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Qualidade gera valor ou custos?

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“É preciso reorganizar o sistema de saúde com base em métricas e indicadores de desempenho”, são com essas palavras que o presidente do SindhRio, Josier Marques Vilar, avalia o caminho para compatibilizar qualificação com sustentabilidade. “Tem que haver metas que deem conta da demanda do sistema de saúde no Brasil”, afirma.
Com pouco mais de 6,7 mil hospitais no País, apenas 115 são acreditados. O cenário faz com que o setor de saúde suplementar busque união através da qualificação da rede, além de procurar por um melhor modelo de gestão. Para Vilar, a atual situação vai levar as operadoras de planos de saúde à extinção no mercado. “Penso que nós vivemos uma crise, onde apenas sobreviverão algumas instituições filantrópicas, redes verticalizadas e as instituições públicas”, contesta.
O entendimento entre prestadores e compradores de serviço para tomadas de decisões na saúde pode ser um dos melhores caminhos para que a extinção não ocorra, segundo Vilar. O executivo julga os serviços médicos como bens de consumo que não podem ser regulados exclusivamente pelas leis econômicas. “Se as tomadas de decisões forem só econômicas, estaremos perdidos. O Brasil tem que ter atitudes como as do Canadá, por exemplo, que decide pelo que a população precisa e não por aquilo que ela quer.”
Em contrapartida, o diretor de Prestadores e Serviços Médicos da SulAmérica, Roberto André Galfi, vê a situação da saúde brasileira com menos pessimismo. Os encontros de negócios e relacionamentos são pontos essenciais para que a mudança seja feita, “o que falta é fazer”, comenta Galfi ao citar que a educação é o problema mais sério do País. “Colocamos mais de 10 mil novos médicos por ano no mercado e não sabemos qual é a formação desses profissionais”, enfatiza.
Educação, gestão e recursos. A causa dos problemas que impedem uma maior qualidade e sustentabilidade no setor possui opiniões contrárias ou até mesmo semelhantes, mas com pontos críticos diferenciados. No caso do vice-presidente do Conselho Deliberativo da Anahp, Francisco Balestrin, a alta sinistralidade das operadoras (79%) colabora para a questão má resolvida da saúde, assim como a baixa cobertura (23%) e a falta de recursos (7,8% do PIB).
“Por outro lado, temos oportunidades como a expansão da base de beneficiários, programas de qualidade e a captação de recursos no mercado financeiro”, conclui Balestrin. Para o executivo, o reconhecimento público será o principal desafio futuro. “De nada vale trabalharmos os processos se não conseguirmos passar para as pessoas aquilo que estamos de fato fazendo”.
A regulamentação da Emenda Constitucional 29 seria uma saída? O deputado e presidente da Frente Parlamentar de Saúde, Darcísio Perondi, clama pela aprovação da EC29, que estabelece os mínimos permanentes para a saúde na área do SUS e, segundo o deputado, precisa ser aumentado. “O que precisamos é de mais recursos com aprimoramento da gestão e a regulamentação passa pela CSS (Contribuição Social para a Saúde). O governo não quis receita corrente bruta e também não deixou passar e deu alternativa da contribuição para o setor”, fala.
De acordo com Perondi, o orçamento de 2010 aumentará apenas R$ 3 bilhões caso não aconteça a regulamentação. “Esse valor não comporta nem mesmo o crescimento vegetativo da população com a sua despesa, já este ano faltará quase R$ 3 bilhões de orçamento O cenário é dramático”, relata. Além disso, o deputado afirma que a área econômica não acredita na saúde pública e ressalta que o presidente Luis Inácio Lula da Silva não vê a saúde com valor. “Hoje se gasta no Brasil R$ 108 bilhões por ano nos três níveis [público, privado e filantrópico] e é preciso crescer ainda mais o dinheiro”, argumenta.
A conclusão é que a suplementação se tornou essencial na estrutura da saúde brasileira, assim como o SUS. Qualidade e sustentabilidade são a busca ideal para um modelo de saúde, assim como aprimorar a gestão. “O cliente vai ser cada vez mais exigente. Quem não tiver qualidade ficará fora do mercado. Investir na qualidade, independente do custo, esse é o negócio!”, conclui Perondi.
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