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O segredo da Lincx

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O médico oftalmologista Silvio Corrêa da Fonseca enfrenta um novo desafio. Depois de dirigir a Omint e fundar, há 17 anos, a Lincx, operadora que atua no segmento premium,  passará a liderar uma nova marca, fruto da junção das carteiras da Lincx com a One Health, da Amil. A gigante do setor de saúde comprou 100% da operadora por R$ 170 milhões e com ela os segredos de negócio que deu certo.
Das mãos de 19 sócios, entre familiares e amigos, a empresa irá para baixo de um guarda-chuva de uma gigante do setor, que conta hospitais, laboratórios de diagnóstico e planos de saúde.
?É um terceiro desafio, talvez o maior, vou muito mais tranquilo. Vou montar o melhor plano de saúde do Brasil?, conta com empolgação.
Conhecida como um plano de saúde massificado, a Amil já tinha dado os seus primeiros passos no segmento de alta renda, mas com pouco mais de dois anos da One Health, eram apenas 5 mil vidas, contra 97 mil da Omint, líder do mercado, 50 mil da Careplus e 38 mil da adquirida Lincx.
Com a Lincx a história era outra. Nascida de uma ideia de Fonseca e três amigos de república, na época em que cursava a Faculdade de Medicina de Santos, a bem-sucedida operadora, contava com 30 mil vidas na carteira médica e 8 mil clientes com planos odontológicos.  Crescia 20% ao ano e tinha faturado cerca de R$ 200 milhões em 2010 com pretensões de chegar a 100 mil vidas e R$ 250 milhões até o final de 2011.
Tais atributos atraíram o olhar da Amil, que apesar de líder no setor de saúde, ainda buscava reconhecimento de sua One Health no segmento de alta renda.
A venda foi uma alternativa ao sonho de Fonseca. Há tempos a Lincx estava atraindo olhares do mercado, das próprias concorrentes e de fundos de private equity. Mas se o mercado estava de olho nas 38 mil vidas da Lincx , Fonseca também acompanhava atento o movimento do setor.
?Nunca quisemos abrir nosso sonho, sempre quisemos manter nossa empresa do jeito que ela era, mas diante dos últimos acontecimentos do mercado, a Rede D´Or comprando hospitais em São Paulo e a Amil comprando hospitais e  laboratórios, se a gente não se unisse a uma plataforma maior, eu corria o risco de ver meu sonho ser destruído. Então, por respeito aos clientes, nós decidimos aceitar o novo desafio?, conta.
Com a aquisição, a One Health terá acesso a um modelo de negócio que deu certo e passa a ter fôlego para brigar com um mercado estimado em 150 mil vidas. E que segundo o executivo tem grande potencial de crescimento com a migração de classes rumo ao topo. Nova marca
One Health ou Lincx? Não está decidido qual será o nome da marca, talvez algo como Lincx One, Lincx com produtos One, mas nada confirmado até a aprovação da operação pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Segundo Fonseca, na Lincx não ocorrerão mudanças, continuará com a sua força de vendas concentrada em promotoras e  na alta sociedade e grandes corretoras especializadas. O foco continuará nos mercados do Rio de Janeiro e São Paulo e com o modelo de negócio da Lincx, ou seja, premium reembolso e acesso aos hospitais e laboratórios de alto padrão e a médicos reconhecidos como o ex-ministro Adib Jatene e o ex-secretário de saúde, Raul Cutait.
?A intenção dos compradores é  uma plataforma independente separada do grupo, a direção é  da Lincx.  Tudo isso mostra que não tem absolutamente nada de Amil dentro da Lincx.  Será do jeito que a Lincx sempre se caracterizou no mercado, ? garante.
Uma das preocupações do executivo é em reforçar a mensagem do compromisso com o padrão à classe médica e os clientes. O atendimento continuará sendo feito por ele, e pelos seus colegas de república, hoje ocupando a vice-presidência e a diretoria da empresa, na conhecida sede da empresa, em um bairro nobre da capital paulista.
Com a Amil por trás, será possível oferecer um plano com outros benefícios que a Lincx não dispunha, como resgate de helicóptero, preço mais competitivo e a sinistralidade das empresas clientes deve cair. ?Os reajustes serão menores. Em três anos queremos ser líder do mercado?.
Desde o final de 2010,  é observado um grande movimento do setor com aquisições e a entrada de novos players no mercado paulista. A vantagem para as grandes corporações são as possibilidades de negociação com os prestadores de serviço, perto delas, as pequenas operadoras de nicho como a Lincx correm o risco de se extinguir se não optarem pela venda total ou parcial do negócio.
 ?Como empresário não se pensa no presente, se pensa no futuro. Todas as empresas que não se juntarem a grandes plataformas não terão condições de competição no mercado, principalmente pequenas empresas de nicho como a Lincx, a Omint e Careplus?, conta Fonseca.  Agora é aguardar para ver o futuro do nicho de alta renda.

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