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Por quê Silvio Fonseca vendeu a Lincx para a Amil ?!

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Uma das mais tradicinais operadoras de plano de saúde para a Classe A foi vendida na última semana para a Amil. Com a aquisição da LINCX, Edson Bueno, dono da Amil, garante um crescimento mais rápido para sua operadora premium a ONE HEALTH, enquanto Silvio Fonseca, fundador da LINCX, garante a perpetuidade da sua empresa. Edson Bueno continua surpreendendo o mercado com sua sede de consolidação. Será que a OMINT resiste ao assédio da AMIL?

Atenciosamente,

Fernando Cembranelli

Equipe EmpreenderSaúde

Amil adquire operadora Lincx por R$ 170 milhões

Beth Koike | De São Paulo
Após um ano de negociações, a Ami l fechou ontem a compra da totalidade do capital da Lincx, operadora de planos de saúde voltada para o público de alta renda, por R$ 170 milhões.

O fundador da Lincx, Silvio Corrêa da Fonseca, continuará à frente da operadora, que se juntará a One Health, plano de saúde premium criado no ano passado pela Amil. “Vamos montar uma plataforma com One e Lincx, que ficará separada da Amil. Agora, temos mais força e nossa ideia é criar um produto ainda mais sofisticado”, disse Fonseca.

A receita prevista para este ano da Lincx é de R$ 220 milhões, com uma margem ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de cerca de 8%. “Foi uma negociação interessante, representando quase dez vezes o ebitda”, disse Fonseca, que criou a Lincx há 18 anos e vendeu sua operadora sem nenhum endividamento.

Atualmente, a Lincx conta com 30 mil beneficiários de planos de saúde, sendo que 76% dos clientes são corporativos, e mais 8 mil vidas no plano odontológico. A One Health, por sua vez, possui uma carteira com 5 mil clientes.

Com a aquisição, a operadora de Edson Bueno entra com força no mercado de plano de saúde premium – área cobiçada pelo empresário há algum tempo por conta das margens que esse segmento proporciona. Anteriormente, Bueno tentou adquirir sem sucesso outras operadoras que atuam nessa área. Como não havia conseguido montou seu próprio plano de saúde premium, no ano passado, a One Health. Mas, segundo fontes do mercado, Bueno não estava totalmente satisfeito com o desempenho da One Health, que tem 5 mil clientes, por isso teria voltado a rondar empresas do setor.

Sua concorrente direta é a Omint, que conta com 95 mil clientes e tem faturamento de R$ 540 milhões – o que representa mais que o dobro do tamanho de Lincx e One Health juntas. A Care Plus é outra concorrente, com pelo menos 50 mil beneficiários.

A Amil pagará os R$ 170 milhões em quatro parcelas. A primeira parte, de R$ 60 milhões, será efetuada no fechamento da operação. Haverá ainda o pagamento de outras duas parcelas de R$ 25 milhões e uma quarta parte no valor de R$ 60 milhões. A Lincx possui caixa de cerca de R$ 20 milhões, que fará parte dos ativos adquiridos, reduzindo o “equity value” para R$ 150 milhões.

Fonte: Valor Econômico, 26/05/2011

Foto: Silvio Fonseca, Fundador da Lincx

O discreto charme da Lincx

Líder no mercado brasileiro de serviços de saúde, a Amil compra a Lincx para crescer em um setor em que ainda patinava: o de alta renda

Por Érica Polo

Você já foi abordado em um clube da alta sociedade paulistana por senhoras bem vestidas e educadas, que tentavam vender-lhe um plano de saúde? Se a resposta for sim, certamente você se encontrou com uma das 38 promotoras de venda do plano de saúde Lincx, fundado pelo médico-empresário Silvio Corrêa da Fonseca em 1994. Essa é uma das formas inusitadas e criativas usadas por Fonseca para conquistar clientes de alta renda para o seu plano de saúde.

Em 17 anos, ele já incorporou 38 mil clientes entre planos de saúde e odontológico à sua empresa, que lhe renderam um faturamento de R$ 200 milhões no ano passado. Todos eles do topo da pirâmide. Foram justamente esses atributos que fizeram o empresário Edson de Godoy Bueno, também médico e principal acionista da Amil, a colocar a mão no bolso e pagar R$ 170 milhões pela Lincx na quarta-feira 25.
É que apesar de liderar o mercado de prestação de serviços de saúde no Brasil, com faturamento de R$ 7,8 bilhões e 5,3 milhões de clientes, em 2010, a Amil tinha apenas cinco mil consumidores no seu plano premium, criado em 2009, chamado de One Health. “Vendi meu sonho para pessoas que têm sonhos iguais ou ainda maiores”, disse Fonseca à DINHEIRO.
A aquisição passará ainda por avaliação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Com a transação, Fonseca não vai sair de cena. Ele vai comandar a nova plataforma para os clientes mais abonados, que tem o nome provisório de Lincx-One. Fonseca é um dos pioneiros do mercado de saúde para clientes do topo da pirâmide. Na primeira metade da década de 1980, ele ajudou a trazer para o Brasil a argentina Omint, que dirigiu durante dez anos. Só saiu de lá para criar a Lincx. “Minha sina é concorrer com as minhas próprias invenções”, diz o empresário.
Com sua experiência, acredita ele, a Amil terá mais força para competir com a Omint e com a brasileira Care Plus. Ambas atuam com a venda de planos de saúde para as classes mais abastadas e lideram esse segmento com uma carteira de 97 mil e 50 mil vidas seguradas, respectivamente. “A nova empresa resultante da união da Lincx com a Amil deverá se tornar mais competitiva”, diz Carlos Suslik, professor do MBA executivo em gestão de saúde do Insper.
A Lincx-One vai brigar para conquistar clientes em um universo de aproximadamente 300 mil pessoas, sobretudo em São Paulo e no Rio de Janeiro. Estima-se também que, com a fusão, seu faturamento chegue a R$ 270 milhões até o final de 2012. Uma das vantagens da união das operações deve ser a escala. Por ser a maior operadora de saúde no Brasil, a Amil consegue boas negociações com hospitais e clínicas. Com custos menores, poderá oferecer planos de saúde a preços mais baixos.
Outra estratégia é não eliminar as marcas que adquire, assim como faz o laboratório Dasa, de quem Bueno é o maior acionista individual, com uma participação de 26,3%. “Dessa forma, reduz-se o risco de perder os clientes mais fiéis”, afirma Luiz Tadeu Lopes, sócio da Torres Associados, consultoria especializada em planos de saúde. “Ao mesmo tempo, a marca-mãe se fortalece, porque estão todas as outras sob seu guarda-chuva.”
Nos últimos três anos, Bueno se transformou no grande consolidador do setor de saúde brasileiro. Nesse período, ele colecionou 16 aquisições, incluindo a Lincx, entre planos de saúde, hospitais, clínicas e laboratórios, desembolsando aproximadamente R$ 2,3 bilhões. Seu maior negócio, foi a compra de 52% da Medial, em dezembro de 2009, por R$ 612 milhões. Com isso, deixou de ser uma empresa de médio porte para superar gigantes como Bradesco, SulAmérica e Unimed. Agora, com a compra do Lincx, avança em um segmento em que ainda patinava.
Fonte: Isto É Dinheiro, Edição 712, 27 Maio de 2011
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