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Saúde, a desconstrução como caminho

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São muitos os desafios de médicos, demais profissionais e gestores da assistência à saúde no país. Público ou privado, ambos os sistemas padecem de uma regulação recente e instável e, ainda, precisam conviver com as mazelas da “judicialização”, a ausência de uma política clara em nível nacional para a incorporação de novas tecnologias e de medicamentos de alto custo, o modelo assistencial “hospitalocêntrico” e fragmentado, as graves questões tributárias e a proliferação de escolas médicas com especialização precoce e concentração profissional em determinadas especialidades, o que tem levado ao abandono quase total da clínica médica e da pediatria. Soma-se a tudo isso uma série outra infindável de problemas de toda ordem.

É desnecessário afirmar que o atual modelo assistencialista centrado na doença deve dar lugar a outro em que a promoção e a prevenção da saúde tenham sua importância reconhecida, com todos os atores da cadeia de valor da saúde conscientes da necessária desconstrução do atual modelo para partir, decididamente comprometidos, na busca de um novo paradigma. Médicos, gestores públicos e privados, prestadores (clínicas, hospitais, serviços de diagnóstico), governos, indústria, distribuidores e operadores de planos de saúde não desconhecem que, a despeito dos custos crescentes, não se está agregando, na mesma proporção, valor em saúde.

Em outras palavras, o cliente paga cada vez mais, porém sem a contrapartida de uma prestação de serviços à altura de suas reais necessidades. Estudos recentes mostram que, para uma variação do IPCA da ordem de 5,6%, entre 2008 e 2009, houve um aumento dos custos hospitalares superior a 12,5%. Acrescentem-se a este panorama a insatisfação dos profissionais de saúde e dos pacientes com a baixa remuneração e o atendimento precário, respectivamente. Um verdadeiro desastre.

Nos Estados Unidos, a situação não é diferente se atentarmos para o fato de que investem acima de 16% do seu Produto Interno Bruto (PIB) na saúde sem alcançar o acesso universal aos serviços. E o que é mais grave: a população também não tem se tornado mais saudável. Apenas agora, com as polêmicas atuais, a relação custo/benefício deste decadente sistema está na ordem do dia por lá.

Todavia, no Brasil, a saúde suplementar, após décadas de atividade sem qualquer regulação, vem se adequando à Lei 9.656 de 1998, destacando-se neste processo a criação, em 2000, da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que tem, no escopo de sua atuação, o objetivo de promover a implantação de ações para a promoção da saúde e a prevenção de riscos e doenças através das operadoras. Hoje, são mais de 45 milhões de brasileiros atendidos por planos de saúde.

A melhor saída para o setor, quer no Brasil, quer em nível mundial, é a organização de uma nova cadeia de valor em saúde, com ênfase na assistência suplementar, a partir de profundas mudanças no relacionamento entre todos os atores envolvidos, pois nenhuma instituição, de forma isolada, poderá fazer as transformações necessárias. É preciso sentar-se à mesa, acreditando no poder transformador do debate, para ampliar medidas e aperfeiçoá-las continuadamente de modo a reduzir as contradições e alcançar um novo modelo de atenção que, de fato, seja gerador de valor em saúde. O caminho é longo, mas é preciso dar o primeiro passo.

*Hugo Borges – presidente da Unimed de Juiz de Fora e médico anestesiologista

**As opiniões dos artigos/colunistas aqui publicadas refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte da IT Mídia ou quaisquer outros envolvidos nesta publicação

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