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Taxa de mortalidade por doenças renais cresce 38%

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De acordo com o Censo Brasileiro de Diálise, realizado em 2010 em 2010 pela Sociedade Brasileira de Nefrologia mostra que dos mais de 92 mil pacientes em hemodiálise atualmente, 80% não tiveram acesso ao tratamento com o especialista. Além disso, constata que faltam nefrologistas nas redes primária e secundária do SUS.
O estudo mostra que o número de centros de diálise não está crescendo de forma significativa e o parque tecnológico está sucateado. Nos últimos dez anos, a taxa de mortalidade de pacientes renais cresceu em torno de 38%. Foram registrados, nesse período, 16.500 óbitos no país.
As pesquisas foram respondidas por 340 unidades renais (53,3%) e cerca de 50 mil pacientes em todo o país.
A diretoria da SBN apresentou os resultados do censo, em maio, na reunião da 2ª. Câmara Técnica sobre Nefrologia promovida pelo Ministério da Saúde, em Brasília, para traçar novas diretrizes na área.
O presidente da SBN, Daniel Rinaldi, fez uma explanação minuciosa, mostrando o panorama epidemiológico da doença renal desde o atendimento na unidade básica (postos de saúde), passando pela atenção secundária (ambulatórios de especialidades) e as dificuldades relativas à Terapia Renal Substitutiva (TRS).
De acordo com o estudo, dos mais de 5.500 municípios brasileiros, apenas cerca de 350 têm nefrologista. Entre os problemas apresentados estão o acesso limitado do doente renal crônico à assistência médica especializada e o subdiagnóstico e diagnóstico tardio da doença renal crônica, além da inexistência de honorários médicos ligados ao procedimento dialítico.
Para Rinaldi, o objetivo é alertar os gestores de saúde sobre a precária situação em que se encontram os serviços de terapia renal substitutiva, que prestam atendimento ao SUS, e apresentar sugestões para garantir a continuidade do tratamento dentro de princípios éticos e humanitários.
Nos últimos dois meses, os diretores da SBN participaram de reuniões em vários setores do Ministério da Saúde, incluindo um encontro com o ministro Alexandre Padilha.
Mas até agora as negociações não avançaram. Entre as reivindicações estão: readequar os valores dos procedimentos hemodialíticos para pacientes crônicos, com diferenciação de remuneração para pacientes pediátricos, e os valores relativos aos acessos vasculares para hemodiálise; incluir os honorários médicos nos procedimentos hemodialíticos e de diálise peritoneal, tanto de crônicos quanto de agudos; e garantir ao paciente em diálise, por parte do gestor público, o acesso à internação hospitalar por meio do SUS e o acesso às medicações de alto custo.
O Censo Brasileiro de Diálise da SBN revelou também o sucateamento dos serviços em decorrência de dívidas crescentes com os fornecedores e das dificuldades enfrentadas para compra de insumos e novos equipamentos.
Entre as soluções propostas estão à liberação dos faturamentos referentes aos atendimentos realizados nos meses subsequentes à realização dos serviços e a criação de linhas de crédito para renovação do parque tecnológico.
A próxima reunião da diretoria da SBN, em Brasília, será no final de julho para a continuidade dos trabalhos da Câmara Técnica, que deverá discutir cinco tópicos já definidos.
São eles: revisão do modelo de financiamento da atenção ao paciente com doença renal; revisão das Portarias SAS 432 e Anvisa RDC 154, com inclusão da atenção básica e integração dos três níveis para o atendimento do paciente; protocolos operacionais e assistenciais para o paciente com doença renal; criação de um Programa de Atenção ao Acesso Vascular e Dispensação de Medicamentos; e proposta de estudo da prevalência da doença renal crônica no Brasil.

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