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O difícil benchmark hospitalar

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Quem trabalha no segmento da saúde está acostumado a fazer a gestão comercial ?no escuro?.

As operadoras de planos de saúde não, porque trocam informações com certa facilidade. E é muito simples fazer isso porque, propositalmente ou não, contratam a mesma empresa de auditoria de contas que outra operadora, de modo que os auditores têm diariamente em mãos os preços praticados pelas concorrentes.

Nos hospitais existem diversos fatores que dificultam a comparação (ou benchmark) das suas práticas em relação aos demais:

  • Têm níveis de hotelaria muito diferentes, então é difícil comparar uma diária de apartamento de um com o outro;
  • Têm infra-estrutura e equipamentos mais ou menos sofisticados, e equipes de apoio mais ou menos especializadas, então é difícil comparar o valor de da taxa de sala ?porte x? de um hospital com o outro;
  • Em um hospital determinada taxa está incluída na diária, em outro não;
  • Aplicam taxa de manipulação sobre medicamentos e materiais totalmente diferentes, porque um tem mais atenção na manipulação que o outro, e evidentemente o custo é diferente;
  • Em uma mesma região um hospital depende mais de uma seguradora do que o outro ? para um a seguradora traz mais movimento, para outro não.
  • E assim por diante …

Hospitais de uma mesma região são concorrentes diretos, e a comparação com o que é praticado em hospitais de outra região ?não serve pra nada?.

Particularmente já participei de uma série de iniciativas de troca de informações entre hospitais, todas frustradas porque no fundo cada um tem interesse nas informações dos demais desde que não tenham que fornecer a sua ? na verdade um nunca confia no outro.

O paradoxo é que na questão de compartilhar informações os hospitais dão aula para qualquer tipo de empresa quando se trata do lado assistencial: todos fazem questão de falar em alto e bom som para o mundo, incluindo a concorrência, como fazem para tratar uma doença, como estruturam suas unidades, etc. … mas quando o assunto é preço, cobertura e requisitos de atendimento um fica ?enganando o outro? ? resultado: ?nota 0 com louvor? !

E este panorama em que as operadoras sabem detalhadamente a política comercial de todos os hospitais, e da sua própria concorrência, mas os hospitais não têm idéia do que sua concorrência faz vai piorar.

Com a evolução da TISS e TUSS, a ANS vai acabar tabulando detalhadamente todas as práticas de mercado, e criando uma base de informação que se não for muito bem vigiada, será utilizada para ?nivelar por baixo? as práticas hospitalares.

Estamos caminhando para uma padronização falsa das práticas hospitalares, onde diária de apartamento tem ?código x? para todos, independente se é um apartamento de 50 ou 100 metros quadrados, de quais equipamentos fixos existem, etc.

E infelizmente não vemos ?luz no fim do túnel? ? este movimento é irreversível e inalterável, porque está sendo conduzido basicamente por pessoas que têm maior experiência na área pública, onde a maioria dos hospitais realmente é similar, e invariavelmente com menos estrutura que nos hospitais privados.

Os representantes dos hospitais privados de maior referência do mercado estão muito distantes desta discussão, contando com a força que sempre tiveram ao negociar com as operadoras. Os hospitais de menor expressão no mercado, que são a maioria absoluta, serão prejudicados por isso.

O benchmark, hoje inviável, se tornará uma comparação falsa, e vamos continuar ?no escuro?.

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