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Thiago Venco recebe Empreender Saúde

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A fim de dividir sua experiência como Empreendedor em Saúde Thiago Venco recebe o ES para uma conversa, confira:

1) Conte-nos um pouco sobre sua formação.

Minha formação é “heterodoxa” para um profissional de saúde: estudei no concorrido curso de Cinema da Universidade de São Paulo (hoje Audiovisual). Por outro lado, a Patologia Cirúrgica trabalha essencialmente com a análise de imagens (macro e microscópicas) e textos, de modo que sim, existe convergência entre as práticas.

A USP tem muitos meios de estimular o aluno que quer transitar por outras disciplinas. Além disso, a formação do audiovisual é em si multidisciplinar. Durante o curso, diversas atividades e estudos contribuíram para projetos que executei na Diagnóstika – mas isso eu só descobriria mais tarde.

Os mais diretos:

  • planejamento e gestão de bancos de imagens digitais
  • transmissão de imagens ao vivo
  • fotografia
  • planejamento de software.

Estas quatro habilidades foram muito úteis para os projetos de telepatologia da Diagnóstika.

Os indiretos:

  • criação de roteiros
  • produção audiovisual
  • direção e…
  • turismo (a ECA/USP, Escola de Comunicação e Artes, abriga o curso de turismo).

Estas quatro disciplinas juntas têm forte relação com a administração de empresas. Para sintetizar:

  • Roteiro = plano de negócios
  • Produção = gestão
  • Direção = liderança
  • Turismo = marketing, atendimento ao cliente e hotelaria (que já discutia a gestão de leitos hospitalares)

Quando me formei, já sabia que não queria fazer filmes e sim empreender. Neste momento, já tinha consciência de ter adquirido habilidades “genéricas” de administração e gestão.

Estimulado pelo clima da “bolha da internet”, que atraiu diversos alunos e professores da USP, fiz dois “business plans” completos. As empresas não saíram do papel, mas a experiência foi essencial para a formação de empreendedor.

2) O que é preciso para uma empresa de saúde ser inovadora?

Acima de tudo, a empresa precisa de “donos” dispostos a correr o risco da inovação.

A avaliação deste risco é complexa: além da análise de mercado, de ambiente, existe o perigo do empreendedor subestimar as grandes exigências psicológicas e emocionais de realizar algo que nunca foi feito antes.

Em segundo lugar, já gerar lucro suficiente para garantir os investimentos na inovação (tempo e dinheiro).

Por fim, a inovação é um processo coletivo, não é uma garagem que faz uma HP. Ou seja, o empreendedor precisa participar de uma rede de instituições que estão aí para combinar esforços com empreendedores: governo (ministério de Ciência & Tecnologia), ong’s nacionais e internacionais (Endeavor, SEBRAE), universidades brasileiras e estrangeiras.

Como me tornar parceiro das melhores instituições de pesquisa e inovação? Eis a questão.

3) O que é preciso para empreender em saúde?

A capacidade de antever como, no futuro, o mercado irá combinar avanços científicos, tecnológicos e administrativos em novos modelos de prestação de serviços, que ofereçam vantagens concretas ao paciente.

Compromisso. Conhecimento. Conveniência. A síntese proposta pela Diagnóstika para os valores da empresa.

O doente e a família precisam de conveniência – precisam ter acesso facilitado ao atendimento, 24×7.

Precisa do conhecimento atualizado.

Precisa do compromisso de todos os envolvidos no tratamento – mesmo que seu trabalho não seja diretamente ligado ao tratamento.

Outro ponto essencial: médicos precisam do apoio de uma equipe multidisciplinar, não somente administradores, mas também contadores, profissionais de comunicação, técnicos de saúde, engenheiros de produção, mecatrônicos…a lista sempre será ampla, mas deve ser formada de acordo com o tipo de serviço médico prestado.

4) Comente um pouco sobre sua experiência com a Endeavor, como foi o processo seletivo e como esta organização auxiliou a organização ?

A sugestão de “entrar na Endeavor” foi imediatamente aceita pela direção e pelos sócios da Diagnóstika. Partiu de um amigo, ex-médico: Ricardo Betti, da MBA Empresarial. O método de aplicação, como a Endeavor mesmo insiste, é feito para agregar valor e agrega de fato. Você submete o plano de negócios a uma “platéia” altamente capacitada. A empresa entende como ajustar seu plano.

Uma vez membro da Endeavor, diria que de certo modo a empresa é passa por um “condicionamento” de gestão focado nos desafios do crescimento. Como crescer sem perder a qualidade? Como contratar mais e melhores pessoas? Lançar produtos e serviços mais rápido e com mais eficiência?

Ainda que informalmente, considero que os empreendedores participam do melhor Master in Business Administration (MBA) disponível no Brasil. O conjunto de “disciplinas”, “colegas” e “professores” é sem igual.

A Endeavor mudou e confirmou a mudança de “status” da Diagnóstika, de uma empresa que se considerava líder e pioneira, para uma empresa considerada pela sociedade como tal. Isso tem um impacto muito positivo na motivação dos empreendedores e de sua equipe.

5) Em sua opinião, o que falta para termos mais empreendedores em saúde?

Empreender em saúde de maneira inovadora é um privilégio de poucos países. Almejar uma vaga neste “clube” é uma questão de indicadores de educação & pesquisa, não só de tamanho do PIB.

Justamente porque almejar a inovação em saúde é almejar a interação com um número considerável de instituições públicas e privadas.

O Brasil está apto a criar empresas de saúde que entreguem produtos originais, serviços originais – no cenário mundial, não só no mercado brasileiro? A síntese perde a especificidade, os casos de sucesso, mas de um modo geral me parece que não. A globalização é um fenômeno capitalista e o Brasil “mal e mal” está deixando de ser periferia do capital.

Para aumentar o número de empreendedores de saúde bem sucedidos, a ponte entre cientistas e administradores precisa ser facilitada; o SEBRAE pode fazer isso? A FAPESP? A Endeavor? A USP? A Unicamp? A FGV? Nenhuma instituição sozinha, todas em conjunto, talvez.

6) Fale um pouco de seus projetos atuais e qual o papel da inovação no seu trabalho?

Meu trabalho atual é de consultor da área de inovações na Diagnóstika. No mundo inteiro, a patologia cirúrgica é praticada em laboratórios de pequeno e médio porte; por isso, não existem no mercado soluções “de prateleira” voltadas para os problemas de realizar diagnósticos de patologia em grande escala, como na Diagnóstika. Quando existem, são soluções estrangeiras com custo alto.

Assim, meu trabalho é criar soluções que custem menos e sejam tão eficientes quanto o “estado da arte”. Nem sempre isso é possível – por exemplo, pensamos em produzir um scanner de lâminas nacional, mas descobrimos ser inviável e investimos em tecnologia americana – neste caso, a inovação consistiu no modelo de parceria com a empresa Aperio (www.aperio.com) para viabilizar a compra a preço subsidiado.

Por outro lado, o desenvolvimento “in-house” do software “LIS” (Laboratory Integration System) foi um acerto muito grande da Diagnóstika. Hoje trabalhamos com três programadores fixos além da equipe de apoio e entregamos novos módulos do software regularmente. Pudemos conferir no Congresso de Patologia que estamos acompanhando a qualidade de sistemas americanos desenvolvidos por uma equipe de mais de cinquenta programadores.

Atualmente a inovação está balanceada entre o lançamento de novos serviços para o mercado da patologia e a criação de solucões que viabilizem o ambicioso plano de expansão da Diagnóstika.


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