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“Se nada for feito, o custo da saúde vai chegar a 25% do PIB”, diz Lottenberg

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Na última semana, o Instituto Coalizão Saúde lançou o livro “Coalizão Saúde Brasil: uma agenda para transformar o sistema de saúde” e marcou um grande passo frente à proposição de criação de um sistema de saúde focado na entrega de valor para os envolvidos. O lançamento contou uma apresentação formal dos resultados apresentados no estudo.

A área da saúde é apontada como uma das mais importantes pela população brasileira, entretanto o seu custo em nosso país poderá chegar R$ 10 trilhões se nada for feito para conter a chamada inflação médica, de acordo com um estudo inédito realizado pelo Instituto Coalização Saúde e a McKinsey.

Para discutir essa questão, Claudio Lottenberg, Presidente do Instituto Coalizão, e as Consultoras Sócias da McKinsey, Patricia Ellen da Silva e Tracy Francis detalharam o estudo e criaram uma proposta com pontos de mudança.

“ A saúde deveria ser um dever do cidadão”

Lottenberg abriu o debate ressaltando que a saúde no Brasil, quando foi discutida em seu marco constitucional, partiu de um princípio de um dever do Estado e direito do cidadão e acabou excluindo a responsabilidade do próprio indivíduo. Dessa maneira, promover a discussão acerca da necessidade de criar maior consciência de valor no sistema e estimular o uso consciente dos recursos de saúde pode ser considerada uma contribuição bastante consistente para o país.

Sobre a conscientização do paciente ser o responsável pelo seu próprio cuidado, Lottenberg reitera:

“A questão da promoção da saúde por meio de educação do cidadão e dos empregadores é um processo de conscientização. O grande problema nessa questão reside na forma como as pessoas tratam da sua saúde, terceirizando para o Estado ou para uma fonte pagadora”.

A discussão abordou também os impactos do envelhecimento populacional, e sinalizou que até 2030, a perspectiva é de que a população brasileira idosa (acima de 60 anos) deverá triplicar, ou seja, para acompanhar o novo perfil populacional, o nosso país deve expandir os modelos de atenção aos idosos, além de investir na formação dos profissionais de saúde para o cuidado com a população nesta faixa etária. Além disso, devemos repensar a importância da adesão no atendimento para as pessoas com doenças crônicas.

O debate avançou para a integralidade no atendimento, e Lottenberg pontuou:

“Falamos muito em integralidade no atendimento, mas se nós não definirmos o que é a integralidade, acabamos caminhando para um caminho complexo que envolve toda a questão da judicialização”.

Com a relação à judicialização, Lottenberg declarou que não podemos radicalizar e afirmar que a judicialização não é boa, pelo contrário trata-se de um instrumento legítimo de reivindicação da sociedade.

Dentro dessa dinâmica, a discussão tratou sobre os principais desafios em melhorar a saúde em nosso país, e o quanto eles se tornam complexos com o passar dos anos, ora pela pluralidade de agentes envolvidos ou pela ausência de projetos sustentados no cidadão como foco das ações.

Lottenberg, com suporte da McKinsey apresentou as iniciativas que visam mostrar mudanças em alguns modelos de atendimento e gestão atual. Foi criado um gráfico das forças que pressionam o sistema de saúde:

figura1

Resumidamente, as iniciativas construídas compreendem:

A consolidação e uso de dados: Quanto mais avançarmos no uso do Big Data e de outras ferramentas tecnológicas, mais assertividade teremos nas ações nacionais de saúde, como por exemplo, o diagnóstico precoce de doenças e a predição de condições de saúde.

Modelos de Pagamentos: Desenvolver modelos pluralizados de forma de pagamento, além da remuneração por volume, modelo amplamente usado hoje, será de extrema valia para maior entrega de qualidade e um controle dos custos associados ao cuidado de saúde.

Fortalecimento da Atenção Primária: É preciso promover protocolos de incentivos, melhorando o acesso e a qualidade da assistência com a valorização da medicina da família.

Modelos Inovadores de Atenção: Não se refere apenas à incorporação de novas tecnologias, e sim à apresentação de variações para melhorias do sistema atual. O cuidado com o idoso e a agilidade na regulação de leis e pesquisas são exemplos que podem ser otimizados no sistema.

Promoção da Saúde, por meio de educação do cidadão e dos empregadores: Um ponto de extrema importância consiste em uma mudança cultural através das escolas e das empresas para que os empregados e estudantes possam se conscientizar sobre a responsabilidade por sua própria saúde e, além disso, engajar em hábitos e comportamentos diários que promovam saúde.

Os custos crescentes da área da saúde não são desafio exclusivo do Brasil, mas, se os gastos continuarem evoluindo com a mesma taxa dos últimos anos, poderão chegar a representar 20-25% do PIB, tornando o sistema insustentável. O debate dessas ações requer o envolvimento de todos os envolvidos na cadeia produtiva para que possamos assegurar a sustentabilidade financeira do setor.

       
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