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Telerradiologia: empresas vislumbram dobrar rede de clientes em 2013

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A telerradiologia foi homologada no Brasil há pouco mais de três anos e ainda não se livrou de certos gargalos que impedem uma expansão acelerada do uso deste ramal da telemedicina, especificamente o que se utiliza da tecnologia de informação e dos meios de comunicação mais avançados para realizar diagnósticos à distância por meio do envio das imagens. Ainda assim, quem já se dedica ao segmento está otimista com os índices de crescimento do setor.
A Diagnext foi a empresa que criou o primeiro provedor de telerradiologia nacional aprovado e reconhecido pela Anatel. Em linhas gerais, a empresa trabalha com o fluxo de informação das imagens, no caso, as radiografias digitais. Ou seja, atua na otimização da conexão entre lugares afastados e clínicas.
?A gente pega a imagem e leva para outro lugar, atendendo locais que não conseguem lidar com isso. Se a internet tem baixa qualidade, eu trabalho a internet. E na clínica colocamos um servidor pequeno que vai com um sistema instalado e faz tudo automaticamente, criado para ser usado o máximo possível sem interferência humana?, explica o CEO da companhia, Leonardo Costa.
Como exemplo, o especialista conta que um teste na cidade amazonense de Itacoatiara conseguiu transmitir em apenas 48 segundos uma mamografia usando internet com conexão de apenas 256k, o que fez com que o exame chegasse rapidamente na Universidade Federal do Amazonas, na capital. E essa é a especialidade da Diagnext: levar o conhecimento em transmissão de dados para locais distantes dos grandes centros.
?O maior limitador do mercado é a conexão, mas quanto pior a capacidade da internet disponível, melhor para o meu trabalho. Assim, esperamos neste ano crescer 100% e fechar com algo entre 80 e 100 clientes?, completa.
Quem também vive a expectativa de dobrar o número de contratos é a Pro-Laudo, que oferece o serviço a partir de ressonância magnética, tomografia computadorizada, raios-x, mamografia ou densitometria óssea. Ao todo, a equipe é formada por 40 radiologistas que atendem mais de 100 clínicas e hospitais espalhados pelo Brasil.
?Fomos a primeira empresa profissional de telerradiologia no Brasil, surgindo em 2009, quando ninguém tinha falado nisso como prestação de serviço. Começamos a estudar o mercado em 2007 e fomos para os Estados Unidos para ver que já existiam umas 25 empresas de telerradiologia por lá, o que chamou nossa atenção?, narra o diretor de negócios da Pró-Laudo, Felipe Nirenberg.
Quem toca a parte de tecnologia é uma empresa dos EUA, parceira na empreitada. Hoje, a empresa tem duas centrais de laudos onde os radiologistas trabalham, além também de um serviço remoto que é possível ser feito com a instalação do equipamento na casa do médico, por exemplo. A empresa ainda baseia-se em estudos de institutos estadunidenses que mostram que a telerradiologia aumenta em 30% a eficiência da elaboração de laudos. ?Ela otimiza o tempo e também tem ferramentas no sistema que melhoram a qualidade do trabalho?, acrescenta Nirenberg.
O executivo aponta também que o grande desafio passa por uma mudança de cultura junto ao setor de saúde: conseguir fazer com que o dono do centro médico entenda que contar com uma solução à distância não significa um risco. ?Além de diminuir a sobrecarga sobre o radiologista que está no local, temos de mostrar que é algo totalmente seguro?.
Dificuldades
Mas se as empresas estão animadas com o caminho a percorrer neste mercado ainda incipiente, o professor Renato Sabbatini, especialista no assunto e que atua no Instituto Edumed para Educação em Medicina e Saúde, pontua alguns fatores que fazem com que a telerradiologia se propague em passos ainda não tão largos no país.
Primeiro, a dificuldade estrutural: as cidades pequenas, do interior dos Estados ou da zona rural, têm deficiências nas conexões de rede para transmissão de dados, o que inviabiliza a importação de soluções europeias, japonesas ou americanas que utilizam banda ultra-larga, por exemplo. Em segundo lugar está o alto preço da captação de dados, já que quem utiliza o modelo de raio-x tradicional, analógico, precisa investir na modernização.
?Aos poucos essas situações estão sendo resolvidas?, avalia Sabbatini, que lembra ainda que a eficácia não é só para regiões afastadas ou que não tenham radiologistas, mas também para a situação de plantões noturnos ou falta de um médico.
O professor destaca também que o Estado de São Paulo demonstrou a viabilidade por meio das unidades de Serviço Estadual de Diagnóstico por Imagem (Sedis), já que o projeto atende cerca de 20 hospitais paulistas e se mostra mais econômico para a rede que a contratação de uma série de radiologistas.
?Já o mercado privado brasileiro não se desenvolveu ainda. Nos Estados Unidos, cerca de 50% das radiografias são interpretadas na Índia, que estão no fuso horário de 12h e fazem por um valor mais barato. Então mandam para a Índia, a Indonésia, a Austrália, onde há radiologistas com o certificado para assinar o laudo?, diz.
O modelo de criação de um centro público como o de São Paulo faz ainda com que as interpretações sejam mais baratas, já que a cobrança é por laudo, não pelo salário fixo de um profissional presencial. ?No Canadá, a radiologia à distância está economizando de 800 a 900 milhões de dólares por ano: não gasta filme, é rápida, não perde tempo com o transporte do paciente, o radiologista recebe por serviço e o retorno do investimento é de dois anos, o que é muito pouco para a área de saúde?, coloca o professor.
Por fim, Sabbatini reforça dois pontos sempre colocados em discussão ao se tratar de telemedicina. Os empregos vão diminuir? ?Eu discordo um pouco desse argumento de que cai a quantidade, porque na verdade vai expandir a base de clientes. É a história da tripla meta: aumentar a cobertura, aumentar a qualidade e diminuir o custo?.
E a segurança? ?Quando você envia pela rede um exame para ser interpretado, precisa ter validade legal, certificado incorporado. Não é como se fosse mandar um exame pelo Facebook. Então as empresas precisam incorporar isso, garantir a segurança na assinatura do laudo?.

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