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“Precisamos mudar o modelo de remuneração médica”, afirma IESS

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Dos cinco países com a inflação médica mais elevada, três utilizam o fee-for-service (FFS) como modelo de pagamento de serviços de saúde, revela o estudo inédito “Fatores associados ao nível de gasto com saúde: a importância do modelo de pagamento hospitalar”, produzido pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). “O atual modelo de pagamento de serviços de saúde no Brasil, o fee-for-service, gera incentivos perversos para o setor, contribuindo para o aumento dos custos da saúde e da inflação médica, além de comprometer a sustentabilidade da saúde suplementar”, avalia o superintendente executivo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), Luiz Augusto Carneiro.

De acordo com o estudo, a utilização de um modelo de pagamento hospitalar prospectivo reduz a taxa de crescimento do gasto com saúde per capita dos países em 1,2 pontos percentuais em relação aos países que utilizam modelo retrospectivo, mais conhecido como fee-for-service.

O estudo ainda analisa dados de inflação médica dos países, e observa que em 2016 o Brasil foi o País com a maior inflação médica no mundo, mesmo desconsiderando o nível de inflação geral da economia.
No Brasil, a inflação médica, em 2016, foi de 16,7%. Desconsiderando a inflação geral da economia, o País teria uma inflação médica líquida de 10,8%. Mais do que o registrado no país com o segundo pior resultado, a Índia, no mesmo período: 6,8%.

Carneiro afirma que o que encarece a utilização dos serviços de saúde no Brasil é, principalmente, o modelo de pagamento adotado atualmente. “Hoje, os hospitais têm um cheque em branco para cada internação. De uma forma bastante crua, mas para facilitar a compreensão: o desperdício compensa. Quanto mais dias, exames e insumos forem consumidos, maior o lucro do prestador de serviço”, explica. “Isso não significa, claro, que os hospitais são vilões interessados apenas no dinheiro. Significa que o modelo está errado.”

Na contramão, em um bom sentido, o estudo do IESS aponta que cinco dos cinco países com os menores níveis de inflação médica (tanto bruta quanto líquida) adotam modelos de pagamento prospectivos, como o DRG. Na França, por exemplo, a inflação médica bruta é de 3% e a líquida, 2,2%. Já na Dinamarca, país melhor classificado, a inflação médica bruta é de 1,5%. Descontando a inflação geral da economia, a Dinamarca teria uma deflação médica líquida de 0,1%.

Preocupado em apontar soluções que considerem a qualidade, a eficiência e o melhor desfecho clínico para a remuneração médica, expurgando os incentivos perversos criados pelo FFS, o estudo do IESS lista, também, os principais modelos de pagamento prospectivos utilizados em outros países e as melhorias econômicas propiciadas por estes quando foram implementados.

       
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