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Soluções verticalizadas: tendência ou benefício real para o cliente?

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Vivemos hoje em dia rodeados por soluções e tendências, tanto no campo pessoal como no dos negócios. Soluções para a pele, para o cabelo, para ganharmos dinheiro fácil, ficarmos ricos com o nosso cônjuge e outras mais, além de uma infinidade de tendências, como SOA (conceito que ainda parece não ter sido entendido na prática pelas corporações), consolidação, computação em nuvem, software como serviço e muitas mais. Mas a pergunta que fica é: essa miscelânea toda gera benefícios reais para as pessoas e empresas?

Recentemente, no mercado brasileiro, teve início uma nova onda entre as desenvolvedoras de aplicativos de gestão, os ERPs, de verticalizar suas soluções de negócios buscando reduzir o valor na ponta para o cliente, já que, tipicamente, projetos de ERP possuem uma relação elevada do custo do serviço em relação às licenças e ao hardware, chegando a até 10:1. Outro argumento a favor da verticalização é a diminuição da barreira interna para a adoção de novas ferramentas, entregando as famosas “best practices”.

Ou seja, essa demanda vai ao encontro daquilo que o próprio mercado sempre pediu no passado: “Poxa, seria muito bom se a sua solução já viesse com os relatórios que costumeiramente o meu tipo de indústria usa, já que vocês, fornecedores de TI, já devem ter feito esse tipo de projeto em uma dezena de empresas como a minha”, ou, “Não é possível que até hoje a sua empresa não tenha nada do meu processo pronto…”.

Enfim, inúmeros palpites e ideias foram sendo passados para as gigantes fabricantes de software, dando a entender que o mercado queria isso. Queria uma solução pronta, vertical, com as melhores práticas, e com isso, claro, que tivessem um custo menor. As grandes desenvolvedoras de aplicativos de gestão, por sua vez, resolveram não nacionalizar por enquanto as versões verticalizadas que possuem globalmente e passaram essa tarefa para a sua rede de parceiros, que por sua vez tiveram que se especializar em nichos, aprender como eles trabalham e configurar a ferramenta segundo essas práticas.

Os ganhos de produtividade com soluções verticalizadas são incontestáveis, havendo casos em que o tempo de implementação chega a ser 60% menor do que era no passado, ou seja, cai dos corriqueiros 12 meses para algo em torno de 3 a 4 meses dependendo do grau de aceitação das empresas em relação ao que já está pronto. Atenção especial a esse “grau de aceitação por parte das empresas em relação ao que já está pronto”, pois aí é que está o pulo do gato… O mercado pede, mas nem sempre quer usar…

O mercado parece ávido por redução de custos e soluções verticalizadas que já venham prontas, principalmente hoje em dia que cada vez mais o quadro de pessoas nas empresas está menor e com isso a disponibilidade da área de negócios é limitadíssima. Porém, quando o empresário geralmente pede algo pronto, ele esquece que terá que se adequar e não o contrário, senão o conhecimento que está ali dentro se perde e aí voltamos à idade da pedra, ou seja, temos que quebrar pedras e fazer com as próprias mãos o que já deveria estar pronto. A conseqüência disso é que o projeto volta a ficar longo, caro e a exigir muita participação da área de negócio.

Apesar do aparente dilema, um ponto é inconteste: existe um enorme benefício para os clientes em adotarem soluções verticalizadas, já que elas já vêm testadas, documentadas e com um bom histórico de uso que blinda a aplicação quanto a erros comuns em projetos que não possuem todos os pilares iguais (pessoas, processos e infra-estrutura).

Em resumo: as soluções para projetos caros, problemáticos e intermináveis estão aí… O mercado possui uma série de empresas verticalizadas para atendê-los cada vez melhor e com custo menor. O questionamento agora é: quando as empresas vão se abrir de fato para uma realidade que, aliás, foi plantada por elas próprias. É preciso observar o mercado e perceber se a verticalização vai ficar como promessa, como tendência, ou se as companhias saberão tirar real proveito dela.

* Gabriel Rodrigues é diretor da Essence, empresa de consultoria e outsourcing, especializada em Tecnologia e Informação para negócios.

As opiniões dos artigos/colunistas aqui publicadas refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte da IT Mídia ou quaisquer outros envolvidos nesta publicação.

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