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Por quê gostamos das Pequenas e Médias Empresas?

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Achei interessante trazer hoje algumas respostas ao questionamento natural de porque gostamos de Pequenas e Médias Empresas (PMEs) e resolvi trazer alguns dados do impacto e importância delas. Hoje, trouxe os 4 fatores, que considero mais importantes:

1 – Em primeiro lugar, pra mim, é nas PMEs que nós podemos enxergar com mais facilidade o “poder” do homem sobre os recursos. Uma corporação em geral tem tantos colaboradores, recursos, filiais, marcas, que algumas vezes parece que sempre existiram ou são inabaláveis, perenes, acima das leis, e pouco nós podemos fazer quanto à isso. Um microempreendedor se não for trabalhar, a empresa simplesmente não abre, não há meio-termo.Se esse empreendedor chama alguns amigos, sua influência sobre eles e seus relacionamentos ditam o uso dos recursos e o sucesso do empreendimento numa pequena empresa(descontando aqui outras coisas como formação ou mercado – que não garantem o sucesso de nada sozinhos). Como uma banda, se eles brigarem, não tem show amanhã. Muitas PMEs são criadas pela oportunidade gerada por uma única lei. Muitas empresas de medicina do trabalho, por exemplo, só não faliram porque a lei cria demanda para elas. Dificilmente uma única lei impossibilita ou mesmo afeta o funcionamento de uma grande empresa de maneira importante.Por essas clareza nas relações de causa e efeito é tão fantástico estudar as PMEs.

2 – Outra coisa que nos faz apaixonados pelas PMEs é o seu impacto social na criação de empregos. Como disse o Lula, nosso agora ex-presidente “Não basta a economia crescer. Com os avanços tecnológicos no mundo, muitas vezes uma empresa aumenta sua produtividade, sua rentabilidade e não gera um posto de trabalho”.

Silvano Gianni, ex-presidente do Sebrae, disse em entrevista à revista ESPM de maio/2010: “A pequena empresa é fortemente centrada no trabalho porque ela não tem a capacidade de capital para ser automatizada. Todas têm uma função social. A grande empresa é geradora de arrecadação de tributos para o governo, ela é importante porque o governo precisa de caixa para poder tocar os projetos de interesse nacional. Ninguém pede à grande empresa que não demita na hora da crise. O negócio delas não é esse, elas demitem porque precisam dar lucro no final do exercício, têm de distribuir para os acionistas e cuidar das suas contas. A Vale, por exemplo, demitiu na hora da crise. Ela não é complacente com o emprego porque não vive a relação pessoal com o empregado, é uma empresa de capital e é assim que se comporta. A pequena empresa não consegue fazer isso – até gostaria – mas não pode abrir mão da mão de obra porque depois não consegue treinar um novo profissional. Então, ela é muito menos desempregadora numa crise do que a grande. O grande empresário gera renda para o acionista e a pequena empresa vai pulverizar essa geração de renda. Vejo a pequena empresa como redistributiva. Os sócios da pequena empresa são sócios dessa distribuição de resultados que acaba diminuindo aquilo que temos de pior, que é a má distribuição de renda”.

Ainda na entrevista, cita as 4 milhões de pequenas empresas que o país tem, com 10 funcionários em média, ou seja, 40 milhões de pessoas. “A pequena empresa é um partido”.

3 – O terceiro fator  é a capacidade de crescimento das PMEs . Imagine o esforço
que uma empresa do tamanho da Amil tem que fazer para dobrar o seu tamanho (crescimento de 100%). Agora imagine um consultório ou uma farmácia. Se o  farmacêutico abrir uma nova farmácia, pode crescer  100% ou mais. Investidores estão sempre buscando empresas com histórico comprovado de crescimento.

4 – A competição hoje exige respostas cada vez mais rápidas. E novamente, as PMEs levam vantagens por serem mais ágeis na tomada de decisão e na execução do planejamento e mesmo na reação às mudanças. Li recentemente uma metáfora simples, que exemplifica bem isso. Imagine duas árvores numa forte ventania. Uma grande e frondosa com troncos largos e outra fininha, uma muda. O que acontece? Por não ser flexível, a árvore grande vai cedendo e cai. A pequena, flexível, se torce de acordo com o vento e permanece.

O Brasil é, comprovado estatisticamente, um dos paises mais empreendedores do mundo. Parece demagogia, mas não é. Talvez por ter passado por várias crises e inflação (“Eu vi 17 moedas, 16 ministros da Fazenda, vários cortes de zeros e um confisco na poupança” diz Luiz Helena Trajano, do Magazine Luiza) e sempre esperar pelo “Brasil do Futuro”, o brasileiro virou um otimista, e mesmo com o excesso e complexidade de tributos, a legislação trabalhista esclerosada, as deficiências de mão-de-obra e a carência de regras claras em muitos setores, 68% dos brasileiros estariam dispostos a abrir uma empresa mesmo sabendo que a chance de fracassar é bem maior que a de obter sucesso.  O que esperamos do governo de Dilma é que crie condições que potencializem o esforço desses empreendedores. O que a história tem mostrado? É que mesmo que não se criem essas condições, o empreendedor vai se virar. É isso que um empreendedor faz. “O rio atinge seus objetivos porque aprendeu a contornar seus obstáculos.” (Anônimo)

Nota: já passaram de 800 mil os registrados no Programa do Empreendedor Individual, lançado em julho de 2009. “É bom pra você. É bom para o Brasil!” (http://glo.bo/exSYl2)

Fontes: Revista ESPM (maio/junho 2010), Revista EXAME (3/11/2010), Global Entrepreneurship Monitor, Portal G1.

Vitor Asseituno

Equipe EmpreenderSaúde

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