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Saúde não sente efeitos da crise, mas prevê mudanças nos negócios

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Players da indústria, hospitais e operadoras são unânimes: a crise financeira mundial ainda não chegou com grande impacto ao setor de saúde. “No fim de 2008, tivemos receio da repercussão desta crise, mas agora já vemos um quadro menos preocupante. Entre os prestadores de serviços, nossa percepção é que o nível de investimentos não caiu. Só em São Paulo, cinco grandes hospitais estão ampliando suas áreas de ocupação em pelo menos 30%”, conta o presidente da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Henrique Salvador.
No caso das operadoras, as demissões ainda não trouxeram uma redução do número de beneficiários, já que, usualmente, os planos de saúde são mantidos por alguns meses após o desligamento. Porém, já se percebe o aumento da sinistralidade. “O aumento da sinistralidade pode ser um reflexo da crise e indica mudanças na oferta do benefício saúde. Nada garante que ele será mantido pelas empresas. Hoje, já há corporações que apenas fornecem seu CNPJ e os funcionários pagam 100% do plano de saúde”, revela o presidente da Golden Cross, João Carlos Regado.
Regado vê as microempresas e o aumento do poder aquisitivo das classes C e D como antídotos para a crise. “Hoje, a cada 32 funcionários, um está em microempresa. Em 2015, a proporção será de um a cada 24. No caso dos planos individuais, se tirarmos Rio, São Paulo, Brasília e parte do Espírito Santo, a cobertura ainda é baixa, especialmente entre a população de menor poder aquisitivo. Devemos buscar maior participação de mercado nesses nichos”, avalia.
Do lado da indústria, passados os primeiros seis meses de apreensão, o mercado retoma as exportações, com o câmbio mais favorável, e não vê indicativo de queda de demanda no mercado interno. “Por outro lado, estamos sentindo um aumento da tensão nas negociações entre fornecedores e hospitais. Isso também leva a uma reflexão sobre a avaliação tecnológica, porque hoje a impressão é que a tecnologia entra no mercado sem controle”, pondera o presidente da Associação das Indútrias de Equipamentos Médicos, Odontológicos e Hospitalares (Abimo), Franco Pallamolla.
A falta de crédito no mercado, porém, foi levantada como um entrave ao desenvolvimento do setor, especialmente no caso dos hospitais. “Esta é mesmo uma crise de crédito. Os bancos ficam entesourados porque preferem não perder a ganhar pouco. Com medidas microeconômicas, como o cadastro positivo, o cenário tende a melhorar”, avalia o professor do Insper (ex-Ibmec São Paulo), Carlos Alberto Suslik.
Suslik também reforça que o setor hospitalar não é o mais atraente para empréstimos bancários. “Este é um mercado que tradicionalmente investe capital próprio. Além disso, o retorno financeiro não é brilhante. Então, na decisão coletiva, o banco não tem interesse em emprestar, porque não sabe se o hospital terá lucro para pagar a dívida.”
Na opinião da economista Maria Cristina Amorim, professora da PUC São Paulo, a crise trouxe à tona a necessidade de criação de uma agenda coletiva dos hospitais para negociar com operadoras, governo e fornecedores. “Será preciso superar esta situação de esperar para que o outro faça, porque o risco de ter a margem comida é grande. Uma outra alternativa para melhorar as receitas é perceber as ações de prevenção de doenças e promoção da saúde como negócio.”
Para o superintendente e diretor comercial do Hospital Vivalle, Felipe Ciotola Bruno, não se pode esquecer que toda crise é um agente de mudança. “Temos que sair mais fortes, eficientes e preparados”, finaliza.
*O painel “A crise econômica mundial e seus reflexos na saúde suplementar” fez parte do Class Saúde

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