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Sudeste é única região do País a apresentar queda nos casos de Aids

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Tendência de queda dos casos do HIV/Aids na cidade de São Paulo. Esse foi o principal resultado do boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Municipal da Saúde, como parte das ações marcadas para o dia mundial da luta contra a aids (1º de dezembro), que apresentou o perfil da epidemia no município. De 1980 até setembro de 2004, foram registrados na cidade 56.736 casos em adultos e 1804 em crianças, o que representa cerca de 16% do total da doença no Brasil. A queda da incidência observada nos anos anteriores se mantém: 25 novos casos por 100 mil habitantes, enquanto em 2002 tinham sido 31. No Brasil, o total de casos da doença acumulados desde 1980 passou de 321.163 para 362.364. Considerando a taxa de incidência da doença, o crescimento da epidemia é observado em todas as regiões do País, exceto no Sudeste, onde há estabilização com tendência de queda. Entre 1998 e 2003, a taxa de incidência nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo caiu de 29,4 para 24,3. No mesmo período, o Nordeste apresentou um discreto aumento na incidência, que passou de 6,7 para 6,8.
Nas demais regiões, a taxa de incidência da Aids só aumentou, no comparativo entre 1998 e 2003. No Sul, saltou de 24,9 para 26,6 (crescimento de 6,8%). No mesmo período, o Centro Oeste viu seu índice saltar de 13,9 para 19,9 (mais de 43% de aumento). O Norte experimentou o maior crescimento (46,6%) na taxa de incidência: passou de 6,0 para 8,8 casos a cada 100 mil habitantes. A taxa de incidência é mais importante do que o número absoluto de casos porque revela o risco de determinada população ter a doença.
Segundo Gonzalo Vecina Neto, secretário municipal da Saúde, os resultados positivos na cidade de São Paulo demonstram que as ações de prevenção e tratamento da doença no município têm valido a pena. ?A redução do número de casos, de mortalidade e de transmissão vertical é um indicador muito positivo e mostra nossa capacitação de promover o estado de saúde nestes pacientes. Por isso temos que manter todas as iniciativas ativas nessa causa?, ressalta.
Outro resultado positivo de São Paulo foi à tendência de queda na curva da mortalidade. A taxa de óbitos por conseqüência da Aids por 100 mil habitantes passou de 10, em 2002, para 9 em 2003. Este ano, foi o primeiro desde 1988, em que os óbitos ficaram abaixo da marca de mil mortes por ano. A cidade chegou a ter 3 mil óbitos por 100 mil habitantes, em 1988, no início da epidemia. ?A implantação da terapia de antiretroviral colaborou muito nesse processo. Apesar do custo, tem sido extremamente efetiva?, observa. Ainda que a incidência tenha diminuído no conjunto da cidade, observam-se diferenças importantes nas regiões de Parelheiros, Jardim Helena e Vila Mariana, onde houve aumento de novos casos.
Para o secretário, essa variação diz respeito à própria distribuição segundo categorias de exposição ao vírus, como os homossexuais e bissexuais, além dos usuários de drogas injetáveis. No entanto, o boletim também revela que a relação sexual heterossexual é que tem maior exposição à doença. ?Embora a razão de sexo tenha se mantido, com uma proporção de 2 homens para cada mulher, existe uma tendência mundial à feminização, embora as mulheres, em sua maior parte, tenham parceiros estáveis?, diz Vecina. Em relação à faixa etária, a maior concentração de novos casos estão nas faixas etárias de 30 a 49 anos, em ambos os sexos. A média de escolaridade é de 4 a 7 anos de estudos concluídos.
A cidade de São Paulo conta com 24 unidades de saúde especializadas em DST/Aids, com diferentes complexidades e localização. Destas unidades, cinco são novos centros de testagem e aconselhamento, inauguradas nos últimos dois anos em regiões mais periféricas. Sete novos projetos de prevenção, desenvolvidos por agentes de prevenção com pessoas da comunidade, foram implantados de 2001 a 2004. O foco são os profissionais do sexo, homossexuais, mulheres, jovens e usuários de drogas injetáveis. Até novembro foram distribuídos cerca de 16 milhões de preservativos masculinos e 232 mil femininos, um crescimento de mais de 17 vezes. Até 2001 eram distribuídos apenas um milhão de preservativos pela área de DST/Aids.
Vecina Neto explica que mesmo havendo troca de prefeito no próximo ano, ele não vê problemas na transição e principalmente não acredita que haja descontinuidade dos projetos implantados nesta gestão. ?O SUS é apartidário, não creio que o próximo governo venha partidarizar a questão da saúde?, argumenta.
O número de testes também cresceu, e chegou a ser quatro vezes maior considerando o período de janeiro de 2001, em que eram realizados cerca de 6 mil testes/mês. Atualmente cerca de 24 mil testes são realizados por mês. A quantidade de atendimentos pulou de 6 mil para 15 mil mensais, e o número de pacientes que usam antiretroviral na rede municipal passou para mais de 8059, contra os 4062 atendidos em 2001.

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