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Situação da saúde ocular no Brasil não é crítica, mas desafiadora, dizem especialistas

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A situação da saúde ocular no Brasil não é crítica, mas ainda pode melhorar em diversos pontos. Essa é a avaliação do assessor técnico do Departamento de Alta e Média Complexidade da Secretaria de Assistência à Saúde do Ministério da Saúde, Alexandre Taleb. “Desde 2000, a saúde ocular, através dos projetos de catarata, entrou na pauta e começou a ter no Ministério da Saúde a ressonância do foco que elas realmente apresentam no contexto brasileiro”, afirmou, em entrevista à Agência Brasil.
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De acordo com Taleb, existem hoje, no Brasil, cerca de 1,4 milhão de pessoas cegas, que vivem à margem da sociedade, dependendo de recursos do Estado. Esse número chega a quase cinco milhões, se contabilizadas aquelas que têm baixa visão, o que também interfere na produtividade da pessoa. “Então é fundamental que a gente possa implementar políticas de prevenção à cegueira”, disse.
Entre as principais causas de cegueira, que acomete principalmente os idosos, está a catarata, responsável por cerca de 47% dos casos, de acordo com o relatório “As condições de saúde ocular no Brasil 2009”, de autoria de Taleb e que foi apresentado hoje, durante o 3º Fórum Nacional de Saúde Ocular, em Brasília.
Segundo Taleb, são realizadas, em média, entre 450 e 480 mil operações por ano, enquanto seriam necessárias 580 mil cirurgias. Para ele, há espaço para melhorar o atendimento, a fim de conseguir no mesmo ano operar todas as pessoas que passam a apresentar a doença.
A catarata, que acomete mais de 68% da população com mais de 80 anos e pelo menos 20% dos que têm mais de 60 anos, é reversível, com cirurgia. “Catarata faz parte do envelhecimento dentro do olho, e como a nossa população está envelhecendo, está vivendo mais no Brasil, então essas doenças degenerativas, como a catarata, sempre vão preocupar muito”, explicou o presidente do CBO, Hamilton Moreira.
O presidente do CBO destaca que em 2006 houve uma queda no número de cirurgias realizadas, seguida por um aumento em 2007, mas os números que ele traz não coincidem com os do ministério. De acordo com Moreira, o Sistema Único de Saúde realiza anualmente 200 mil operações de catarata.
“Nós precisamos alavancar esse número para a casa dos 300, 350 mil cirurgias pelo SUS ao ano, sem contar as da rede privada. Essa quantidade seria o mínimo necessário para atender a demanda, sem pensar na demanda reprimida”, destacou.
Para o presidente, a situação da saúde ocular no Brasil é desafiadora. “Seria um sonho acabar com a fila para consulta com o especialista no Brasil, não só na oftalmologia. É um sonho a ser perseguido, um desafio”, afirmou. De acordo com ele, em relação à tecnologia e à formação de recursos humanos, estamos em igualdade com qualquer país desenvolvido, mas o Brasil ainda é um país carente de recursos.
Segundo o Alexandre Taleb, o Ministério da Saúde tem trabalhado em conjunto com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) para desenvolver instrumentos políticos que permitam a implementar melhorias no atendimento oftalmológico no Brasil como um todo, especialmente no sistema público.
Um exemplo apontado por ele é a Política Nacional de Atenção em Oftalmologia, criada pela portaria 957, de 15 de maio deste ano. A política é um dos temas do Fórum que vai discutir como implementá-la nos estados e municípios, “com a ajuda dos oftalmologistas, para que possa melhorar ainda mais a atenção à saúde ocular”.
Outro exemplo, de acordo com Taleb, é o programa Olhar Brasil, uma parceria entre o MS e o Ministério da Educação, que deve melhorar a saúde ocular de 43 milhões de brasileiros nos próximos três anos. “Serão examinadas as crianças matriculadas nas escolas públicas da primeira à nona série, os adultos que estão nos cursos de alfabetização de jovens e adultos, pessoas com mais de 60 anos de idade”, explica o assessor técnico, ressaltando que os que precisarem vão, inclusive, ganhar os óculos.

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