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O desafio de tangenciar valor em programas e assistência à saúde.

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Recentemente, (JAMA 307(20)2153-2154, 23-30 de maio de 2012) a revista do American Medical Association publicou um artigo com o ponto de vista de três especialistas em saúde que podem ser pontos importantes para a reflexão.

Muitos serviços em saúde oferecidos agregam baixo valor, considerando-se os seus custos e os benefícios gerados para a saúde do paciente. Em alguns casos, agregam valor nenhum ou podem até trazer prejuízos. Calcula-se que 30% dos gastos nos Estados Unidos em saúde podem decorrer de serviços que trazem poucos benefícios.

Quando se inicia um novo programa, a principal pergunta que surge é ? qual o retorno sobre o investimento ??  Naturalmente, fica implícita na pergunta que a ação terá apoio se tiver retorno financeiro. No entanto, não se faz esta pergunta quando se toma uma decisão para se realizar um procedimento ou tratamento pois, em geral, não há retorno positivo sobre o gasto realizado. Quem faz a pergunta: ?Qual o retorno sobre o investimento de se tratar este doente com câncer avançado ??

Em geral, para um determinado tratamento, é verificado se traz benefícios clínicos ou de qualidade de vida para o paciente. Porque a métrica para um programa preventivo é verificar se ele traz retorno financeiro sobre o investimento realizado.

Talvez a solução seja avaliar os programas verificando se eles melhoram o nível de saúde e qualidade de vida das pessoas a um custo razoável, particularmente comparando se as melhoras o nível de saúde são atingidas com menor utilização de recursos financeiros do que os gastos com tratamentos e exames.

Em geral a remuneração dos serviços de saúde está vinculada a realização de procedimentos e tratamentos. Assim, por exemplo, gastar 100.000 em um tratamento de enfisema ou câncer de pulmão avançado (um gasto com retorno sobre o investimento negativo, mas que agrega valor à vida do paciente) deveria estimular a empresa ou o plano de saúde a gastar o mesmo valor em um programa de controle do tabagismo. Obviamente a resposta é sim.

No entanto, a lógica é exigir retornos financeiros sobre os investimentos em programas de promoção e prevenção, mesmo que melhorem o nível de saúde a um custo baixo. Com este enfoque, continuarão sendo gastos valores cada vez mais altos com tratamentos de resultado duvidoso.

Naturalmente, há questões políticas, éticas e emocionais envolvidas nesta questão e que torna difícil se explicitar a alocação de recursos ilimitados em tratamentos e a utilização da mesma métrica para avaliar a efetividade dos programas de prevenção e promoção.  Naturalmente, é mais difícil justificar investimentos em prevenção em extensos grupos populacionais do que utilizar recursos no tratamento de doenças em pacientes identificados. Os autores chamam este fenômeno de ?regra do resgate?.

Mudar o critério para avaliar as inovações e novos programas, particularmente de prevenção e promoção da saúde pode mudar estas tendências, isto é, apurar se uma determinada ação pode ser o melhor caminho para garantir o máximo valor à saúde, considerando-se os recursos utilizados.

Às vezes, os gestores discutem o retorno sobre o investimento de alguns milhares de reais em um programa de promoção da saúde e qualidade de vida e não se perguntam qual o retorno sobre o gasto de milhões em tratamentos de doenças do plano de saúde.

Acredito que a proposta inovadora de se usar a mesma métrica para tratamento e prevenção pode agregar valor à saúde da população e melhorar a utilização dos recursos disponíveis.

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