Desafio de responsabilizar o médico pelos resultados

A avaliação de desempenho dos profissionais de saúde é um caminho que não tem mais volta nas instituições de saúde. Os hospitais são demandados pelas acreditadoras para avaliar o desempenho de seu corpo clínico.

As operadoras, conhecedoras de seus desafios, perceberam a necessidade de rever o modelo de remuneração e, com isso, vincular parte do pagamento de seus prestadores à qualidade da assistência centrada no paciente. Ficou claro que isso, além de ser uma tendência mundial, é uma necessidade.

A partir daí, o desafio está no que medir.

Quando o assunto é pagar por performance, nos EUA a maior preocupação dos médicos está no fato que eles serão responsabilizados por métricas, cujo desfecho eles não podem controlar, sem receber qualquer crédito para aspectos do cuidado que demonstram impacto em longo prazo na melhoria dos resultados, tais como a coordenação do
cuidado e a educação do paciente e da família (2014 Survey of U.S. Physicians, Deloitte).

Preocupação extremamente procedente. Responsabilizar somente o médico pelo resultado do tratamento é, no mínimo, injusto. Sabemos que várias são as influências sobre um tratamento prescrito. Este fato tem sido a causa do
porque muitos estudos sobre os resultados de programas de pagamento por performance não foram tão adequados como o esperado. O erro residia nas métricas utilizadas. Não é o P4P que não funciona, mas sim, a metodologia aplicada para medir adequadamente o desempenho de um profissional ou serviço de saúde.

Atualmente estamos com mais de 30 programas de avaliação de desempenho de profissionais e serviços de saúde em acompanhamento. O modelo preconizado trabalha com a composição de indicadores considerando os aspectos mais
relevantes da qualidade, tais como: estrutura (e.g. formação profissional), eficiência (i.e. processos e custo), efetividade (desfecho preferencialmente intermediários) e a experiência do paciente com a atenção recebida. Assim o
foco passa ser do todo, mas sempre tomando o cuidado para medir, ou dar mais relevância, aquilo que o profissional tem governança.

No entanto, como qualidade é um conceito multidimensional, ela também é “multi-estruturada”, isto é, para melhorar a qualidade ou gerar valor ao paciente, todas as estruturas e profissionais envolvidos na atenção devem estar alinhados e adequadamente responsabilizados. Esta afirmação suporta a teoria de que se os médicos estão focados ativamente nos objetivos fundamentais da assistência baseada em valor (prover qualidade a um custo aceitável), então os processos do cuidado e sistemas precisam estar alinhados com as equipes de saúde, estruturas organizacionais e informações para apoiar a análise e o processo de mudança tanto do ponto de vista clínico como financeiro.

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