Referências da Saúde Quem foram os premiados da edição 2016? Confira agora

Pesquisa aponta vantagens de uso de papel filtro em exames de sangue

Publicidade

Pesquisadores da Universidade de Caxias do Sul (UCS) desenvolveram estudo para validar e avaliar as vantagens da ?testagem por amostra seca em papel filtro?, uma técnica que permite atestar se o paciente tem o vírus HIV e outras doenças, analisando uma pequena amostra de sangue aplicada a um papel, coletada a partir de uma picada no dedo do paciente. A pesquisa, financiada pelo Programa Nacional de DST/Aids e pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), avalia o papel filtro em diferentes condições de temperatura e umidade, comparáveis a cidades de outras regiões do país, e servirá para que o governo analise sua utilização em regiões de difícil acesso ou de pouca estrutura laboratorial.
De acordo com o chefe do Laboratório de Pesquisa em HIV e Aids da UCS, Ricardo da Silva de Souza, os resultados da primeira fase da pesquisa foram bastante positivos. A validação confirmou que o papel filtro tem a mesma eficácia da coleta via punção venosa e apontou outros fatores de segurança. A avaliação de sensibilidade no papel filtro para teste anti-HIV (capacidade de dar resultados positivos) apresentou 100% de aproveitamento e a de especificidade (capacidade do teste de identificar as pessoas que não tem o vírus) teve 99,5% de resultados favoráveis.
Ao todo foram analisadas 309 amostras entre 3 de dezembro de 2004 e 3 de janeiro de 2005. Segundo o coordenador, a pesquisa conseguiu atestar que é possível fazer o diagnóstico do HIV com o papel filtro e mostrar que ele funciona, tem estabilidade de até 35 dias sem condições especiais de armazenagem, ou seja, se adapta bem à temperatura ambiente. Hoje, só uma empresa tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para utilizar o papel filtro como método de coleta de sangue e a mesma não é obrigada a apresentar estudo de estabilidade à agência reguladora.
Além de validar o método, a pesquisa mostrou outros pontos positivos dessa forma de amostragem, como a coleta e o armazenamento fáceis, necessidade de pouca estrutura e recursos humanos, capacidade de gerar respostas rápidas (via internet e correio) e baixo custo. De acordo com Souza, o transporte das amostras convencionais de sangue (via tubos de ensaio) pode alterar as características do sangue se não houver refrigeração adequada e ainda há chances de ocorrer acidentes com o material. Com o papel filtro, o transporte pode ser feito até pelo correio, sem alteração dos resultados.

A variação da umidade é um ponto importante porque a amostra é seca e, se o tempo for muito úmido, pode gerar fungos e outros problemas que interferem no resultado. Foram comparadas as variações de temperatura e umidade de Porto Alegre e outras sete capitais (Curitiba, João Pessoa, Manaus, Natal, Rio Branco, Salvador e Teresina), em que foi percebida semelhança entre elas e que não haveria diferença nos resultados e na qualidade das amostras em função dos fatores temperatura e umidade. Com isso, as amostras poderiam vir de qualquer local do país, sem alterar os resultados dos exames.
Embora não fosse um dos objetivos da pesquisa, os pesquisadores fizeram análises preliminares de confirmação dos resultados comparando os dados iniciais, feitos pelo método Elisa, com o Western Blot, um dos exames confirmatórios para HIV. ?Não era o nosso objetivo principal, mas confirmamos que os resultados do Elisa são os mesmos do Western Blot. No entanto, vimos nesses resultados preliminares que é importante ter uma quantidade de sangue seco maior que a utilizada no Elisa, deixando o teste mais sensível devido ao tamanho da amostra, ou seja, o ideal é usarmos duas amostras de sangue seco para cada paciente no confirmatório?, conta o coordenador da pesquisa.
Os pesquisadores finalizaram a primeira fase do projeto, que começou em abril de 2004, e a expectativa é iniciar a fase seguinte ainda no primeiro semestre desse ano. Nessa etapa, será realizado estudo-piloto em clínicas de pré-natal em diferentes regiões do país para verificar se os dados apresentados na fase 1 se confirmam na fase 2. ?Queremos desenvolver um algoritmo específico para papel filtro na testagem do HIV, ou seja, ter uma seqüência de testes que daria 100% de chances de obter resultado correto com esse método?, defende Ricardo.
O outro objetivo da fase 2 é implantar o sistema de devolução dos resultados pela internet e correio, além de oferecer treinamento por meio de cursos presenciais e a distância para orientar os profissionais de saúde a apresentarem os resultados aos pacientes. Segundo o pesquisador, a idéia é associar o diagnóstico via papel filtro a outros programas, como o Saúde da Família, e servir como instrumento de diagnóstico de outras infecções que acometem as gestantes. ?Por isso, passamos a validar e testar o papel filtro para toxoplasmose, citomegalovirose, sífilis, herpes, rubéola e HTLV?. A intenção do estudo é contribuir para a redução da transmissão vertical (quando o vírus é passado da mãe para o bebê) e outras infecções perinatais por meio do diagnóstico precoce oferecido pelo teste.

Publicidade

Notícias como essa no seu e-mail

Faça como mais de 20.000 profissionais do setor de saúde e receba as últimas matérias no seu email.

Deixe uma resposta