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Unimeds apresentam resultados da verticalização

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“Apostar na verticalização é uma exigência para se manter no mercado de Medicina Suplementar”. Essa é a atual concepção da Central Nacional Unimed Brasil, que acredita no lado positivo de se ter seus próprios negócios. Em uma mesa redonda com os executivos das Unimeds Fortaleza, Caxias do Sul e Araras, respectivamente, João Mairton Pereira, Mauro Sérgio Bertelle, e João Fernando Soares o tema verticalização foi discutido e apresentado como a resposta do futuro promissor.

Saúde Business Web: Qual a necessidade da verticalização na cooperativa?

João Mairton Pereira: A necessidade é imperativa de se ter serviços próprios. É muito complicado para uma operadora de grande porte sobreviver sem a verticalização.  Esse processo, ao longo do ano, se torna importante para qualquer operadora de planos de saúde, e o melhor é que a verticalização reduz custos sem alterar a qualidade do serviço. Primeiro de tudo você tem que ter hospitais de qualidade e resolutividade, além de uma média de permanência baixa e boa assistência médica.

SBW: Pode-se ter a verticalização como uma garantia de redução de custos?

Pereira: Se a verticalização não tiver um custo inferior à rede, aí definitivamente não vale à pena. O objetivo maior da verticalização é que você consiga uma redução de custos referente ao que se tinha anteriormente. De acordo com os entendidos de economia tem que se ter em média 40% a menos do que se tinha na rede credenciada, isso lógico, se a meta da empresa for especificamente financeira.

SBW: Qual é a demanda reprimida e no que se baseia a receita de um hospital próprio?

Mauro Bertelle: Nosso hospital próprio, em Caxias do Sul, foi inaugurado há cerca de 5 anos com o objetivo de focar a alta complexidade. Neste período nós pudemos observar que a tendência é se estabilizar com o passar o tempo, cada vez mais você consegue notar a realidade da demanda reprimida. Por exemplo, antes de termos nosso próprio hospital, a média de internação era em torno de 10% e hoje, realmente, essa margem se estabilizou. Em relação a receita, nós nos baseamos em quanto custaria ?esse” paciente se ele não estivesse no Hospital Unimed. Quais seriam nossos gastos?

SBW: Quanto a Unimed investiu para aderir a verticalização?

Bertelle: Isso varia de acordo com o objetivo de cada Unimed. Nosso hospital teve uma receita média inicial de R$ 18 milhões, com prejuízo nos dois primeiros anos de aproximadamente R$ 5 milhões cada um. Deve ficar claro que no início o hospital próprio é prejuízo, ele será equilibrado a partir do segundo ano, e por isso, tem que se ter cuidado ao passar por esse momento difícil. E mais, se o conceito do serviço próprio não for bom, também, irá gerar prejuízo.

SBW: Ao optar pela verticalização, como fica a relação da Unimed com a rede credenciada?

Pereira: Conflituosa. A partir do momento em que você transparece, convoca seus parceiros e os informa das pretensões, em tais setores, de atingir uma porcentagem de investimentos, com certeza, tudo fica mais harmonioso. Antes de a empresa optar por verticalizar tem que haver uma conversa, afinal não há como se verticalizar em 100%. Por isso, digo que um percentual de 60% já esta de bom tamanho para a verticalização da operadora. Nosso hospital tem 23% de verticalização, isso sem contar os laboratórios.

SBW: Os hospitais das empresas verticalizadas podem contar com capital estrangeiro, mas a legislação brasileira veda esse acesso aos hospitais brasileiros independentes. Como isto é visto pela Unimed?

Pereira: Nós da Unimed também não podemos captar dinheiro via financiamento estrangeiro. No nosso caso, a fonte de recurso utilizada para construir e aparelhar o hospital foi o BNDES.

SBW: Qual o principal resultado que a Unimed alcançou com a verticalização?

José Fernando Soares: Cada Unimed tem seu resultado positivo, mas acredito que a principal vantagem que conseguimos é o melhor controle de tempo de permanência, sem ter a preocupação com os custos em primeiro lugar. Por exemplo, se eu tenho um paciente na UTI, ao invés dele ter alta em sete dias eu posso segurá-lo por 9, 10, 11 dias… Nos últimos 10 anos nosso hospital teve R$ 15 milhões de despesas, os valores são substancialmente importantes. O custo para construir um hospital próprio é alto, mas os valores no futuro são diluídos. Um fator importante que nos resultou grandes resultados econômicos foi trazer para dentro do hospital o setor de quimioterapia. Em apenas quatro meses de funcionamento, a quimioterapia nos possibilitou uma economia de R$ 311 mil, isso porque os preços externos são abusivos, e digo mais, extorsivos e isso tem que ser negociado com os oncologistas.

 

Pontos Positivos sob o ponto de vista das Unimeds

– Domínio sobre os custos

– Controle e monitoramento de qualidade

– Maior previsibilidade no risco

– Tratamento direto de pacientes de alto-custo

– Números mais competitivos

– Gerar mercado de trabalho para os médicos cooperados

 

Pontos Negativos

Conflito de interesse

– Capital disponível sempre em alta

– Imobilização de investimentos

– Restrição geográfica

– Capilaridade

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