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O barato que sai caro

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Administrar estoques de medicamentos e insumos sem desperdício ou perdas é desafio diário das instituições hospitalares. Se de norte a sul do país a falta de medicamentos em instituições públicas é queixa constante dos pacientes do SUS, o problema também afeta hospitais privados.

Hoje, cerca de metade do faturamento está diretamente relacionada com a logística, uma vez que materiais e medicamentos utilizados pelo paciente representam 50% do que se cobra pela prestação dos serviços hospitalares.

Além de sua representatividade no faturamento, a área de logística é, na verdade, a responsável pelo segundo maior custo do hospital. Mas em pleno século XXI, em uma sociedade cada vez mais informatizada, a maioria das instituições de saúde ainda considera a gestão logística como área de apoio, e consequentemente com baixa necessidade de sofisticação. 

Diversos setores da economia já descobriram as vantagens de controlar bem seus estoques, rastrear mercadorias e acompanhar processos em tempo real. Era de se esperar que os gestores hospitalares também dessem prioridade à gestão de sua cadeia de abastecimento. A realidade, no entanto, apresenta outro cenário: inexistem investimentos em tecnologia especifica e automação. Faltam equipes qualificadas e ainda persiste a falsa ideia de que, em áreas de armazenagem, é necessário manter apenas pessoal capaz de ‘carregar caixas’. Por sua vez, as áreas alocadas para a gestão dos insumos são usualmente inadequadas em espaço e localização, improvisadas em vãos de subsolo ou ao lado do necrotério. 

Para compensar a falta de investimento em processos e tecnologia, as instituições de saúde, tanto públicas quanto privadas, acabam por utilizar um número de funcionários acima do que seria necessário para executar o serviço com alguma eficiência. E, ainda assim, não conseguem evitar perdas na cadeia de abastecimento que acabam comprometendo a prestação de serviço, impactando no aumento de custos e na redução de receita.

Nesse cenário todos perdem. Perde o profissional de saúde, ao não conseguir administrar um medicamento ou realizar um procedimento em tempo hábil por falta de suprimentos. Perdem as instituições hospitalares que aumentam custos, sacrificam receita. E, principalmente, perdem os pacientes que podem ter sua saúde comprometida. 

Compartilhar soluções e trabalhar em parceria têm sido os caminhos empresariais mais bem sucedidos, com avanços significativos a partir dos estudos e pesquisas nos últimos quinze anos sobre logística, rastreabilidade e cadeia de suprimentos. Dada a diversidade cada vez maior de produtos e apresentações, a logística hospitalar implica em soluções mais complexas e especializadas. Acompanhar as inovações quase diárias do setor exige esforço pessoal e participação em seminários, bem como agilidade e planejamento institucionais. 

Não bastam boa vontade e força física para que uma equipe própria acompanhe os avanços da logística e suas necessidades de capacitação para ganhar eficiência em um setor tecnologicamente sofisticado e competitivo. E que demanda também agilidade na substituição de equipamentos e programas. 

É preciso vencer resistências dos que insistem na gestão exclusiva ‘da casa”. Tempo é dinheiro. E a saúde não pode esperar.

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