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Por quê Bill Gates e a Fiocruz investem tanto na produção de vacinas ?!

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Poucas classes de drogas são tão eficazes quanto às vacinas. Responsáveis pela prevenção das doenças, as vacinas garantem melhoras indiscutíveis na saúde tanto dos países desenvolvidos, quanto nos países em desenvolvimento. Numa excelente mudança de paradigma, trazemos a notícia de que a Fiocruz, instituição com grande expertise na produção de vacinas, se uniu ao fundo de Venture Capital Alvos, para produzir uma vacina para a esquistossome, doença considerada orfá, por não despertar o interesse econômico da indústria farmacêutica.

Já Bill Gates, através de sua Fundação, está fazendo um grande esforço para tornar as vacinas mais baratas e mais acessíveis em todo o mundo.  O Instituto Serum da Índia proclama que já imuniza metade das crianças do mundo e sua vacina para Meningite A custa apenas US$ 0,50 a dose. A Aliança Global para as Vacinas e Imunizações, fundada com o apoio da Fundação Bill & Melinda Gates, pretende captar US$3,7 bilhões de dólares até 2015 para poder imunizar crianças contra pneumonia e diarréia, duas das principais causas de mortalidade do público infantil. O Brasil participará desta iniciativa doando US$ 20 milhões para o mundo. E qual será a sua contribuição ?

Atenciosamente,

Fernando Cembranelli

Equipe Empreender Saúde –  “Por mais empreendedorismo e inovação na Saúde”

Fiocruz alia-se a capital privado

Mais de trinta anos depois do início das pesquisas, a Fundação Osvaldo Cruz está finalmente conseguindo comercializar a produção de vacinas anti-helmíntica (antiparasitose) bivalente para tratamento de esquistossomose em humanos e contra fasciolose, infecção parasitária humana e do gado bovino, ovino e caprino que causa perdas de US$ 3 bilhões nos rebanhos. O projeto está se tornando viável por meio de parceria público privada entre o instituto e a empresa de venture capital Alvos, que acreditou na iniciativa há cinco anos e investiu R$ 5 milhões para o desenvolvimento final das pesquisas, recebendo em troca o licenciamento das inovações.

Em parceria com a Alvos, o instituto captou ainda, por meio de uma chamada pública transversal da Finep, outros R$ 6 milhões. Em agosto do ano passado, a Fiocruz fechou um acordo com a Ouro Fino, fabricante de Ribeirão Preto especializada na área de saúde animal, que está adquirindo a Alvos para ter acesso ao licenciamento. A empresa já investiu R$ 10 milhões no projeto, e numa primeira etapa vai produzir vacinas para o tratamento veterinário da fasciolose, com a previsão de ter o produto comercialmente disponível em um prazo de dois anos.

Já as vacinas contra esquistossomose estão atualmente na fase de teste clínico em humanos, após exaustiva negociação com a Anvisa para autorização do trabalho, que é o primeiro teste de vacinas com humanos do país. O teste irá durar ainda por um período de cerca de três meses. Agora a Fiocruz está tentando identificar um parceiro encarregado de produzir as vacinas humanas, que devem chegar ao mercado em quatro anos. A ideia é que a Ouro Fino produza inicialmente bulk ou concentrado de vacinas, até que seja encontrada a empresa interessada na produção das microdoses das vacinas humanas em um modelo de sublicenciamento ou de parceria de fabricação. Segundo Mirian Tendler, pesquisadora responsável pela descoberta, o trabalho começou em 1975, mas as pesquisas se aceleraram no início dos anos 1990 quando entrou na fase molecular a partir do isolamento da proteína SM14.

As pesquisas resultaram em cinco famílias de patentes, uma delas já reconhecida, e o êxito do trabalho chamou a atenção da comunidade internacional. O Instituto chegou a fazer parcerias com duas multinacionais, mas os acordos para a produção não avançaram por que a esquistossomose integra o grupo das chamadas doenças negligenciadas, que somente agora começam a chamar a atenção da indústria farmacêutica que, segundo Mirian, sempre foi mais voltada para a terapêutica do que para a prevenção. O interesse cresceu a partir da determinação da comunidade europeia de que sejam produzidas vacinas para substituir as drogas no controle das doenças parasitárias do gado. (C.N.)

Fonte: Valor Econômico, 27/06/11

Bill Gates estuda financiar produção de vacinas no Butantan e na Fiocruz

Americano confirmou que mandou técnicos ao país, para debater a possibilidade. Ministro afirmou que o presidente da Fiocruz vai aos EUA

Bill Gates, fundador da Microsoft e hoje o maior financiador particular de iniciativas de saúde no mundo, negocia uma doação à Fiocruz e ao Instituto Butantã para transformar os locais em uma base para a exportação de vacinas. Gates confirmou ontem que mandou seus técnicos ao Brasil para debater a possibilidade. Ele espera do país a definição de quais vacinas ganhariam prioridade no processo.

O Ministério da Saúde não esconde o entusiasmo com a possibilidade do investimento e confirmou que o primeiro contato entre Gates e o Brasil ocorreu em setembro passado, em Nova York. Na ocasião, ele se reuniu com o então chanceler Celso Amorim. O encontro foi seguido de uma missão enviada pelo americano à Fiocruz e ao Butantã. “Meu pessoal ficou muito impressionado com a qualidade do trabalho”, disse Gates.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que Gates “tem interesse forte na Fiocruz e no apoio à produção de vacinas, principalmente a pneumocócica, e em promover mecanismos de gestão que permitam baixar os custos”. O ministro não deu mais detalhes, mas afirmou que o próprio presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, vai aos EUA se reunir com a Fundação Bill e Melinda Gates.

Segundo Gates, a negociação depende do que o Brasil quer de suas instituições. “Não há nada fechado de concreto por enquanto. Estamos conversando”, explicou. “Queremos um acordo para permitir a exportação de vacina. Aguardamos uma decisão sobre qual vacina o país terá capacidade de produzir ao menor custo mundial.”

O mercado de vacinas no mundo chega a mais de US$ 24 bilhões por ano. Gates convocou ontem os ministros da Saúde do mundo para lançar a “década da vacinação”. O objetivo é imunizar dez milhões de crianças até 2020.

Fonte: Agência Estado, 18/05/2011

Brasil doará US$ 20 milhões à Aliança Global paraVacinas e Imunização

Iniciativa internacional lançada em 2000, a Aliança busca garantir a democratização do acesso à imunização em nível mundial e já conseguiu prevenir mais de 5 milhões de óbitos.

Será anunciada em Londres, em 13 de junho, doação brasileira de US$ 20 milhões para a “Aliança Global para Vacinas e Imunização” (GAVI), iniciativa internacional lançada em 2000 que busca garantir a democratização do acesso à vacinação e imunização em nível mundial. AAliança já conseguiu prevenir mais de 5 milhões de óbitos nos últimos 10 anos.

Inserida no contexto da ação global de combate à fome e pobreza, a doação brasileira, autorizada pela Lei 12.413, será realizada por meio de parcelas iguais e subseqüentes ao longo de 20 anos, e utilizada no financiamento do Mecanismo de Financiamento Internacional para Imunização (IFFim), responsável pela vacinação e imunização em países de baixa renda.

A Conferência de doadores da GAVI buscará compromissos para o financiamento da imunização em países demenor desenvolvimento relativo. O objetivo é o de acelerar o acesso às vacinas sub-utilizadas; fortalecer os sistemas de saúde e imunização nos países e introduzir novas tecnologias de imunização, a fim de contribuir para o cumprimento dos “Objetivos do Milênio”, com a redução em dois terços, até 2015, do número de óbitos em crianças menores de cinco anos.

Parceiros, doadores, co-financiadores e fabricantes de vacinas discutirão a necessidade de levantar recursos da ordem de US$ 3.7 bilhões para os programas de imunização a serem implementados pela Aliança entre 2011 e2015.

Embora tenha havido progressos significativos na redução da mortalidade infantil, cerca de 2 milhões de crianças morrem anualmente de doenças para cuja prevenção existem vacinas. A maior parte dos óbitos ocorre em países de menor desenvolvimento em função de enfermidades como pneumonia e diarréia, que causam cerca de 40% do total de mortes.

Fonte: Itamaraty (www.itamaraty.gov.br)

The world’s market for vaccines is being turned upside down

Jun 16th 2011 | NEW YORK 

GLOBAL-HEALTH experts are often a glum lot, but a few billion dollars should be enough to perk anybody up. Over the past decade the Global Alliance for Vaccines and Immunisation (GAVI), founded with the help of the Bill and Melinda Gates Foundation, has become the world’s main advocate of immunisation. Last year Mr Gates announced a new “decade of vaccines”. But it seemed unclear whether the vast sums needed to pay for it would really be available; GAVI said it needed $3.7 billion between now and 2015 for new vaccines, mainly to prevent pneumonia and diarrhoea, the biggest killers of young children. On June 13th, at a conference in London, the group got its wish, and more, with donors pledging $4.3 billion to help immunise 250m children.

If they come through with the money, the world may be indeed on the verge of a vaccine boom. Drug firms have been researching vaccines for everything from addiction to cancer. As important, the past decade has seen changes in how vaccines are developed, financed and delivered—solving, at least partially, the conundrum of the vaccine market: poor regions have ample demand for vaccines but little ability to pay for them. As a result, immunisation rates in the poor world have soared.

One reason for this success is increased competition among manufacturers, largely thanks to vaccine-makers in emerging markets. The Serum Institute of India, for instance, says that its vaccines now immunise half the world’s children. Another is GAVI itself. Before its creation, UNICEF offered short-term tenders for vaccines. By contrast, GAVI has insisted on higher volumes and long-term contracts to attract manufacturers and drive down prices. The alliance has had particular success with the hepatitis B vaccine. From 2000 to 2010 GAVI’s support led to the immunisation of 267m children, according to the World Health Organisation (WHO).

Yet introducing other vaccines has proved harder. Take the pentavalent vaccine, which combines immunisation against five diseases, such as whooping cough and diphtheria, into one. Its price has remained high, because it was expensive to develop. “You can’t rely on competition alone to bring down price,” says Nina Schwalbe, GAVI’s policy director.

Hence the effort to find new financing models. The Gates Foundation has experimented with “push” financing, to develop a cheap vaccine against meningitis A. Thanks to cash for production facilities and technology from America’s Food and Drug Administration, the Serum Institute now makes the vaccine for around 50 cents a dose. GAVI is testing “pull” financing, promising cash to any firm that comes up with an effective pneumonia vaccine. It will pay Pfizer and GlaxoSmithKline (GSK) $3.50 a dose for this, with a guarantee of 30m doses each year for a decade. Donors will pitch in extra cash. Neither mechanism, however, is perfect. The price for the meningitis vaccine is now so low that other suppliers are reluctant to enter the market. And price and purchase guarantees may fail to encourage innovation.

Different vaccines will require different models. Some may be pushed by grants while still in the early stages of development. In other cases, high prices in the rich world can subsidise low ones in poor countries. For example, on June 6th Merck and GSK said they would offer developing countries a lower price for their vaccines to fend off diarrhoeal disease.

Other solutions may yet emerge. The WHO is studying the issue. Mr Duncan Learmouth of GSK suggests that donors invest in a portfolio of basic research to reduce the risk of betting on one technology. And innovative manufacturers from the developing world will continue to help, argues Mickey Chopra, UNICEF’s chief of health. In March the WHO said that Chinese firms could begin submitting vaccines for approval.

Progress depends on the continued support of rich countries and on new activity from poor ones. Developing countries must play a greater role in setting clear priorities, argues Princeton University’s Adel Mahmoud. The past decade saw a surge in innovation in the financing and development of vaccines. The next ten years will require even more.

Fonte: The Economist, 16 de Junho de 2011

Vídeo da Fundação Bill&Melinda Gates sobre o impacto das vacinas na saúde global:

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