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Sistema Lean de Gestão da saúde

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Hospitais bem administrados sempre geram benefícios múltiplos: primeiro, é claro, para pacientes, que são mais bem atendidos. Mas também há a vantagem evidente para o “negócio hospitalar”, um setor que gera milhões de empregos e receitas em todo mundo.

A gestão hospitalar é um campo fértil e ainda pouco cultivado. Mas já há boas iniciativas e caminhos a se seguir. É o caso, por exemplo, da ação pioneira de um dos mais importantes centros médicos do país, a rede de hospitais São Camilo, de São Paulo, uma das primeiras a adotar o Sistema Lean de Gestão (Lean Management).

Trata-se da filosofia de gestão que prega a eliminação total de qualquer processo produtivo que não agregue valor ao produto – o chamado desperdício -, um sistema que revolucionou a indústria automotiva e vem sendo copiado por empresas de todos os segmentos – incluindo na saúde.

Pioneira nessa área, a rede São Camilo tem implementado o Lean há cerca de 2 anos. E, segundo Carlos Eduardo de Campos, Gerente de Projetos e responsável pela implementação do sistema, já conseguiu, por exemplo, reduzir em 68% o estoque no pronto-socorro adulto da Unidade Pompéia. Também diminuiu em 47% o retrabalho no processamento de contas da Unidade Ipiranga. Reduziu em 18% o tempo de ciclo dos colaboradores que atuam na sala de medicação do pronto-socorro da Unidade de Santana. E derrubou em mais de 50% o tempo de setup (tempo de preparo) de leitos e de sala de cirurgia, liberando capacidade.

Para Carlos Eduardo, são reduções que representam economia de recursos e otimização de processos. E que deixam os hospitais mais eficientes, gerando maior qualidade e rapidez no atendimento. Tanto que a rede São Camilo implementa hoje 63 projetos de melhorias baseados no Sistema Lean – e em todas as unidades há diversos especialistas treinados no Sistema.

Carlos concorda também que além das melhorias concretas mais imediatas e que geram economia, o Sistema Lean ainda ocasiona uma “mudança de atitude” nos colaboradores. Ao se conscientizarem sobre a eficácia do Sistema, eles geralmente desenvolvem uma “visão critica do ponto de vista do processo” e passam a identificar aquelas atividades que são realmente percebidas e valorizadas pelos clientes”. Conseqüentemente, eles próprios começam a efetuar cotidianamente uma série de iniciativas de melhorias.

Fora do Brasil, o movimento lean nos hospitais é muito mais forte. Em evento do Lean Institute Brasil, o especialista norte-americano Guy Parsons detalhou a aplicação do Sistema Lean em dois dos mais importantes centros médico-hospitalares dos Estados Unidos: a Mayo Clinic, um dos mais importantes centros de serviços clínicos e hospitalares, em Rochester-Minnesota; e também o caso do Mass General Hospital, uma das mais antigas instituições hospitalares. Atualmente há centenas de hospitais implementando lean nos EUA.

Outro caso interessante é do Flinders Medical Centre, um hospital público e também escola de medicina do Sul da Austrália que vem conquistando bons resultados com a aplicação do lean. E que despertou o interesse do governo australiano do Estado de “New South Wales”, que vem disseminando lean em toda a rede hospitalar. Assim como na Inglaterra, onde o National Healthcare System (NHS) está implementando essa filosofia no sistema nacional de saúde.

Engana-se, porém, quem pensa que o Sistema Lean só serve para grandes instituições. Diferente disso, ele pode e deve ser aplicado em entidades de saúde de qualquer tamanho: de grandes hospitais a pequenas clínicas.

Tanto verdade que um renomado especialista internacional em Sistema Lean, o dentista Sami Bahri publicou um livro intitulado Follow the learner, no qual relata a história de transformação de sua prática clínica, em Jacqsonville, Flórida-EUA, que aumentou sua produtividade em 35% e diminuiu o Lead Time em 79%.

“O desafio está em como coordenar os serviços de apoio para suportar o fluxo de uma só peça uma vez que tenha sido identificado. Ele é o mesmo, seja num consultório odontológico ou em qualquer clínica médica ambulatorial. É, essencialmente, idêntico, mesmo em um hospital, apenas em uma escala maior”, escreveu John Shook em seu artigo “Uma visita ao dentista que você pode gostar”, publicado recentemente no site do Lean Institute Brasil (www.lean.org.br).

Apesar dessas iniciativas, a implementação do Lean na gestão da saúde ainda está em fase inicial no mundo e no Brasil. “Mas já há muitos hospitais adotando o sistema no país por perceberem rapidamente os benefícios concretos que ele traz a gestão hospitalar”, destacou o gerente do São Camilo.

*José Roberto Ferro é Presidente do Lean Institute Brasil (www.lean.org.br), entidade sem fins lucrativos criada para disseminar no Brasil o Sistema Lean inspirado no Modelo Toyota; é “Senior Advisor” do Lean Enterprise Institute, dos EUA e membro do Board da Lean Global Network (LGN).

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