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Rogério Cunha uniformiza TI dos hospitais Mãe de Deus

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Da indústria para a saúde. A trajetória de Rogério R. Cunha, 41 anos, no segmento de tecnologia da informação já dura 23 anos e, depois de passar por empresas como a Autolatina e Votorantim, Cunha trabalha, há dois anos, para usar a TI a favor do desempenho do conglomerado que compõe o Sistema de Saúde Mãe de Deus: duas instituições privadas – o Hospital Mãe de Deus (450 leitos) e o Mãe de Deus Center (hospital dia) – e ainda três públicas ligadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Apesar de os hospitais possuírem áreas de TI independentes, o principal executivo realiza ações para a sua uniformização, por meio de melhores práticas de processos. Formado em Matemática, com pós-graduação em análise de sistemas e MBA em projetos de sistemas, Cunha, que responde para o diretor-financeiro, está satisfeito com as possibilidades de a TI tornar-se um diferencial competitivo.
InformationWeek Brasil – Como foi mudar da indústria para saúde?
Rogério Cunha – Sempre trabalhei em indústrias; na Autolatina, na Votorantim, no grupo americano especializado em ração animal HartzMontain e na fabricante de maquinário para pavimentações Ciber. Achei interessante o desafio do hospital. Fiquei fascinado com o que se pode fazer; o setor ainda está muito atrás de outros segmentos.
IWB – Quais são os desafios?
Cunha – Consolidar a TI do Mãe de Deus e agregar a administração da TI para os demais hospitais do grupo, assumindo a TI. Estamos trabalhando para centralizar o ERP e as políticas de TI dos hospitais, hoje, descentralizados. Começamos o plano diretor neste ano. Entre 2005 e 2006, fizemos o planejamento da troca e substituição dos sistemas desenvolvidos internamente em 1994 com objetivo de atender a todos os hospitais para adotar um software de mercado (MV Sistemas). A implementação era para ser em 2006, mas por alterações no escopo se estendeu para o início de 2007.
IWB – Como se desenrolou o projeto de ERP?
Cunha – A proposta é colocar um único ERP. Iniciamos a troca pelos três hospitais do SUS, em 2006, e o software da MV Sistemas não foi personalizado. Com isto, obtivemos agilidade. Em abril, começamos o projeto no Mãe de Deus. O escopo não incluía a personalização, mas detectamos a necessidade de fazê-la, o que aumentou o tempo e o custo do projeto. Personalizamos a parte de faturamento e da assistência.
IWB – Qual é o estágio atual?
Cunha – Hoje, temos tudo rodando. O go live no Mãe de Deus foi em primeiro de abril. Nosso objetivo agora é estabilizar o sistema e implementar business intelligence (BI) da MicroStrategy. Inicialmente, vamos adotar o BI no Mãe de Deus e consolidá-lo entre o fim de 2007 e o início de 2008. Daí, vamos colocar no Mãe de Deus Center. A meta é ter os cinco hospitais interligados.
IWB – E depois?
Cunha – Quando tudo estiver consolidado, teremos uma visibilidade melhor do grupo como um todo, o que se traduz em maior velocidade para o faturamento. Ao consolidar a TI em um lugar só também reduziremos os custos, racionalizaremos a mão-de-obra e teremos projetos mais centralizados, o que melhora a capacidade de planejamento.
IWB – De quanto foi o investimento?
Cunha – Os hospitais do SUS tiveram subsídio do governo, por meio de um projeto do Ministério da Saúde. Já o Mãe de Deus, consumiu cerca de R$ 2 milhões, contabilizando licenças, sistemas, banco de dados, consultoria e melhorias na infra-estrutura e nos equipamentos.
IWB – Como vocês medem o retorno?
Cunha – Antes, conseguíamos faturar de 60% a 65% da receita total dentro de um mês e o restante era faturado ao longo dos outros meses. Nossa meta é aumentar este índice para 95%. Hoje, estamos em 70%.
IWB – O que falta?
Cunha –
Cabe agora fazer melhorias de processos para conseguir chegar a esta taxa. Alcançar 95% depende da mudança de processos, mas acredito que até o fim deste ano vamos conseguir. Outro indicador é a queda da devolução de medicamentos, que, antes, era de 25% a 30% ao mês e a meta é baixar até 5%.
IWB – O que é esta devolução e como a tecnologia ajuda?
Cunha – São os medicamentos que os médicos pedem à farmácia do hospital, mas não são utilizados, sendo devolvidos. Com a informatização do sistema, falhas – como dosagem errada e quantidade de medicamentos equivocada – são apontadas. Isto traz mais segurança aos pacientes.
IWB – Qual é a maior diferença entre trabalhar na TI de hospital e na indústria?
Cunha –
Existem oportunidades de melhorias de processos e de gestão nos hospitais. A TI tem condições de oferecer ferramentas. O próprio BI vai ajudar a fazer análises e dará subsídios aos médicos. Hoje, a grande dificuldade é informar o CID (código internacional de doenças). Com a base de dados consolidada, o médico pode fazer pesquisas sobre históricos de sintomas que caracterizem determinadas doenças. Já a TI dos hospitais do SUS tem por objetivo melhorar a gestão, pois, com uma boa administração, os hospitais não têm prejuízo.
IWB – Como se deu a melhoria de processos?
Cunha –
Foi uma decorrência do ERP, que nos mostrou oportunidades nesta área. Temos um comitê com todos os departamentos envolvidos.
IWB – Mudança de processos afeta diretamente as pessoas. Como resolver esta equação?
Cunha –
Os próprios usuários pediram personalizações, pois eles têm a visão do sistema antigo e é difícil visualizar que o novo será melhor para o usuário. A resistência com certeza existe e é muito forte, principalmente, em uma corporação na qual todos têm muito tempo de casa. O maior desafio é fazer as pessoas pensarem diferente.
IWB – Como estão organizados os departamentos de TI dos cinco hospitais?
Cunha –
Cada hospital tem a sua área de TI, mas a gestão é corporativa, a qual estou dirigindo.
IWB – Qual balanço você faz da TI?
Cunha –
Antes, era mais operacional e, agora, está mais próxima do estratégico, mas ainda estou “vendendo” a TI.
IWB – Qual é a importância da tecnologia para este setor?
Cunha –
A área de saúde sempre foi rentável, mas, ultimamente, as torneiras estão se fechando e você tem de buscar diferenciação. Para isto, precisa investir em TI e em RH.
IWB – De quanto é o seu orçamento para TI?
Cunha –
Para investimentos, mais ou menos R$ 350 mil por ano para o Mãe de Deus e R$ 100 mil/ano para o Mãe de Deus Center. Para custos, R$ 1 milhão para estes dois hospitais.
IWB – Há outros projetos em curso?
Cunha –
Temos um projeto de convergência – também sou o gestor de telecomunicações – para interligar os cinco hospitais. Serão três etapas: a primeira de dados e voz para os dois hospitais privados, com adoção de VoIP para falar entre eles e chamadas para fora. A segunda parte foi a consolidação do call center para melhorar nosso relacionamento com o cliente. Estamos organizando tarifação, trocando ramais dos quartos e colocando wireless. Na terceira etapa, faremos a conectividade com tecnologia IP para a câmera de segurança.
*Roberta Prescott é editora da revista Information Week e do portal IT Web

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