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Secretário da Saúde de Porto Alegre defende nova lógica para o setor

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Durante o Ciclo de Debates do Sistema de Saúde Mãe de Deus, de Porto Alegre, o secretário estadual da Saúde falou ontem à noite (24/11) para mais de 200 médicos no Auditório do Hospital, e defendeu uma nova lógica para o setor, baseada na prevenção e promoção da saúde, diferente da atual, focada no tratamento da doença Segundo Osmar Terra, a maior fronteira de um governo, de uma sociedade, é a saúde, porque ela envolve todas as pessoas. Segundo ele, a tecnologia melhorou a saúde, mas que também ficou mais cara. E o custo elevado tende a quase inviabilizar o sistema. ?Se não entendermos quanto cada real aplicado como investimento dá de retorno, vamos deixar parcela da população sem atendimento?, preocupa-se. ?Estamos num ponto-limite, precisamos mudar a lógica para cumprir o que está na Constituição brasileira, de que saúde é um direito de todos?.
Apostar na prevenção e na promoção da saúde é o futuro, mas a lógica da saúde tem de mudar muito. Decorre daí a cultura do profissional de tratar a doença, que ele quer começar a mudar com seu trabalho na pasta da Saúde no Rio Grande do Sul. O primeiro é deixar claro que prevenção e promoção terão investimentos, o segundo trabalhar para que a saúde pública seja compensatória, que o médico ganhe com dignidade. ?Há que ter planos de carreira nos municípios?, defendeu. E remeteu novamente para sua experiência em Santa Rosa, onde um médico comunitário recebe salário mensal de R$ 7 mil.
É preciso mudar a estrutura pública para ganhar na prevenção da doença. ?Se as pessoas cadastradas sob os cuidados de um médico melhorarem seus índices de saúde, ele deve ganhar mais?, entende. Ele define o atual sistema como perverso por remunerar o hospital pela doença. Além de receber para tratar a doença, o hospital deveria ganhar um valor fixo para prever e promover a saúde, que poderia variar para cima quanto maior o índice de saúde da região onde atende. ?Isso leva a um hospital virar parceiro do sistema público de saúde?.
Essa nova lógica praticamente obriga o Estado a montar um sistema de saúde pública, avalia o secretário. Para ele, a informação é transformadora. Exemplo disso é que na década de 80 baixou de 4,7 mil para 200 crianças/ano por morte de diarréia e desidratação, e hoje são 50, apenas ensinando a fazer o soro caseiro. Uma mãe bem orientada ajuda muito e é uma primeira infância bem cuidada, com acesso à saúde, é o que mais deseja para sua gestão. ?A doença aparece, mas deveria ser na fase mais tardia da vida, e deve ser tratada, mas a criança até três anos merece cuidado e afeto?.
Atualmente o Estado possui 10 programas integrados de promoção e prevenção em andamento. ?Todos ocorrendo, mas num ritmo menor do que o desejado?, admitiu. Um deles é o Região Resolve, que trabalha com a meta de que 95% dos casos sejam resolvidos na própria região em que se originam. De 470 equipes de saúde da família, em 258 cidades gaúchas, a secretaria quer chegar a 700 neste ano. Há incentivo estadual de R$ 30 mil por equipe/ano, incluídos médico e dentista.

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