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“Operadoras precisam discutir pauta comum”, diz Helton Freitas

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O mercado de seguradoras de saúde projeta um ano de 2017 desafiador, entretanto poderá ser também um ano de uma retomada consistente para o setor.

Para entendermos melhor os desdobramentos do mercado, conversamos com  Helton Freitas, Presidente da Seguros Unimed sobre as pautas comuns entre as operadoras e sobre o foco da companhia no ano de 2017.

Helton Freitas é médico, especialista em Saúde Pública, com foco em Planejamento e Administração de Serviços de Saúde, atuou tanto na área pública quanto na privada em cooperativas. Em 1998, ingressou no Sistema Unimed, participando da modernização da Unimed-BH e de diversas estruturas nacionais. Desde 2015, em razão do falecimento do então diretor-presidente Rafael Moliterno Neto, assumiu a presidência da companhia.

A Seguros Unimed iniciou suas operações em 1989, com o objetivo de atender as demandas do Sistema Unimed e dos médicos cooperados. De lá pra cá, a seguradora cresceu como especialista em soluções para o setor de saúde, que correspondem a seu principal foco estratégico.

Na visão de Freitas, 2015 não foi um ano muito bom em função da crise e de decisões internas:

“Esse foi um período de “arregaçar as mangas”, limpar carteiras, rever negócios e ajustar o foco”.

Em 2016, a companhia realizou ajustes importantes com relação a carteira de clientes, adotando uma política de sustentabilidade, com relação ao prazo de validade de suas carteiras.

Com a tendência do mercado em investir cada vez mais em remuneração por pacote, uma nova aposta da empresa é um produto que está em fase de testes, direcionado para trabalhar a intercorrência cirúrgica, ou seja, quando um procedimento ocasiona uma complicação inesperada. De acordo com Freitas, é algo muito recorrente, ou seja, um risco segurável. O principal objetivo desse produto é atender toda uma demanda, uma vez que a intercorrência cirúrgica gera muitos transtornos nas instituições hospitalares.

Em questionamento sobre como o paciente pode ser o ator da própria saúde, Freitas afirma que “hoje se fala de prevenção quaternária, especialmente médica. Não basta colocar uma carteirinha no bolso do paciente e achar que ele vai ter discernimento para fazer o melhor programa de saúde para ele, isso não procede. Precisamos fazer uma discussão mais estruturada sobre qual modelo de assistência vamos trabalhar, não podemos continuar em um modelo tão fragmentado”.

Os modelos europeus são baseados em atenção primária, isto é, o usuário tem um médico de referência, que é o seu cuidador, sua referência e orientação. Este pode ser um caminho para o empoderamento do paciente, entretanto, esse é o modelo mais sustentável e menos oneroso? Em saúde, tudo é muito caro, e podemos concluir que, até o momento, não temos um “modelo perfeito” que atenda os pilares do triple aim: acesso, qualidade e custo.

A discussão precisa evoluir entre os players e Freitas afirma que é necessário criar alguns consensos entre as principais seguradoras, já que cada operadora tem seus modelos de atendimento.

Ao falarmos de mudança de modelo assistencial, é necessário que as empresas, ou seja, os clientes das operadoras,que são efetivamente responsáveis pelo pagamento das contas, participem dessa discussão. As organizações empresariais devem se empoderar mais dessa questão. O cliente corporativo que paga a conta para a maioria dos envolvidos na saúde suplementar precisa se apropriar de mais conhecimento sobre esse debate.

Uma outra discussão seria sobre a necessidade de indicadores de qualidade na saúde suplementar e neste ponto, Freitas é bem categórico:

“Nós não temos indicadores de qualidade na saúde suplementar. Essa métrica não existe, temos restrições até no próprio modelo de avaliação de performance, no modelo de cuidado.”

Sendo assim, é necessário investir em discussões de pautas comuns, escolher temas estratégicos, e pontuar o que for mais relevante para o processo.

Mesmo após um 2016 com muito trabalho e investimentos, a Seguros Unimed prevê, em 2017, colocar a vertical de Odontologia em um outro patamar, investir no crescimento em saúde baseado em um modelo sustentável, endógeno em termos de contratos. E, além disso, promover iniciativas para a evolução do modelo assistencial  e a promoção de discussões sobre os produtos de ramos elementares e de previdência.

       
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