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Pesquisa quer aprimorar método de diagnóstico de esquizofrenia

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Desenvolver marcadores biológicos que ajudem a compreender as causas da esquizofrenia e diagnosticá-la com mais precisão é o objetivo dos pesquisadores do Laboratório de Neurociências do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP que realizam, há dois anos, estudos para identificar alterações no DNA, no RNA e nas proteínas de pessoas com esquizofrenia. Emmanuel Dias Neto, vice-diretor do Laboratório, e um dos responsáveis pela pesquisa explica que até hoje, o diagnóstico é feito a partir de conversas com o paciente e com seus familiares. E como a esquizofrenia é uma doença muito complexa, não dá para ter muita precisão sem o desenvolvimento de padrões numéricos.

Segundo informações da Agência USP, um dos aspectos que estão sendo estudados é a presença de nucleotídeos polimórficos – quando uma determinada seqüência de DNA apresenta discrepâncias em relação ao que seria esperado encontrar. Para isso, a instituição realizou pesquisas em bancos de dados mundiais e, ao contrário de outros trabalhos, que olham para um ou dois genes, está trabalhando com 50, devido a complexidade da doença.
Os genes foram escolhidos com base em trabalhos anteriores que mostravam a existência de regiões do genoma humano ligadas à doença – mas que não conheciam os genes que lá estavam. Outros trabalhos, no entanto, diziam que a esquizofrenia tinha origem em problemas sutis de neurodesenvolvimento. Assim, de acordo com Dias, as duas informações foram cruzadas e selecionamos os genes polimórficos que são ligados à neurogênese e mapeados nas regiões suspeitas do genoma.
Em uma outra parte do trabalho, pesquisadores estão extraindo RNA de cérebros humanos. ?Recebemos amostras do banco de cérebros do Instituto Central de Saúde Mental de Mannheim, da Universidade de Heidelberg, na Alemanha?, conta Dias. “Então temos amostras pareadas, de doentes e não-doentes, divididos por sexo, idade e etnia. Esses cérebros foram dissecados e trabalhamos exatamente com a mesma área de cada um deles”. Dessas amostras são extraídas tags (um pedaço do RNA), a partir das quais se identifica a seqüência dos genes. Os pesquisadores comparam o número de cópias de cada gene presente nas células de pessoas doentes e nas saudáveis. ?Encontramos, por exemplo, 200 cópias de um determinado gene em um cérebro doente, e uma única cópia no cérebro normal. Em outros casos, é o inverso”, explica.
Além da análise de qualidade (polimorfismo) e da quantidade (cópias dos genes), a pesquisa é complementada com uma análise proteômica. “Identificamos quais proteínas estão presentes e em que quantidade, tanto nos cérebros normais quanto nos doentes”, conta Dias.
O trabalho avança cautelosamente, uma vez que várias comparações são necessárias antes de se determinar se um fato é ou não um marcador biológico. Além disso, os cientistas pretendem comparar os resultados obtidos aqui com amostras de DNA de doentes da Dinamarca. “Já recebemos estas amostras e assim, garantimos marcadores mais universais, que não dependem, por exemplo, da questão étnica”.
O risco de alguém adoecer de esquizofrenia durante a vida – independentemente de raça ou sexo – é de 1%. A incidência é de 30 novos adoecimentos em cada 100 mil habitantes, por ano. Entre os sintomas da doença estão delírios, alucinações, diminuição da afetividade e empobrecimento do conteúdo do pensamento.

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