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Os quatro pecados capitais da gestão de pessoas

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O alto nível de competitividade impõe às organizações a arte de lutar por resultados melhores diariamente, como forma de garantir o crescimento e a sustentabilidade no mercado. “Estratégias se copiam, tecnologia se compra. O diferencial das empresas é a forma que se trilha para gerir pessoas”, explica Betania Tanure, professora e doutora da Fundação Dom Cabral.

Para a estudiosa, o mercado brasileiro encontra-se preso a quatro pecados capitais, sob o âmbito de gestão de pessoas. São eles: flexibilidade, relações pessoais, autoritarismo e distância entre discurso e prática. “As características da cultura brasileira interferem intimamente na forma de gerir empresas, tendo como princípio o famoso ?jeitinho brasileiro'”, pontua Betania.

O ?jeitinho brasileiro’ é caracterizado pela flexibilidade e criatividade na resolução de problemas, o que acarreta em fácil adaptação. Do ponto de vista organizacional, isso não é um problema. No entanto, Betania frisa que ser flexível também gera indisciplina. “O brasileiro tem uma dificuldade imensa para lidar com processos. Eles existem mais não são cumpridos, o que gera um retrabalho e custa caro para as corporações”, complementa.

O paternalismo, essencialmente presente nas instituições hospitalares, é um outro deslize na gestão de pessoas. Isso porque o brasileiro se socializa facilmente, o que determina a complacência perante os erros e até mesmo a incompetência. “Em qualquer ambiente de trabalho, quando as pessoas recebem críticas com base nas falhas, elas entendem que o problema é pessoal e não corporativo. Isso gera uma bola de neve”, exemplifica.

No que diz respeito ao autoritarismo, Betania é enfática: “Nós gestores somos autoritários”. Para ela, a forma de operacionalizar o poder mudou, mas o efeito é o mesmo. “Na ditadura os presidentes eram claros: ?Quem manda aqui sou eu’. Hoje em dia, tudo ocorre de forma sutil, com a sensação de que todos são descartáveis”, posiciona.

Entre as armadilhas da gestão de pessoas, o principal item disposto pela pesquisadora é a distância entre o discurso e a prática. “Todos já devem ter escutado que o diretor de RH é ruim, mas ele continua no cargo. Quando um diretor financeiro não é bom, imediatamente ele é retirado do cargo”, diz Betania. “É preciso uma mudança de cultura das instituições de que o departamento de recursos humanos é apenas mais um departamento”, complementa.

Mais que isso, os processos de mudanças nas empresas refletem o autoritarismo. Afinal uma postura, que deveria trazer método e neutralidade, resulta em inconsistência de discurso. “Os diretores pregam e promovem o trabalho em equipe, mas em uma promoção colocam ?tratores’ como gestor, com visão nos resultados em curto prazo”, conclui.

Betania Tanure esteve presente no I Congresso da ANAHP, realizado entre os dias 22 a 24 de outubro, no Hotel Maksoud Plaza, em São Paulo.

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