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Decidi postergar o 3o artigo da série “Como investidores avaliam oportunidades de negócios” para falar sobre uma palestra muito interessante sobre empreendedorismo ministrada nesta semana por Robin Jackman PhD, CEO da Zacharon Pharmaceuticals de San Diego, Califórnia, no 102nd American Association for Cancer Research Annual Meeting em Orlando, Flórida.  A palestra foi patrocinada pelo National Institutes of Health (NIH), o principal órgão federal responsável por pesquisas científicas e bolsas de estudo dos EUA na área de saúde.

 

O foco principal da palestra foi a estratégia seguida pela Zacharon para atrair recursos financeiros externos. Fundada em 2006, a Zacharon Pharmaceuticals Inc. é uma empresa de biotecnologia focada no desenvolvimento de uma nova classe de drogas que tem os glycans como alvo. Glycans são uma classe diversa de moléculas com papel fundamental em várias doenças genéticas, oncológicas e inflamatórias (vide quadro abaixo). A estratégia da empresa é mostrar que as drogas funcionam em humanos através de ensaios clínicos Fase I e II do FDA e depois licenciar as drogas candidatas para grandes empresas farmacêuticas.

Como a maioria das empresas de biotecnologia focadas no desenvolvimento de drogas, a Zacharon também precisou de um grande investimento inicial, dedicado a pesquisa e desenvolvimento das drogas. Desde a fundação da empresa, a Zacharon obteve investimentos de 3 tipos de fontes de recursos: bolsas do governo para pequenas empresas, venture capital e parceiros estratégicos. A bolsa do governo, chamada Small Business Innovation Research (SBIR), foi de US$2.2 milhões, obtida nos dois primeiros anos da empresa. Logo após, receberam US$3.5 milhões em fundos série A da Avalon Ventures LLC, um fundo de San Diego com foco em ciências da saúde que estava no seu 8º fundo no valor de US$150 milhões. Em 2011 a Zacharon acabou de fechar uma parceria com a Pfizer para o desenvolvimento de drogas para doenças órfãs, incluindo doenças de depósito lisossômico. A colaboração, em que a Zacharon receberá investimentos da Pfizer, tem um potencial de mercado de US$210 milhões. Mas como a Zacharon conseguiu chegar onde está em apenas 5 anos? Claro que o time, o produto e o mercado são elementos fundamentais. O que também chama a atenção é o programa da SBIR.

 

Jackman enviou a solicitação para a bolsa 9 vezes antes de conseguir obte-la. Anualmente, o NIH dá US$650 milhões para pequenas empresas e tem como objetivo melhorar o sucesso da comercialização de tecnologias através do foco em pesquisa aplicada a áreas de interesse do governo. O processo é extremamente competitivo, mas através dele, Jackman e o time da Zacharon puderam refinar a tecnologia e a idéia de negócio, até serem dignos de receber a bolsa. O programa funciona como uma incubadora é estruturado em 3 fases:

Fase I: O objetivo da fase I é testar o mérito tecnológico e a possibilidade de realização de um determinado conceito. O valor da bolsa é de US$ 100 mil

Fase II: O objetivo da fase II do projeto é continuar com a pesquisa e desenvolvimento iniciados na fase I. Somente participantes da fase I podem participar da fase II. A bolsa é de US$750 mil

Bolsa ponte: O objetivo da bolsa ponte da fase II é evitar o “gap” conhecido como Vale da Morte entre o fim da bolsa Fase II e a comercialização da tecnologia, e encorajar parcerias entre as empresas e investidores externos (fundos de VC, angels, grandes empresas farmacêuticas ou de biotecnologia). O valor pode ser até US$3 milhões.

Fase III: O objetivo da Fase III é fazer a empresa comercializar a tecnologia através de parceiros e fundos fora do programa SBIR.

 

As dicas apresentadas por Jackman para obter a bolsa são válidas para qualquer empreendedor da área de biofarma que esteja à procura de capital externo:

  • Mantenha o foco na boa ciência: tecnologias com aplicações comercias sempre têm boa ciência, boa ciência nem sempre tem aplicações comerciais
  • Procure orientação legal desde o princípio para estrutura da empresa e proteção intelectual (que determina a capacidade de levantar fundos)
  • Tenha conhecimento prático de proteção intelectual
  • Lembre-se de que você está lidando com um negócio e não universidade
  • Mantenha a empresa enxuta, você só recebe após todos os investidores tirarem os deles
  • Procure sempre ver todas as alternativas ao procurar capital externo

 

No Brasil, micro e pequenas empresas também dispõem de oportunidades para obtenção de bolsas oferecidas por instituições em parceria com o governo, como o Instituto Euvaldo Lodi (IEL). O IEL é parte integrante do Sistema Indústria, órgão que, em seu conjunto, exerce um importante papel de representação da indústria brasileira (http://www.iel.org.br) . O instituto oferece programas como o  Programa de Iniciação Científica e Tecnológica para Micro e Pequenas Empresas (BITEC), que é uma iniciativa de cooperação entre o IEL, o SENAI, o SEBRAE e o CNPq com o objetivo transferir conhecimentos gerados nas instituições de ensino diretamente para o setor produtivo. Veja vídeo do youtube em http://www.iel.org.br/portal/data/pages/FF8080812AB74CBF012AC60EAEF320D4.htm Outras oportunidades são:

 

Bolsa IEL/Sebrae de Gestão Empresarial: Tem o objetivo de aperfeiçoar os modelos de gestão estratégica para a implementação de projetos com ênfase na qualidade e melhoria de processos de produção e de outras áreas do ambiente industrial. Nesta modalidade, os estudantes universitários participam de rodadas de orientação com empresários, professores e técnicos do IEL e do Sebrae para discussão e busca de soluções para processos de vendas, marketing e outros temas.

 

IEL-APEX: Denominada “Apoio ao Desenvolvimento de Comércio Exterior nas micro e pequenas empresas”, a bolsa foi criada em 2002 em parceria com a Agência de Promoção de Exportações e Negócios do Governo – APEX. Propõe-se a contribuir com o aumento da competitividade do segmento, destinando bolsas a estudantes universitários para o desenvolvimento de trabalhos relacionados a questões de gestão do comércio exterior ou promoção comercial. O foco do atendimento é para empresas organizadas em consórcios ou em cooperativas apoiadas pela APEX.

 

Dizem que sorte = preparo + oportunidade. Aproveitando a lição de Jackman, para terem sorte nos negócios, empreendedores devem procurar todos os tipos de oportunidades possíveis, de bolsas a capital de investidores financeiros e parceiros estratégicos, além de estarem muito bem preparados.

Fontes:

  • 102nd American Association for Cancer Research Annual Meeting em Orlando, Flórida
  • www.zacharon.com
  • www.sbir.cancer.gov
  • www.iel.com.br

 

Elaine Horibe Song é médica cirurgiã plástica formada pela Universidade Federal de São Paulo, com Especialização em Administração Hospitalar pela Fundação Getúlio VargasMBA pela Universidade da Califórnia. Atualmente atua como consultora da Kaiser Permanente e de startups nos EUA.

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