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Saúde financeira dos hospitais na UTI

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O Hospital e Maternidade Santa Marina, na zona Sul de São Paulo, é um daqueles casos de empresas que tinha tudo para dar certo. Localização privilegiada, pouca concorrência e demanda da população de menor poder aquisitivo do Grande ABC. Com a estratégia bem traçada, os proprietários aproveitaram o bom nome para criar um plano de saúde e expandir os serviços. Foi comprando casa por casa na vizinhança, que passou de uma pequena maternidade, inaugurada em 1972, para um hospital geral, preparado para atender todos os tipos de casos de alta complexidade. Hoje, o Hospital Santa Marina ocupa um terreno de 15 mil metros quadrados, área construída de 25 mil metros quadrados e possui 265 leitos.

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O crescimento ambicioso custou caro, e há cerca de cinco anos, a empresa fundada pelo médico Nilson de Almeida, tenta buscar saída para se recuperar. Recentemente, a consultoria Galeazzi & Associados foi contratada para tentar sanar a saúde financeira da empresa, mas abandonou o caso após apenas três meses de trabalho. O motivo não foi divulgado. Mas sabe-se que o hospital, que costumava ter um faturamento de aproximadamente R$ 8 milhões por mês passou para uma receita de cerca de R$ 3 milhões em janeiro, valor insuficiente para arcar com os custos do mês. O resultado: equipes médicas dispensadas, funcionários sem receber e promessas de venda para sanar as dívidas, que não se confirmam.

Procurado pela Gazeta Mercantil, o hospital Santa Marina não retornou as solicitações.

A situação do Santa Marina não é única em São Paulo. Vários hospitais familiares enfrentam uma dura realidade para sobreviver aos novos tempos, em que antigos aliados, como os planos de saúde passaram a competidores vorazes. Gigantes como Amil, Medial Saúde, Intermédia e Samcil investem cada vez mais na verticalização.

Na opinião do presidente da Associação Brasileira de Hospitais Privados (Anahp), Henrique Salvador, a verticalização das operações é motivada pela busca de redução da sinistralidade. “Em alguns mercados, no entanto, os planos dominam tanto a região que não vale a pena verticalizar”, diz o executivo.

Só a Medial abrirá quatro novos empreendimentos na Grande São Paulo este ano. As obras do Hospital Alvorada Paulista já começaram. Com ele, o grupo terá disponível 1.450 leitos, em 12 unidades. Cerca de 90% da ocupação dos hospitais da rede própria são de beneficiários da Medial e 10% são de outras operadoras.

A Amil possui 13 hospitais próprios e outros dois estão em construção. Enquanto a Intermédica, uma das empresas mais verticalizadas do mercado, acaba de anunciar investimentos na expansão de Hospital Modelo de Sorocaba e a construção de dois hospitais – um em Santo Amaro e outro no antigo prédio do Hospital Príncipe Humberto, em Sorocaba, que encerrou atividades em 2003 devido à crise financeira e acabou indo a leilão.

Hospitais como o Príncipe Humberto vêm sendo vendidos de bandeja para as empresas de medicina de grupo, que nem sempre têm intenção de mantê-los. É o caso do Hospital Santa Marta, no bairro Santo Amaro em São Paulo, que mesmo com problemas de caixa, despertou o interesse da Samcil.

“Compramos o Santa Marta interessados nas 60 mil vidas que possuía”, diz Mauro Bernacchio, diretor-geral da Samcil. “Agora queremos vender o prédio, mas não para a concorrência”. A Samcil também negociava a compra do Hospital Assunção em São Bernardo, mas desistiu do negócio após conseguir na justiça retomar a posse do Hospital Pereira Barreto, também na região, que havia sido arrendado para a empresa Saúde ABC. A Samcil espera que dentro de dois meses já possa assumir o hospital.

A Saúde ABC Serviços Médico Hospitalares entrou com pedido de Recuperação Judicial na 1 Vara de Falências da Capital. Porém, continua registrada na Agência Nacional de Saúde (ANS) como Saúde ABC Planos de Saúde, apesar de não ter mais carteira de clientes, que foi alienada pela Avimed. Ainda resta saber qual será o destino do Hospital Evaldo Foz, que ainda pertence a operadora. As perspectivas não são boas. Só no Serasa, a empresa tem 1,5 mil protestos, 10 ações judiciais e 52 pendências financeiras, totalizando cerca de R$ 5 milhões. Até o fechamento desta reportagem não foi possível localizar nenhum responsável pela empresa.

Segundo Henrique Salvador, a tendência é a de que hospitais gerais com poucos leitos sejam adquiridos ou tenham que aumentar suas instalações para poder sobreviver. Apesar do cenário pessimista, a saúde dos hospitais pode ter remédio. Valdir Pereira Ventura, presidente do conselho deliberativo da Associação de Beneficência e Filantropia São Cristóvão, proprietária do hospital e plano de saúde São Cristóvão, em São Paulo, está há cerca de um ano na empresa, promovendo uma reestruturação para tirá-la do vermelho. Ventura não confirma, mas segundo informações do mercado, a associação já vinha tentando vender o hospital. “Saímos de um prejuízo de R$ 5,5 milhões em 2007, para uma receita operacional líquido de R$ 14 milhões em 2008”, conta. A empresa está investindo R$ 9 milhões na construção do novo pronto-socorro infantil, reforma e ampliação do pronto-socorro adulto, compra de terrenos para a construção de uma nova torre hospitalar e ampliação do ambulatório.

O foco é preparar a empresa para atender à demanda do plano de saúde, com 45 mil vidas e cuja meta é chegar em 60 mil beneficiários em 2009. Para isso, precisa melhorar a capacidade instalada. Hoje, a unidade de terapia intensiva trabalha com 92% de utilização. O hospital ganhou reforço no número de leitos para reduzir a capacidade de ocupação de 90% para 85%.

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