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Organização em “silos” é desafio para melhorar gestão hospitalar

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A norte-americana Alice Lee passou 10 anos da carreira trabalhando na mudança da gestão de um dos mais renomados hospitais do mundo, o Beth Israel Deaconess Medical Center (BIDMC), de Boston, nos EUA, da escola de medicina de Harvard, que reúne cerca de 1.250 médicos. Como Vice-Presidente do local, ela ajudou a implementar o sistema lean, filosofia de gestão originária do modelo Toyota, cujo objetivo é, em resumo, eliminar os desperdícios dos processos produtivos e aumentar a agregação de valor – e que vem sendo adotada também na área da saúde. Nessa trabalho, ela diz ter aprendido uma lição: se as lideranças não estiverem alinhadas com a transformação da gestão, a mudança não terá resultados. Isso porque, entre outros aspectos, hospitais com gestão tradicional são geralmente organizados em “silos”, o que pode dificultar a mudança da gestão.

Hoje diretora-executiva do Lean Enterprise Institute, dos EUA – entidade que trabalha para disseminar o sistema lean entre as empresas no mundo –, Alice Lee virá a São Paulo em outubro para fazer uma palestra no 3o Lean Summit Saúde, encontro de organizações que estão mudando seus sistemas de gestão e adotando o Sistema lean, evento que vai ocorrer no dia 18 de outubro, no Centro Empresarial São Paulo. Na entrevista a seguir, ela antecipa o que vai falar no Brasil e explica os desafios de mudra a gestão hospitalar.

Quais são as principais dificuldades para mudar a gestão de um hospital?

Hospitais são organizações complexas. Múltiplas organizações convivem dentro de um hospital. Por exemplo, no hospital-escola da Harvard muitos médicos não eram funcionários do hospital. Assim, envolvê-los na transformação era mais desafiador. Além disso, em um hospital de ensino pode haver missões conflitantes, com objetivos diferentes, que podem se chocar: na pesquisa, no atendimento, na missão acadêmica… É importante, então, compreender as condições específicas da organização. Nem sempre o mesmo tipo de mudança feita num hospital vai funcionar em outro. Um hospital comunitário, por exemplo, pode não ter uma missão de ensino ou pesquisa. Isso exige uma abordagem diferente de mudança de gestão.

E quais os principais ganhos que o sistema lean pode trazer para hospitais?

Os cuidados de saúde são únicos, pois há muitos fluxos diferentes – de pacientes, de materiais, de equipamentos, de medicação, de informações… O sistema lean pode ajudar a diminuir ou eliminar os vários gargalos que podem ocorrer nesses fluxos. Para isso, é preciso sincronizar e coordenar esses fluxos com as necessidades dos pacientes. O nível de complexidade dos processos de um hospital não pode ser subestimado. Mas os ganhos com a adoção do sistema lean podem ser enormes.

Quais os principais entraves que uma gestão tradicional gera na mudança de gestão de um hospital?

Pode ser um desafio passar da gestão tradicional para a gestão lean porque muitos hospitais são organizados em silos funcionais, em setores fechados em si mesmos. Isso pode interromper diversos fluxos de processos envolvendo os pacientes. Por exemplo, quanto um paciente fica parado no setor da emergência e não pode ir para a internação. Esses silos funcionais são muitas vezes necessários porque envolvem conhecimentos especializados, habilidades diferentes e fundamentais nesse ambiente. Mas também podem contribuir para estagnações e paralisações nos processos, pois operam de forma independente. Além disso, compartilhar conhecimento em um ambiente de gerenciamento tradicional também se torna mais desafiador, pois pode não haver uma compreensão compartilhada sobre quais são os problemas. Muitos problemas ficam isolados nos silos funcionais.

Quais os primeiros passos para se adotar o sistema lean na gestão hospitalar?

 É importante entender o clima da organização ao iniciar o trabalho de transformação. Há uma crise de negócios para resolver imediatamente? Há problemas de qualidade? Problemas de clima interno? Um bom primeiro passo para entender quando e por onde começar é buscar saber quais são os problemas mais urgentes que precisam ser resolvidos. Pode ser interessante iniciar a mudança de gestão por um problema real específico que se precisa resolver na organização. Os resultados vão demonstrar que é possível mudar. E isso pode gerar interesse e envolver outros setores e pessoas. Claro que é preciso ter uma abordagem estratégica geral para a transformação. Mas primeiro deve-se começar por algum lugar

       
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