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TI e Saúde: uma relação cada vez mais estreita

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A palavra “epidemia” e a expressão “integração de dados”, a principio, não possuem nenhum tipo de correlação. O primeiro termo é quase sempre associado à terminologia médica ou ligado a questões de saúde pública, enquanto que o segundo é assimilado com a área de Tecnologia da Informação. No entanto, estes conceitos podem, sim, ter uma forte ligação.
Poucos sabem que a TI e, em especial, a integração de dados e seu processo de unificação de diferentes sistemas de informação exercem um papel fundamental no combate a epidemias, já que permitem uma melhor compreensão das informações para auxiliar as tomadas de decisões. E estas escolhas podem salvar vidas.
Por meio da consolidação de notificações da vigilância sanitária, dados de pesquisas clínicas e o monitoramento em tempo real de pessoas que mantiveram contato com infectados é possível conter surtos epidemiológicos com mais rapidez e eficácia.
Na região da Ásia-Pacífico, um exemplo clássico foi a adoção de uma plataforma de integração de dados pela Autoridade Hospitalar de Hong Kong, durante a batalha contra a SARS, em 2004. Esta implementação proporcionou à agência de saúde, uma visão integrada de um data warehouse contendo dados históricos sobre 6 milhões de pacientes, praticamente 90% da população. O sistema utilizado recuperava instantaneamente, informações atualizadas em prontuários de pacientes atendidos por qualquer hospital ou clínica da cidade.
A Autoridade Hospitalar usou uma plataforma de integração para transformar e consolidar informações de 30 sistemas clínicos usados por 43 hospitais e 121 unidades de atendimento básico e ambulatórios especializados. O principal objetivo do projeto era coordenar os relatórios da área de saúde, auditá-los e criar um sistema de relatórios externo para compartilhar, em tempo real, dados sobre a SARS com o Ministério da Saúde de Hong Kong. Assim, os dados sobre o atendimento clínico coletados e analisados na linha de frente traziam benefícios imediatos, como alertas sobre novas doenças e seus infectados, acesso instantâneo aos prontuários de pacientes mantidos em diferentes hospitais e contribuições para pesquisas em saúde pública.
Outro caso exemplar de integração de dados no setor de saúde foi protagonizado pelo Serviço Australiano de Doações de Sangue da Cruz Vermelha (ARCBS – Australian Red Cross Blood Service). O objetivo da iniciativa era aumentar a eficiência na captação de doações pela ARCBS, assegurando a disponibilidade e a renovação das reservas estocadas na Austrália. Com mais de um milhão de doações feitas a cada ano, a integração de dados de sistemas locais e distintos, dispersos por todo o território australiano, proporcionou à ARCBS uma visão consolidada de suas operações nacionais que serviram de base para análises estratégicas.    
E por fim, um caso mais recente, de acordo com o último anúncio da Organização Mundial de Saúde, a epidemia de “gripe suína” teve seu status elevado para pandemia. Um indicador claro de que devemos manter o foco no problema. No México, a rápida disseminação da Influenza A(H1N1), vulgarmente conhecida como gripe suína, foi monitorada com eficiência nos hospitais e unidades de saúde de todo o país, graças a um sistema de integração de dados já instalado. Presente em 10 hospitais e 470 unidades de saúde, o Sistema Integrado de Atenção Médica foi fundamental para a coleta de enormes quantidades de dados e subsidiou a análise e a tomada de decisões pelas autoridades do México e da Organização Mundial da Saúde, explicando, em parte, o declínio de novos surtos do vírus no país.
A diversidade das informações e a importância da integração – Estes diversos exemplos podem nos ajudar a compreender a importância de ter informações interligadas nesse universo específico. São os dados que nos permitem entender o que está acontecendo, quem está sendo afetado, por onde o problema poderá se alastrar e como combatê-lo. A coleta e o armazenamento de dados a partir dos profissionais de saúde de diversos estabelecimentos podem assumir formatos distintos, como prontuários, registros em aplicações de CRM, dados relativos a estoques de materiais, além de relatórios financeiros e faturas de pagamento. Isso revela a importância das entidades de saúde integrarem esses registros, facilitando a gestão das informações para uma melhor tomada de decisões, diminuindo os custos graças a uma operação mais eficiente e facilitando o cumprimento de regulamentações cada vez mais rígidas.
A Integração de Dados é a tecnologia fundamental por trás desse processo. É ela que nos dá a capacidade de acessar dados em qualquer sistema, a partir de qualquer lugar, a qualquer momento, colocar tudo isso junto e entregar a quem interessa, no formato e momento corretos.
Assim, com os recentes surtos e epidemias cada vez mais freqüentes, torna-se indispensável aos gestores, a criação e implementação de meios que possibilitem o monitoramento e controle precisos de todo o sistema de saúde. Isso representa ganhos em escala tanto à população, quanto aos administradores, que podem melhorar a qualidade de atendimento no cotidiano além de estarem preparados para tomar melhores decisões em casos emergenciais. E, nunca é demais repetir, no Setor de Saúde, decisões precisas podem salvar vidas. E não há nada mais poderoso e comovente do que falar em “salvar vidas”.
*Guilherme Duarte é consultor sênior de negócios da Informatica Corporation
 

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