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Sustentabilidade: energias renováveis no Brasil

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Um dos temas mais importantes do desenvolvimento sustentável é o de energias renováveis, já que elas são essenciais para a transição para uma economia mais inclusiva do ponto de vista social e eficiente na sua relação com o meio ambiente, bem como representam soluções a questões globais fundamentais como segurança energética, pobreza e mudança climática. Esta Análise apresenta um breve resumo da Carta IEDI divulgada hoje, a qual detalha o papel que as energias renováveis vêm assumindo no contexto internacional e brasileiro e as oportunidades abertas por elas.
Deve-se considerar, inicialmente, que a transição para uma matriz energética global mais renovável não se dará de forma abrupta, uma vez que a dinâmica que sustenta o modelo energético não-renovável atual é difícil de ser revertida por razões como: (i) o elevado nível de consumo material e energético em países desenvolvidos, que se reflete também em maior ou menor escala em países emergentes, (ii) a infraestrutura energética não-renovável já estabelecida, planejada com vistas ao longo prazo e de forma capital-intensiva, (iii) a crescente demanda por serviços relacionados à energia em todo o mundo, e (iv) o crescimento populacional.
O Brasil desempenha um papel de destaque no cenário energético internacional, fruto de decisões passadas que privilegiaram o aproveitamento do potencial hidrelétrico e a produção de combustíveis a partir de cana-de-açúcar. A razão do imenso prestígio é clara: com base em dados de 2008, o país oferta cerca de 85% de energia elétrica a partir de alternativas renováveis e apresenta a mais eficiente e amplamente adotada solução para produção de energia a partir de biomassa do planeta: somando-se o etanol e cogeração de eletricidade, os produtos de cana-de-açúcar responderam por 28% da oferta interna total de energia do país.
Por ser uma referência em razão da sua matriz com considerável componente de energias renováveis, a questão energética oferece ao país oportunidades que extrapolam as fronteiras nacionais e dizem respeito à inserção do país na economia global. Para muitos, é impossível não privilegiar nesse debate as oportunidades advindas do petróleo do pré-sal e seus potenciais impactos positivos na sociedade brasileira, que extrapolam em muito a cadeia petroleira. Mas devem ser consideradas as incertezas em relação à viabilidade técnica, e conseqüentemente econômica, que ainda rondam o modelo, e o temor que assola parte da comunidade internacional, relacionado a problemas ambientais que possam resultar da exploração de petróleo em águas profundas, catalisado pelo recente acidente envolvendo a British Petroil (BP) no Golfo do México, cujos impactos em biodiversidade ainda se encontram em etapa inicial de inventário.
Outros apontam que deve ser dada prioridade ao comércio internacional de etanol, voltado predominantemente neste momento a países desenvolvidos, considerando também que à medida que esse biocombustível se torne uma commodity, serão inúmeras as oportunidades de exportar equipamentos e tecnologias para que a cadeia álcool-energética seja instalada e/ou ampliada em regiões como a América Central, e áreas tropicais na África e Ásia.
Por certo, o aproveitamento de ambas as oportunidades não é excludente e há que se examinar em maior detalhe que caminhos trilhar, incluindo nesse debate não apenas petróleo e etanol, mas também outras alternativas tais quais energia eólica e solar, que de forma crescente vêm sendo objeto de metas e investimentos em países desenvolvidos, como Estados Unidos e os protagonistas da União Européia, e emergentes, como China e Índia. Vale ressaltar que o privilégio ou o descaso com alguma dessas alternativas é mais que uma opção por uma matriz energética mais ou menos renovável: significa também priorizar ou abdicar do desenvolvimento tecnológico do país em relação a alternativas de energias renováveis. Nesse contexto, vale perguntar se, embora inegavelmente decisivos, o aproveitamento do potencial hidrelétrico e a expansão da produção e do comércio internacional de etanol seriam as únicas oportunidades relacionadas ao setor energético para o Brasil, no século XXI.
O fato é que diversas evidências apontam que o Brasil não deve se contentar com o resultado de decisões de três a quatro décadas atrás, que o colocaram em condição de principal protagonista no cenário energético internacional. São conquistas expressivas, inegavelmente, que conferem ao país uma condição confortável, mas que não devem fazê-lo acomodar-se frente aos desafios e oportunidades que a questão energética coloca à humanidade no século XXI.
O Brasil apresenta grande potencial para o desenvolvimento das energias renováveis e não pode se satisfazer apenas com a exploração do seu potencial hidrelétrico e com a liderança em no cenário internacional de biocombustíveis. Dado o seu potencial para a geração de energia a partir das matrizes eólica e solar, ignorar tais vocações é um contra-senso em termos de segurança energética, que acaba por afetar também a competitividade do país e de suas empresas, uma vez que os mais importantes países do cenário internacional estão investido cada vez mais em P&D e geração a partir de energias renováveis e suas empresas têm ampliado sua participação nesses segmentos. Considerando-se a transição para uma economia verde em escala global, é essencial que o Brasil crie também condições para o desenvolvimento de ecoinovações em energias renováveis.
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