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Qual o sentido de ser médico?

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A cada vez que se aproxima o dia 18 de outubro, Dia do Médico, eu tenho certeza que gosto muito do que faço e que não saberia mais não ser médico. Mas, a cada ano, com a experiência de vida (pessoal e profissional) e com a vivência me descubro ainda tentando chegar lá. E a cada ano aprendo mais com professores dos cursos que participo (independente de sua idade), com meus mestres (esses mais experientes, porque só a vida nos propicia essa característica), e, especialmente, com meus pacientes.

Respeito, perseverança e humildade.

São 3 bons conceitos a se seguir, se é que já tenho “experiência suficiente” para dar alguma sugestão a quem quer se iniciar ou já está na vida médica: respeito, perseverança e humildade.

Respeito pelo paciente, pelo colega médico, respeito por si próprio, ciente de que temos muito que trocar com o mundo que nos cerca. Respeito pelo doente e também pela doença. Se não fosse por ela, será que ainda se investiria tanto em tempo para o desenvolvimento de novas técnicas, novos medicamentos?

Isso nos leva à perseverança. Tentativa e erro. Mais tentativa e erro. Até que tenhamos tentado e tenhamos acertado. Acertado no tratamento completo de quem nos procura. O conceito de saúde tem passado por transformações. A saúde, hoje em dia, não pode mais ser considerada apenas a ausência de doenças. Nossa técnica médica está em um estágio muito mais avançado do que nossas relações interpessoais, especialmente no que diz respeito à relação médico-paciente.

E aí chegamos à humildade. Só com o reconhecimento de nossas limitações e baseados no respeito teremos condições de, através de muita perseverança, chegarmos bem perto da busca do ideal que é a saúde com boa qualidade de vida de nossos pacientes. Assim como o jogador de futebol que, na certeza de que vai ganhar o jogo contra o último lugar do campeonato entra “de salto alto”, sem o devido respeito ao seu oponente e, não raramente se surpreende derrotado, o médico não pode menosprezar o seu adversário que ele julga quase derrotado: a doença.

Mas talvez, hoje em dia, prevenir, curar ou atenuar as doenças não sejam as únicas bases da atuação do verdadeiro médico. A informação é fundamental.

Já não podemos mais ficar restritos apenas aos pedestais de nossos consultórios ou de nossas salas de aula e não transmitir para as pessoas que utilizam nossos serviços o que sabemos. Evidente que não estou falando a respeito de dados meramente técnicos, mas sim a informação acessível, simplificada e facilmente compreensível. Uma vez informados, será muito mais completa a interação médico/paciente, favorecendo a atuação de ambos, no compromisso da promoção à saúde.

Somos co-responsáveis pela saúde, em seu mais amplo sentido.

E para isso, sendo um pouco mais cartesiano e realista, acho que podemos usar um pouco do que aprendemos na escola: os nossos sentidos.

Olfato: é preciso saber quando algo “não cheira bem” e respeitar nossos instintos. Eu acredito que não somos médicos por acaso. Alguém já disse que para sermos bons profissionais em qualquer área são necessários 10% de inspiração e 90% de transpiração, de estudos, de esforços.

Visão: temos que enxergar mais, melhor e observarmos o “ser humano” por trás do “doente” que nos procura. Não podemos jamais negligenciar essa dádiva que temos, como médicos, de ver, mais profundamente, o sofrimento de nossos pacientes e entender que nós nunca os curaremos, de fato, se não respeitarmos, humildemente, algo que não costumamos observar: a essência do ser.

Audição: sou homeopata e uma das colocações mais comuns, justificando os resultados obtidos por essa forma de tratamento, é a de que nós “escutamos e damos atenção em demasia” ao que o paciente tem a nos dizer. Fico sossegado, mas ao mesmo tempo preocupado, quando ouço essas “acusações”. Não deveriam todos os médicos escutar os males que afligem seus pacientes, tanto para lhes apaziguar um pouco a alma, quanto para entender que, muitas vezes, a doença não está totalmente em seu corpo e que nunca atingiremos nosso objetivo de cura apenas focando essa área do nosso “doente”?

Tato: será que estamos deixando de tocar, de examinar, nossos pacientes? A evolução tecnológica, trazendo cada vez mais exames “ultra-hiper-mega-blaster-modernos”, nos faz reféns dos laboratórios. Nós não cuidamos ou tratamos dos exames. Nós tratamos de pacientes e usamos, algumas vezes, exames complementares para confirmar ou direcionar melhor nosso diagnóstico. Aprendi no meu curso de formação que “a clínica é soberana”. E nada substitui o exame clínico.

Paladar: não há nada que substitua o sabor do dever cumprido. Não temos a onipresença, a onisciência e a onipotência (embora muitas vezes nos esqueçamos disso). Não há, no compromisso de qualquer profissional, a obrigação de acertar sempre. Erros acontecem. Mas o médico deve errar o menos possível. Ele não pode errar por falta de preparo, ele não pode errar por negligência, por falta de humildade ou de respeito ao seu paciente.

Mas, o médico, além, desses cinco sentidos, precisa buscar mais, para poder se manter e triunfar na sua profissão: ética, responsabilidade, carinho, amor, atenção, afeto, cuja fábrica não é um laboratório, mas sim o ser humano.

Que esse dia 18 de outubro seja um marco a mais na direção dessa mudança.

*Yechiel Moises Chencinski é formado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Yechiel é especialista em pediatria pela Santa Casa de São Paulo e em homeopatia pelo Centro de Estudos, Pesquisa e Aperfeiçoamento em Homeopatia (CEPAH). Yechiel também é autor dos livros “Homeopatia mais simples do que parece” (Pólen Editorial, 2007) e “Gerar e Nascer – um canto de amor e aconchego” (Pólen Editorial, 2008).

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