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USP de Bauru inaugura laboratório de tratamento de resíduos

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Para atender as novas leis e exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão do governo federal, a Faculdade de Odontologia (FOB) de Bauru da USP inaugura em janeiro seu Laboratório de Resíduos Químicos. Com ele, espera-se tratar e reutilizar os resíduos gerados na FOB e no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (Centrinho), além de alguns laboratórios e clínicas da região, informa a Agência USP.
Foram investidos R$ 20 mil, recursos provenientes da Pró-Reitoria de Pesquisa e da Diretoria da Faculdade, para a implantação do laboratório que levou um ano para ser concluído. “Estamos fazendo os últimos testes de controle de qualidade e a rapidez do projeto deveu-se à importância da iniciativa. O tratamento de resíduos químicos, além de significar uma considerável economia de verbas, possui grande valor social e ambiental para os cidadãos de hoje e de amanhã”, salienta José Mauro Granjeiro, professor da FOB e coordenador da iniciativa.
Em fevereiro de 2003, a Anvisa implantou um novo tipo de classificação de resíduos instaurando a obrigatoriedade de empresas e laboratórios gerenciarem os resíduos por eles produzidos. Assim, os resíduos devem ser reutilizados ou encaminhados para tratamento. Empresas que desrespeitam esta resolução podem ser enquadradas na lei de Crimes Ambientais com penalidade civil, multa, podendo até chegar a ser fechada sob a alegação de impactos ambientais, levando o dirigente a responder criminalmente.
Desta forma, o laboratório da USP de Bauru será responsável pela recuperação do amálgama, xilol, acetona, álcool e soluções de processamento utilizadas em radiografias do Centrinho, da FOB e de laboratórios locais. A recuperação destes materiais será da ordem de 95%, ou seja: para cada litro do reagente recuperado, o valor pago será de 5% do preço original. “No caso do xilol, por exemplo, cada litro é comprado em média por R$ 65 e a recuperação de um litro de xilol representaria uma economia de R$ 62. Isso significa que, com a economia, a Universidade e empresas envolvidas poderão investir na compra de novos reagentes, além de poupar a natureza do descarte deste resíduo”, explica Granjeiro.
Recuperação do mercúrio
A recuperação do mercúrio contido no amálgama, material muito utilizado em odontologia, é objeto de estudo – desde 1998 – do professor Jesus Djalma Pécora, da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP) da USP. A partir da metodologia de Pécora, o educador ambiental Marlus Alves Pereira e a equipe da FOB realizaram modificações que aceleraram em cerca de 10 vezes a destilação do mercúrio. “Passamos a substituir uma fonte orgânica fóssil finita, por uma fonte elétrica ambientalmente mais adequada”, lembra Granjeiro.
Em uma restauração dentária, por exemplo, são preparados 2 gramas de amálgama, porém o desperdício com o manuseio do material preparado chega a 0,6 gramas, 30% do valor total. “Os cálculos tornam-se alarmantes quando supomos que, para cada cidade com mil dentistas clinicando 30 pacientes por mês, em um ano, a quantidade de mercúrio jogada no meio ambiente chega a 108 kg”, acrescenta Granjeiro.
Isto acaba sendo uma das razões para a grande procura pelo uso do Laboratório de Resíduos Químicos da USP, mesmo não estando ainda em funcionamento. “Agora a iniciativa tende não só a atender às normas federais de Gestão Ambiental, como poderá também mobilizar novas iniciativas ambientais a serem implantadas posteriormente em outros centros universitários e empresariais”, conclui o coordenador do projeto.

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