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Uma em cada quatro crianças nascidas no Brasil é filha de adolescentes

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Cerca de 25% das crianças que nascem no Brasil são filhas de menores de 20 anos, mas nem sempre a gravidez nessa faixa  etária é considerada algo tão ruim. A afirmação é da ginecologista da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Luiza Cromack.
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Segundo Luiza, ao analisar índices de gravidez na adolescência é preciso ter cuidado e entender em que contexto essa gestação ocorre. Ela explicou que a maioria das adolescentes que engravida tem alguma motivação para isso e nem sempre o fato decorre simplesmente de falta de orientação.
 “Nós geralmente olhamos com olhar de adulto para essa gravidez e elas têm o olhar delas sobre isso. Muitas vezes são filhas de mães que tiveram filhos na adolescência e na família delas isso é um modelo que elas vão seguir inconscientemente”.
Luiza ressaltou que a gravidez na adolescência muitas vezes ocorre porque as meninas têm o desejo de estar com o parceiro, o que não é permitido pelos pais e a partir da gravidez esse relacionamento se legitima e passa a ser aceito. Segundo ela, em outras situações a gravidez é uma forma dos próprios pais se livrarem da filha passando essa responsabilidade para outro homem.
“Isso geralmente acontece nas classes sociais mais baixas porque a qualidade da educação nem sempre é boa o suficiente para garantir a essas meninas uma expectativa de futuro em relação a um emprego. Ou mesmo para trabalhar a questão da sexualidade desde criança para poderem decidir quando desejam engravidar”.
Segundo ela, a legislação prevê que quando ocorre relação sexual com adolescentes abaixo de 14 anos, há violência presumida. Por isso quando se atende um adolescente seja menina ou menino nessa faixa etária que está procurando um método contraceptivo é necessário conversar e verificar que tipo de relação sexual está acontecendo. “Geralmente [a relação] é de consenso e eles estão procurando um método para se prevenirem da gravidez ou de doenças”.
Luiza considerou equivocada a postura de muitos profissionais que utilizam o aspecto da presunção da violência para negar o preservativo ou outro método contraceptivo já que o adolescente tem direito prioritário à saúde e está cuidando dela quando procura um método para evitar a gravidez, cabendo ao profissional entender o contexto e ajudar.
“No momento em que se fala e discute abertamente as questões relacionadas à sexualidade, aos métodos contraceptivos, ao respeito ao outro, acidadania e etc., esse adolescente se tornará um sujeito crítico para tomar sua decisão”, argumentou.
Para a médica, o Estado deve reforçar o trabalho junto aos educadores que muitas vezes são pessoas de gerações mais conservadoras e não tiveram na escola a experiência da conversa aberta sobre sexualidade. “Por isso temos que trabalhar na formação desses educadores que atuarão como Estado, seja na educação ou na saúde, para ter essa visão de que a informação de qualidade deve estar acessível ao adolescente”.
Além disso, a médica ressaltou que não adianta dar orientação sem fornecer os insumos necessários para a prevenção da gravidez e de doenças sexualmente transmissíveis. Ela também apontou a necessidade de melhorar o acesso ao sistema de saúde, para garantir o acompanhamento dos adolescentes, e a qualidade da educação.
“Nas classes mais altas a gravidez não acontece precocemente com tanta frequência porque a há perspectivas de futuro diferentes, onde ter um filho vem depois da faculdade, da carreira, ao contrário das classes mais pobres nas quais o filho pode ser a única expectativa de mudança de vida”, alertou.

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