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Risco de contrair HIV no País é 20 vezes maior do que nos EUA

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O risco de contrair HIV em transfusões de sangue no Brasil é 20 vezes maior do que nos Estados Unidos, segundo pesquisa feita em três hemocentros brasileiros no período entre 2007 e 2008. O trabalho, feito por estimativa, calcula que uma em cada 100 mil bolsas de sangue do País podem estar contaminadas pelo vírus causador da aids. Nos EUA, a relação é de 1 para cada 2 milhões de bolsas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
No entanto, nos últimos anos, os índices brasileiros têm melhorado. Uma versão anterior do levantamento indicava que 1 em cada 60 mil bolsas poderiam estar contaminadas pelo HIV. De acordo com os números atuais da Fundação Pró-Sangue de São Paulo, entre 30 e 60 pessoas por ano podem ser contaminadas por sangue doado.
Na versão anterior da pesquisa, a estimativa era de que entre 50 e 100 indivíduos pudessem se infectar. O coordenador nacional da Política de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde, Guilherme Genovez, questiona os índices apresentados no estudo. Para ele, os dados foram feitos por estatística e não podem ser considerados fato.
Ainda de acordo com a reportagem, para mostrar a segurança do sangue no Brasil, Genovez cita um levantamento feito em 130 mil bolsas de sangue coletadas em hemocentros de Santa Catarina, São Paulo, Rio e Pernambuco: o vírus não foi identificado em nenhuma amostra.
Financiado pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, em inglês), o levantamento coordenado por Ester Sabino, da Fundação Pró-Sangue de São Paulo, foi feito a partir da análise de bolsas de sangue coletadas nos hemocentros de São Paulo, Minas e Pernambuco. Durante a apresentação dos resultados, em congresso da Associação Americana de Bancos de Sangue, a autora classificou como “alto” o risco residual para HIV em transfusões de sangue no Brasil. A doação no País, no entanto, é precedida de uma série de cuidados: os candidatos passam por entrevistas para detectar situações de risco de contaminação recente com o vírus. Passada essa fase, o sangue é submetido a testes para identificar a presença do HIV.
O problema está no que médicos chamam de janela imunológica, período no qual a presença do vírus não é descoberta pelo exame. O mesmo problema ocorre com hepatite C, cuja janela imunológica é de 50 dias. Os reflexos dos exames “falso negativos” podem ser constatados nas estatísticas. Dados do Ministério da Saúde mostram que 13,3% dos casos da doença confirmados em 2009 foram causados por transfusão de sangue.
Exame mais seguro está atrasado
Uma das alternativas para melhorar a segurança é a introdução de rotina do uso de um teste batizado de NAT, que identifica traços do vírus no sangue e não de anticorpos, como os exames tradicionais.
Ester calcula que, com o início do teste, o risco de infecção por HIV passaria de 1 em 100 mil para um em cada 250 mil. Esses testes, desenvolvidos pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), reduzem de forma significativa a janela imunológica de HIV e Hepatite C e já estão sendo usados, em caráter experimental, em alguns pontos do Brasil, como São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Pernambuco.
Entretanto, a implantação do projeto está atrasada. Segundo o coordenador nacional da Política de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde, Guilherme Genovez, há exigências legais, burocracia que muitas vezes impede a agilidade necessária.
Para a pesquisadora da Fundação Pró-Sangue Ester Sabino, responsável pelo levantamento sobre contaminação de HIV nas bolsas de sangue, a implantação do NAT não é uma operação simples, pois o custo é elevado e é preciso treinar os hemocentros para a nova técnica.
Na opinião de Ester, alguns resultados apontados no estudo mostram que outras estratégias podem ser colocadas em prática, além da melhoria técnica dos exames. O principal, em sua avaliação, é a conscientização dos doadores. O trabalho da pesquisadora mostra uma diferença significativa de risco de HIV em bolsas de doadores de repetição e os que procuram centros para repor estoques, a pedido de pacientes.
O levantamento constatou ainda que o risco calculado entre doadores da comunidade é de duas a três vezes maior que o dos doadores de repetição. Os riscos entre doadores homens é maior do que entre as mulheres. Segundo Ester, uma das possibilidades seria a de as mulheres fazerem mais o teste HIV, sobretudo em pré-natal.
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