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Queda nas doações reduz estoque de sangue no Hemocentro do HC

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A Fundação Pró-Sangue está com estoque baixo. Geralmente, armazena em sua câmaras 5 mil bolsas e atualmente tem 3 mil, para atender a 300 hospitais da região metropolitana de São Paulo. O sangue menos disponível no momento é o O Rh negativo, o mais raro, pois apenas 9% dos doadores apresentam este tipo. ?A queda no estoque se deve, principalmente, às férias do meio do ano e ao frio?, justifica a médica hematologista Aline Monteiro, do Hemocentro do Hospital das Clínicas, considerado o maior da América Latina e um dos três do mundo.
Aline explica que o sangue pode ficar guardado de 35 a 42 dias na unidade do HC. ?O reflexo das férias do meio do ano, quando cai consideravelmente a coleta, mostra-se agora, em setembro.? Quanto ao frio, ela diz que é normal as pessoas saírem pouco de casa nesta época, a não ser para as atividades cotidianas prioritárias como trabalhar, estudar, comprar.
Em tempos normais, os cinco postos de doação da fundação na capital coletam 15 mil bolsas por mês, metade no HC. No local, há instalações com 12 cadeiras para recolhimento do precioso líquido vermelho.
Caminho do sangue
Na coleta, a pessoa doa aproximadamente 450 ml direto na bolsa. À parte, o enfermeiro recolhe pequenas quantidades em três tubos de ensaio, para testes. A bolsa segue para o processo de fracionamento, no qual o sangue é dividido em quatro partes.
A hemácia (glóbulo vermelho) será usada em pacientes anêmicos; o plasma, para sangramentos e coagulação; plaquetas, utilizadas em pessoas com câncer; e o crioprecipitado, parte do sangue importante para quem tem a doença de Von Willebrand – mal parecido com a hemofilia.
Enquanto o sangue é dividido em seus componentes, os tubos de ensaio vão para os laboratórios de sorologia, onde as amostras serão analisadas. A biomédica Nanci Alves Salles, chefe da divisão, informa que os testes são para detectar contaminações, como HIV (Aids), hepatites B e C, sífilis e doença de Chagas. ?Tudo que fazemos é para proteger o receptador do sangue. Quando descoberta alguma destas contaminações, a bolsa de sangue é descartada.?
A doença que mais causa o descarte, aponta Nanci, é a sífilis. ?Há situações em que o doador está curado há tempos, mas os testes apontam a presença do anticorpo e o sangue é inutilizado para fins de transfusão. É o que chamamos de cicatriz imunológica.? A seguir, vem a hepatite B.
?Neste caso, às vezes a pessoa nem sabe que tem e a doença pode ou não se manifestar no futuro. Porém, temos de descartar.? A biomédica assegura que a fundação está pronta para a introdução de um novo teste de sangue determinado pelo Ministério da Saúde para ser aplicado a partir de fevereiro do ano que vem: a Técnica do Ácido Nucleico (NAT, em inglês).
Por esta análise, será possível reduzir a chamada janela imunológica. O termo é usado para nomear o período em que determinada doença está no sangue, sem que tenha se manifestado na pessoa, mas pode contaminar o receptador. É difícil detectar o fato nos exames atuais. ?Com o NAT, a janela do HIV, de 22 dias, cairá para a metade e no HCV (hepatite), de 70 dias, se reduz para 12?
Pela legislação brasileira, pode doar sangue qualquer pessoa saudável, entre 18 e 65 anos, sem distinção de sexo, cor, raça ou condição social. Mesmo assim, medo, ignorância e falta de informação fazem com que menos de 2% da população procurem os hemocentros.
Especialistas acham, porém, que o problema crucial é a cultura. Comparando com a Europa, o Brasil é um País sem flagelos naturais e humanos como terremotos e guerras. As tragédias da História tornaram o europeu mais propenso a doar sangue, transferindo a cultura para as futuras gerações.
Além da saúde e da faixa etária, é necessário que o doador pese 50 quilos no mínimo. Deve estar alimentado, mas evitar ingestão de gorduras, dormir pelo menos seis horas nas últimas 24 horas e mostrar documentação. Será impedido de doar se apresentar gripe ou febre, ter ingerido bebida alcoólica, possuir tatuagens com menos de um ano e ter passado por endoscopia nos últimos 12 meses.
Grávidas não podem fazer doação. Também serão impedidas mulheres até 90 dias após parto normal e 180 dias depois de cesariana. Se estiver amamentando, deve esperar um ano após o nascimento do filho.
Pessoas que estiveram nos Estados do Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Maranhão, Mato Grosso, Pará e Tocantins devem esperar seis meses para doar. Quem morou nesses locais precisa aguardar três anos.

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