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Software promete aprimorar diagnóstico de leucemia

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Um programa de computador desenvolvido no Instituto de Física de São Carlos (IFSC), com colaboração da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), pode limitar a necessidade de exames complementares para diagnóstico de leucemias, dentre elas a Leucemia Linfóide Crônica (LLC), tipo de leucemia mais comum em adultos no Ocidente e que caracteriza-se, inicialmente, por um número aumentado de linfócitos no sangue, células que, em estado normal, auxiliam o corpo na luta contra infecções, informa a Agência USP. Batizado de Leuko, o software criado pela pesquisadora Daniela Ushizima, é capaz de analisar as características das células sanguíneas por meio de imagens e auxiliar na detecção de anomalias cancerígenas.
Atualmente, após a realização do hemograma (em que há contagem de células) e a verificação dessa quantidade aumentada, são feitos exames complementares. Primeiramente, é realizado um exame manual por hematologistas. De acordo com Daniela trata-se de uma análise visual de lâminas que é cara e requer mão-de-obra altamente qualificada. Quando a análise visual não é suficiente, são realizados procedimentos como imunofenotipagem e análise molecular, exames que utilizam substâncias marcadoras para indicar a presença de células doentes.
Uma das grandes vantagens da ferramenta é sua capacidade de reduzir a necessidade dos exames complementares na medida em que classifica as células de defesa segundo atributos físicos – textura, coloração, forma do núcleo e do citoplasma – a partir de uma fotografia do sangue. Assim, podem ser identificadas células doentes e a ocorrência de leucemia.
A imagem analisada pelo programa é obtida por meio de uma câmera digital acoplada ao microscópio. Em seguida, é ampliada e transferida a um monitor. Daniela explica que o programa enxerga a imagem como uma matriz (uma tabela de elementos dispostos segundo linhas e colunas) e extrai medidas dessa matriz por meio de fórmulas matemáticas.
A pesquisadora aponta como um dos destaques do software é o fator econômico, pois os exames complementares demandam equipamentos específicos e reagentes químicos importados e de alto custo. Segundo ela, o custo de um frasco de anticorpo monoclonal, empregado nesses exames, é de US$ 230, e o equipamento necessário custa cerca de cem mil dólares.
Com o programa, o diagnóstico poderá ser realizado em laboratórios fora dos centros tecnológicos do País. Outro aspecto vantajoso é a durabilidade das imagens digitalizadas. A lâmina, onde o material analisado é atualmente mantido para estudos posteriores, costuma desbotar e perder as características originais.
O sistema também pode ser utilizado como ferramenta didática para o estudo de características e anomalias celulares. Por trabalhar com fotografias ampliadas, o software pode transformar as observações individuais, feitas pelo microscópio, em uma análise coletiva, realizada em sala de aula.
O trabalho foi premiado, em abril deste ano, no Simpósio Internacional de Imageamento Biomédico, realizado em Washington, EUA. Uma versão do software estará disponível a partir do próximo semestre, no site http://zappa.if.sc.usp.br/dani. “Maiores desenvolvimentos e testes devem ser feitos para que o sistema computacional possa ser implantado nos laboratórios”, ressalta Daniela.
A pesquisa foi orientada pelo professor Luciano da F. Costa (IFSC) e teve co-orientação do professor Marco Zago, do Hemocentro da FMRP. Contou, também, com a participação dos médicos do Laboratório de Hematologia da mesma faculdade.

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