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Setor Externo: os canais de valorização do real

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Não é por acaso que a tendência de valorização do real se intensificou a partir do final de agosto. Os dados divulgados hoje pelo Banco Central do Brasil (BCB) mostram que o ingresso líquido de recursos externos atingiu US$ 16,8 bilhões em setembro, recorde registrado no corrente ano e maior cifra desde outubro de 2009. Vários canais de entrada de capitais estrangeiros contribuíram para esse resultado.
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Em primeiro lugar, o investimento estrangeiro de portfólio no país atingiu US$ 9,6 bilhões, também recorde no ano, dos quais US$ 8,2 bilhões em ações. Parte desses recursos destinou-se para a capitalização da Petrobrás, mas esse fator extra não é suficiente para explicar o boom de entrada de capitais no país em setembro. Enquanto as aplicações em ações foram estimuladas, igualmente, pelas perspectivas de lucro nos setores voltados para o mercado interno e produtores de commodities (sobretudo, minérios e petróleo), os investimentos em títulos de renda fixa no país recuaram em relação ao mês anterior (US$ 1,07 bilhão contra US$ 2,74 bilhões) devido ao movimento de antecipação induzido pela expectativa de adoção de medidas de desestímulo ao ingresso de divisas pelo governo brasileiro (nutrida pelos sucessivos pronunciamentos das autoridades econômicas). Todavia, com a entrada em vigor dessas medidas em outubro (aumento do IOF sobre esses investimentos de 2% para 4% num primeiro momento e no final do mês de 4% para 6%), as aplicações nesses títulos devem se reduzir ainda mais nos próximos meses, atenuando uma das fontes de pressão em prol da apreciação da moeda brasileira.
Em segundo lugar, o fluxo de investimento direto estrangeiro (IDE) somou US$ 5,4 bilhões, maior valor desde dezembro de 2008, impulsionado pelos aportes de capital na atividade de extração de minerais metálicos (em US$ 2,6 bilhões), que resultou na liderança do setor de Agricultura, pecuária e extrativa mineral como receptor dos fluxos brutos de IDE (que respondeu por 54,7% do total ou US$ 2,9 bilhões). Indústria e serviços ocuparam a segunda e terceira posições com, respectivamente, US$ 1,7 bilhão (31,9% do total) e US$ 705 milhões (13,4% do total). Vale ressaltar, contudo, que mesmo desconsiderando esses aportes, o IDE foi expressivo (US$ 2,76 bilhões), sustentando o alto patamar dos últimos dois meses (US$ 2,6 bilhão em julho e US$ 2,4 bilhão em agosto, uma média trimestral em torno de US$ 2,5 bilhões). Esse desempenho está associado às mesmas perspectivas de lucro subjacentes aos fluxos de IDE, mencionadas acima.
Em terceiro lugar, a emissão de títulos no exterior também atingiu o recorde de US$ 3,1 bilhões, cifra não observada desde outubro de 1998. Deste total, somente US$ 292 milhões resultaram de emissões soberanas (em setembro, o Tesouro reabriu o programa de bônus Global 41, com uma colocação bruta de US$ 550 milhões). Ou seja, as emissões privadas responderam por 91% do total, equivalentes a US$ 2,8 bilhões. Este dado desperta particular atenção, pois no período de abundância de liquidez internacional que precedeu a eclosão da crise financeira mundial, essa modalidade de recursos externos não foi relevante. Seu ganho de importância nos últimos meses (US$ 2,7 bilhão em julho e US$ 1,09 bilhão agosto) e o resultado excepcional de setembro decorrem, ao que tudo indica, de dois movimentos simultâneos, associados aos contextos internacional (abundância de liquidez e juros historicamente baixos) e doméstico (dinamismo dos investimentos e condições inadequadas de financiamento).
Por um lado, a busca de ganhos de arbitragem pelos bancos, a partir da tomada de empréstimos a taxas próximas a zero no exterior e aplicação no mercado financeiro interno. Por outro lado, a captação de recursos externos pelas empresas como fonte alternativa de financiamento diante da incapacidade do mercado financeiro interno de atender em condições de prazo e custo adequadas às necessidades de recursos para viabilizar as decisões de produção e, principalmente, de investimento. Em setembro, o destaque foram as colocações de títulos de curto prazo no exterior (US$ 2 bilhões contra US$ 809 milhão de “Notes e commercial papers”). Todavia, nos próximos meses esse perfil deve se alterar em direção a títulos de maior prazo de duração. Isso porque há uma oferta extraordinária de recursos para as empresas brasileiras no mercado internacional de capitais, não somente para aquelas de rating elevado, mas também para aquelas com rating mediano. Há várias emissões de títulos de médio e longo prazos, inclusive perpétuos, sendo estruturadas. Assim, é possível que os efeitos da abundante liquidez internacional sobre a economia brasileira estejam só começando. Se essa hipótese se concretizar, o governo precisará atuar em outras frentes para deter a valorização do real. A implementação das tão esperadas (e anunciadas pela empresa) medidas de estímulo ao mercado doméstico de capitais também seria bem vinda.
Em quarto lugar, os “Outros investimentos estrangeiros” somaram US$ 2,8 bilhões, desempenho não tão favorável como observado entre fevereiro e junho de 2009, mas superior ao registrado em julho e agosto (US$ 1,87 bilhão e US$ 2,4 bilhões, respectivamente). Assim como no caso da emissão de títulos no exterior, o destaque foi a modalidade de curto prazo (empréstimos no valor de US$ 2,8 bilhão), também estimulados pelos ganhos de arbitragem. Ou seja, o diferencial entre os juros internos e externos estimula outros canais de entrada de recursos externos que estão à margem das iniciativas adotadas pelo governo em outubro.
Resultados Gerais. O Balanço de Pagamentos em setembro registrou superávit de US$ 11,6 bilhões, o melhor resultado desde maio de 2007, quando atingiu US$ 15,5 bilhões (em agosto, o resultado foi positivo em apenas US$ 4,4 bilhões. Para esse dado positivo foi fundamental o resultado da Conta capital e financeira, que registrou superávit de US$ 15,2 bilhões (em agosto, essa variável atingiu US$ 6,7 bilhões), visto que a conta Transações correntes, entre os meses de agosto e setembro, assinalou crescimento do déficit (de US$ 2,9 bilhões para US$ 3,8 bilhões). Nesta última conta, é importante destacar o decréscimo do saldo comercial, que em setembro foi de US$ 1,1 bilhão (o pior resultado desde março, quando atingiu US$ 670 milhões). Entre janeiro e setembro, o Balanço de Pagamentos apresentou um superávit acumulado de US$ 34,5 bilhões, contra US$ 29,1 bilhões no mesmo período de 2009. As Transações Correntes, por sua vez, apresentaram déficit acumulado na ordem de US$ 35,1 bilhões em 2010, frente resultado também negativo de US$ 12,1 bilhões no ano anterior. A conta capital e financeira passou do acumulado no ano de US$ 39,3 bilhões em 2009, para US$ 70,8 bilhões este ano.
IDE. No nono mês de 2010, os fluxos de Investimento Direto Estrangeiro (IDE) líquidos atingiram US$ 5,4 bilhões, resultado 122,0% superior ao verificado em agosto. Frente setembro de 2009, o resultado deste mês assinalou acréscimo de 196,8%. Os ingressos líquidos em participação no capital de empresas no País, incluídas as conversões em investimentos, atingiram US$3,4 bilhões, enquanto aqueles referentes aos empréstimos intercompanhias totalizaram US$2 bilhões. No acumulado do ano, o IDE atingiu US$ 22,6 bilhões, dos quais US$ 20,3 bilhões em participação no capital e US$ 2,3 bilhões em empréstimos intercompanhias. Nessa base de comparação, a indústria foi o setor líder na absorção dos ingressos brutos de IDE, respondendo por 48,1% do total (US$ 14,2 bilhões). As maiores contribuições para esse resultado foram os fluxos de investimento aos segmentos de produtos químicos (US$ 6,6 bilhões), Coque, derivados de petróleo e biocombustíveis (US$ 2,3 bilhões) e Produtos minerais não-metálicos (US$ 1,1 bilhão). Os Serviços ficaram em segundo lugar, com US$ 8,6 bilhões (29,2% do total). Os Serviços financeiros e atividades auxiliares foram a atividade líder (US$ 1,3 bilhão), seguida por comércio exceto veículos (US$ 1,2 bilhão) e atividades imobiliárias (US$ 782 milhões). Já o setor agropecuário atingiu 22,8% do total (US$ 6,7 bilhões), com destaque para os segmentos de extração de minerais metálicos (US$ 4,5 bilhões) e extração de petróleo e gás natural (US$ 1,7 bilhão).
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