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Opinião: Substituição PACS: quando chega a hora do divórcio

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Atualmente, de cada quatro novas soluções PACS vendidas, pelo menos uma corresponde à troca de um PACS existente. E o fato de ser necessário levar todo o histórico de estudos torna essa segunda aquisição ainda mais complicada. É nesse momento que normalmente descobre-se quanta falta faz um acordo “pré-nupcial” entre as partes.
Esse histórico é formado pelos estudos armazenados no sistema que está sendo trocado e que precisam ser transferidos ao novo sistema para que possam ser acessados pelos radiologistas que necessitam realizar comparação com novos estudos. Infelizmente, falar sobre isso é bem mais fácil que fazer, assim como acontece em quase todos os processos relativos ao PACS, desde sua escolha até sua troca.
Muitos estudos e teorias que se relacionam à migração de dados precisam ser consideradas. Em primeiro lugar, é preciso analisar a maneira como os dados são armazenados. Em uma situação ideal, os dados da imagem são armazenados sem compressão, em formato DICOM, incluindo num arquivo único as imagens e seu laudo. Mas as situações ideais são poucas, se tratando em especial dos dados capturados há cinco anos ou mais.
Muitas instituições utilizam a compressão lossy em seus arquivos há alguns anos. Hoje ainda é comum que os fornecedores de PACS ofereçam a compressão lossy como uma opção de armazenamento de arquivos, para que o valor da solução seja reduzido e torne mais viável sua implantação, mas a utilização do arquivo comprimido não é recomendada na maioria dos casos.
O uso da compressão lossy não é ruim, mas é verdade que, há alguns anos, era de natureza proprietária (isto é, específica de cada fornecedor) e não seguia um padrão de compressão como o JPEG 2000 utilizado hoje em dia. Mesmo com a compressão padrão-baseada disponível, alguns fornecedores ainda hoje usam a compressão proprietária lossy. Isto significa que uma migração de dados simples não é possível sem o uso de uma sub-rotina de descompressão do fornecedor.
Aqui, normalmente, encontramos dois problemas, um relacionado à pressão do fornecedor que não quer perder seu cliente/instalação e outro ocasionado após sua perda efetiva, quando esses fornecedores praticam, então, preços abusivos para migração desse formato proprietário para o formato padrão.
Hoje, existem empresas especializadas apenas em realizar esse serviço de migração, cobrando aproximadamente US$ 1 por cada estudo migrado. Parece um custo baixo numa primeira análise, mas basta multiplicar o número de exames realizados nos últimos 5 anos por uma instituição de médio/grande porte para que o valor final seja assustador.
Armazenar as imagens que usam a compressão lossy tem contudo outro aspecto. Uma vez que uma imagem foi comprimida, ela não pode ser “descomprimida” sem que haja danos na imagem. E isso ocorre mesmo ao se utilizar padrão de compressão JPEG mais recentes. É por esse e outros motivos que é sempre indicado trabalhar com imagens lossless, afinal, como em quase tudo na vida, apostar em algo com base em seu custo inicial baixo normalmente nos leva a gastar mais no final e, nesse caso, não estamos falando apenas em perder dinheiro, mas sim do perder informações importantes sobre histórico de pacientes, algo impossível de se mensurar o valor.
O final dessa história todo mundo já conhece, apesar de ignorar, afinal o famoso ditado popular, o barato que sai caro, se aplica muito bem às implantações PACS no mundo inteiro.
Quando imagens forem a maior parte da migração de dados a ser considerada, a transferência torna-se mais fácil, porque deve-se ater a duas áreas com mais cuidado: a criação do banco de dados e a migração na criação de cabeçalhos. No arquivo inicial, a base de dados é criada geralmente a partir da informação transferida do sistema de informação do sistema da radiologia (RIS) para a modalidade e da modalidade ao PACS. O RIS gera informações em um cabeçalho DICOM que se junta à informação (imagens) gerada na modalidade, depois disso um arquivo único (informações paciente + imagens paciente) é transferido para o servidor juntamente com o seu laudo.
É importante entender que cada fornecedor captura e armazena de uma maneira. Por isso a migração, em caso de troca de sistemas, é bastante demorada e poderá atrapalhar inclusive o workflow do setor. A maioria das migrações de dados é notavelmente lenta, afinal, casos reais apontam que o tempo para migração de um estudo é normalmente 30% maior que o de transferência de um novo estudo. No último encontro da SIIM (Society for Imaging Informatics in Medicine) foi exposto um caso no qual uma instituição levou 11 meses para migrar apenas 22% do seu histórico para o novo PACS, o que seria um grande problema para qualquer organização, mas um desastre total para um hospital voltado para o tratamento de câncer, como era o caso.
Se o tempo de workflow da instituição é fator importante, desde a realização de exame até a limpeza de dados e/ou conciliação dos dados, esse é um aspecto que deve ser ainda mais cuidadosamente analisado na escolha do sistema que será trocado: o novo PACS deve agir para minimizar esses danos.
O que deve ficar claro na cabeça de todos aqueles que desejam investir em PACS, seja pela primeira, segunda, ou última vez, é que a escolha de um PACS deve ser encarada realmente como um casamento entre instituição e empresa fornecedora. Sempre existe o período de amor irrestrito, no qual o funcionamento do sistema é perfeito, e assim pode ser até o final, entretanto, também há períodos conturbados ocasionados por problemas de customizações, falha de suporte e outros, que podem ser resolvidos ou acabar culminando na separação. Bom, é nessa hora que entra em vigor o “contrato pré-nupcial”, assinado antes das partes saberem se o casamento seria ou não um sucesso, estabelecendo claramente os direitos e deveres de cada um ao término do relacionamento. A dica para todos é que deixem bem claro nesse contrato como se dará o arquivamento dos estudos (lossless ou lossy, formato padrão ou proprietário), como será realizada a migração no caso de troca do PACS, em quanto tempo será realizada e, principalmente, qual será o custo desse procedimento. Assim, ninguém se surpreende no final e o resultado é sempre positivo.
No mais, basta escolher seu parceiro após estudo minucioso das opções. Ele deve ser dedicado e comprometido com o sucesso do “casamento”, exigir e entregar sempre o melhor e torcer para que o “contrato pré-nupcial” nunca tenha que ser retirado da gaveta.
Artigo inspirado em texto do site www.auntminnie.com
* Daniel Martins é Gerente de Produtos da Vepro – daniel@vepro.com.br
As opiniões dos artigos/colunistas aqui publicadas refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte da IT Mídia ou quaisquer outros envolvidos nesta publicação.

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