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Setor externo: novos canais de entrada de recursos

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A entrada líquida de recursos externos na economia brasileira atingiu um novo recorde histórico em outubro. De acordo com os dados divulgados hoje pelo Banco Central do Brasil (BCB), ingressaram no país US$ 27,6 bilhões no mês passado, cifra 64,2% superior à registrada em setembro (US$ 16,8 bilhões), até então o maior valor da série histórica do BCB, iniciada em 1995. Além do crescimento quantitativo, esse desempenho extraordinário ancorou-se em diferentes modalidades de capitais externos.
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Considerando somente os fluxos financeiros (investimentos de portfólio e outros investimentos), enquanto em setembro os destaques foram as aplicações em ações no país e a emissão de títulos de renda fixa no exterior, em outubro o principal canal de ingresso de dólares no país foram os investimentos em ações no exterior (os chamados Depositary Receipts), que somaram US$ 9,6 bilhões, também recorde histórico. Outras modalidades também melhoraram sua performance em outubro (frente ao mês anterior) como os investimentos em títulos de renda fixa no país (alta de 62,2%) e os outros investimentos estrangeiros (avanço de 45%) – em função, sobretudo, dos empréstimos de curto prazo. No caso dos investimentos em ações no país, levando em conta que setembro foi um mês atípico (devido à capitalização da Petrobrás), o resultado de outubro também foi muito favorável (US$ 4,9 bilhões), a segunda maior cifra do ano.
Ademais, os fluxos de Investimento Direto Estrangeiro (IDE) tiveram, igualmente, um desempenho bastante favorável em outubro. O ingresso líquido de US$ 6,7 bilhões foi o mais elevado do ano e recorde desde dezembro de 2008. Contribuíram para esse resultado, sobretudo, os ingressos líquidos em participação no capital (incluídas as conversões em investimentos), que atingiram US$4,1 bilhões. Já os empréstimos intercompanhias totalizaram US$ 2,6 bilhões. Considerando os ingressos brutos em participação no capital (US$ 6,7 bilhões), os Serviços foram os líderes, absorvendo 43,8% (US$ 2 bilhões), seguidos pela indústria (26,3% ou US$ 1,2 bilhão) e pela Agricultura, pecuária e extrativa mineral (29,9% ou US$ 1,3 bilhões).
Diante dessa enxurrada de dólares no país, o governo brasileiro, acertadamente, adotou medidas de desestímulo ao ingresso de capitais em outubro (aumento do IOF sobre os investimentos em renda fixa de 2% para 4% num primeiro momento e no final do mês de 4% para 6% sobre esses investimentos e as operações com derivativos cambiais). Os dados das contas externas de outubro revelam, contudo, que essas medidas podem ter pequena eficácia, pois não têm impacto nos demais canais de entrada de fluxos financeiros (ações, renda fixa no exterior e empréstimos externos de curto prazo).
Dado o ambiente de taxas de juros extremamente baixas nos países centrais e de excesso de liquidez internacional (associado à política de afrouxamento quantitativo do Federal Reserve), os países emergentes, como o Brasil, com situação macroeconômica favorável e que oferecem ativos com perspectiva de valorização são os principais alvos do movimento de busca de rentabilidade dos investidores estrangeiros, que alteram rapidamente a composição de seus portfólios diante da expectativa de imposição de controles de capitais em alguns tipos de aplicação e/ou do patamar dos preços dos ativos.
Nesse contexto, a política cambial se depara com limites, pois a acumulação de reservas envolve custos (devido ao diferencial entre os juros internos e externos) e a alternativa de deixar prosseguir a trajetória de apreciação cambial compromete a competitividade externa, já abalada em vários casos (dentre os quais o brasileiro) pelo patamar já muito baixo da taxa de câmbio e pelo acirramento da concorrência nos mercados externos. Outra opção de política seria a redução da taxa de juros básica, o que pode não ser viável (devido à necessidade de desacelerar o crescimento econômico e/ou de conter a inflação, pressionada em muitos países pelos altos preços das commodities) e/ou ter eficácia também reduzida (pois só afeta a rentabilidade dos ativos de renda fixa). Diante desses dilemas de política, vários países emergentes têm imposto controles de capitais e/ou adotado iniciativas de estímulo à saída de capitais pelos residentes (que também contribuem para a redução do superávit cambial). Assim, é possível que o governo brasileiro precise ampliar o arsenal de medidas de gestão dos fluxos de capitais nos próximos meses, se o cenário externo não sofrer alterações.
Resultados Gerais. O Balanço de Pagamentos em outubro registrou superávit de US$ 8,8 bilhões, inferior ao registrado em setembro (US$ 11,6 bilhões). Para esse resultado foi fundamental o desempenho da Conta capital e financeira, que registrou superávit de US$ 12,1 bilhões (contra US$ 15,1 bilhões em setembro), cifra mais do que suficiente para financiar o déficit em Transações correntes (que apresentou ligeiro recuo na passagem de setembro para outubro – US$ 3,8 bilhões para US$ 3,7 bilhões). No acumulado de janeiro a outubro, o Balanço de Pagamentos apresentou um superávit de US$ 43,3 bilhões, contra US$ 38,2 bilhões no mesmo período de 2009. As Transações Correntes, por sua vez, apresentaram déficit acumulado da ordem de US$ 38,7 bilhões em 2010, frente aos US$ 15 bilhões do ano anterior. Já a conta capital e financeira registrou um forte crescimento no superávit no acumulado do ano até outubro: de US$ 50,8 bilhões em 2009 para US$ 82,9 bilhões este ano.
IDE. No décimo mês de 2010, os fluxos de Investimento Direto Estrangeiro (IDE) líquidos atingiram US$ 6,7 bilhões, resultado 25,6% superior ao verificado setembro. Frente outubro de 2009, o resultado deste mês assinalou acréscimo de 333,2%. No acumulado do ano, os fluxos de IDE somaram US$ 29,4 bilhões e os aportes em participação no capital US$ 24,3 bilhões, dos quais 44,4% (US$ 15,2 bilhões) se direcionaram para a indústria, 31,8% (US$ 10,9 bilhões) para os Serviços e 23,7% (US$ 8,1 bilhões) para Agricultura, pecuária e extrativa mineral.
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