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Técnica para implantar prótese de mamona espera aprovação

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A disseminação no Brasil do uso de próteses desenvolvidas a partir de um polímero derivado do óleo de mamona ainda esbarra na aprovação da Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A técnica de implantação da prótese (em substituição à platina) em pacientes que tiveram ossos ou partes do corpo comprometidas é resultado de pesquisas da Escola de Engenharia Mecânica da USP – São Carlos, em parceria com o Núcleo de Prototipagem da Fundação ParqTec, incubadora de empresas de base tecnológica. Sylvio Rosa, presidente da Fundação ParqTec, reivindica maior fomento às empresas responsáveis pelas pesquisas. Segundo ele, a regulamentação da Anvisa é importante para beneficiar maior número de pessoas, mas os pequenos negócios não têm condições financeiras de arcar com os altos custos dos testes clínicos, exigidos para obter a aprovação da agência. “Em breve, se nada mudar, teremos de importar produtos e serviços por nós desenvolvidos, já que não há maior apoio às pesquisas, empresas e indústria nacional”, afirma.
A substância utilizada na prótese, o polímero de mamona, já foi aprovada pelo FDA (Food and Drugs Administration), a agência do governo norte-americano responsável pela liberação de novos alimentos e medicamentos, e pelo Ministério da Saúde. O material foi desenvolvido pelo professor Gilberto Orivaldo Chierice, do Instituto de Química de São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP). Mas a técnica de implantação da prótese, também legalizada nos Estados Unidos, ainda não passou pelo crivo da Anvisa.
A prótese de mamona é projetada sob medida para substituir a estrutura comprometida do corpo, a partir de uma imagem de tomografia computadorizada. Primeiro, os técnicos confeccionam um protótipo em plástico rígido a partir da imagem obtida, depois um molde de silicone, que dá origem à protese fabricada com o polímero. Isso reduz o tempo de cirurgia, pois a peça não precisa mais ser ajustada durante a operação.
Segundo o professor Jonas de Carvalho, um dos pesquisadores da prótese, a utilização da substância derivada da mamona apresenta redução de custos em relação a próteses de titânio, polietileno ou acrílico. Além disso, são biocompatíveis, favorecendo a substituição do polímero por células ósseas com o passar do tempo. Neste ano, foram realizadas oito cirurgias em caráter experimental, graças a uma parceria com o Hospital Santa Tereza, de Petrópolis, RJ.

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