O EFEITO DA QUALIDADE NA ESCOLHA DO MÉDICO

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Em recente estudo publicado no Centre for Health Economics (CHE) da Universidade de York na Inglaterra, foi comprovado que a qualidade da assistência tem influência positiva na escolha do médico pelo paciente.

Obviamente que em um país como a Inglaterra, onde a medicina é socializada e toda a lógica voltada para os médicos de família, os quais são remunerados por vida assistida (capitação) associado a um componente de performance (P4P), poderia não ter tanta relação com a nossa medicina onde a lógica, em boa parte do mercado suplementar, é do pagamento por procedimento (fee-for-service) puro.

Mas isso pode ter certa correlação, pois recentemente a lógica da capitação tem mudado na Inglaterra e os pacientes já poderão escolher ao médico que estarão associados. Desta forma, tanto no modelo de remuneração por procedimento quanto no modelo por capitação a atração por mais pacientes é o negócio. Claro que cada um destes modelos tem diferenças em qual é o melhor paciente a atrair, mas debateremos isso em outra oportunidade.

Uma parte do estudo informa que a preferência pelo médico tem a ver com a distância do local do atendimento, tempo em que a clínica fica aberta, se o médico é do sexo feminino e com idade média mais baixa.

Mas, na realidade o estudo mostrou algo mais interessante. Os colegas de York fizeram uma análise de indicadores de qualidade preconizados pelo QOF (Quality Outcome Framework) – que define as regras de pagamento por performance no sistema de saúde Britânico – e incluíram outros indicadores que avaliaram as admissões em emergências de condições sensíveis ao atendimento ambulatorial e também a pesquisas de satisfação dos pacientes.

O estudo mostrou que, se os indicadores de qualidade melhorarem em 10%, o médico (ou grupo médico) terá uma demanda aumentada em 14,4% (CHE, research paper n. 89, Gravelle H, July 2013).

Claro que são realidades diferentes, mas acredito que este estudo serve para demonstrar que vale apena investir na qualidade, independente da lógica de remuneração, pois o objetivo é atrair mais pacientes para uma medicina de boa qualidade.

Cabe aos pagadores buscarem alternativas para que este estímulo para a qualidade não seja traduzido por um estímulo à super-utilização dos serviços. Aí é que a gestão da qualidade e a associação a modelos híbridos de remuneração fazem a diferença.

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