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O Rio, Alexandre Kalache e o Efeito Copacabana!

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Imperdível! Esta é a melhor definição do recém-lançado filme Rio de Carlos Saldanha! Em meio a uma sessão lotada, tive o prazer de conhecer a cidade maravilhosa em 3D, através da visão de um carioca que se realizou em Nova Iorque. Rio é uma belíssima homenagem à cidade maravilhosa e uma da belíssimas cenas do filme se passa em meio a um bairro emblemático do Rio: Copacabana.

Copacabana é também um bairro marcante para Alexandre Kalache, um dos maiores especialistas em envelhecimento populacional do mundo, tendo chefiado o Programa de Saúde e Envelhecimento Populacional da Organização Mundial da Saúde. Em entrevista concedida a revista HSM, em Junho de 2009, o gerontologista explica por que o Brasil viverá o Efeito Copacabana:

A idéia chinesa de que toda crise equivale a uma oportunidade às vezes parece gasta, mas talvez nunca tenha sido tão sábia como no caso do envelhecimento da população brasileira. Em primeiro lugar, sim: o aumento da população idosa no País pode gerar uma crise socioeco­nômica de proporções gigantescas, porque acontecerá em um ritmo muito mais acelerado que, por exem­ plo, nos países europeus e com uma infraestrutura de base bem mais de­ ficiente. Em 2025, teremos o dobro de habitantes com mais de 60 anos. E ainda somos poucos prestando atenção a isso. Já a oportunidade não é uma, mas pelo menos três. A número 1 é que tanto governo como empresas têm a possibilidade de alavancar a marca Brasil de uma maneira nunca imaginada com isso, se liderarem a aprovação da Convenção de Direitos Humanos do Idoso na Organização das Nações Unidas e incorporarem o foco no idoso a sua estratégia e marketing. A oportunidade número 2 é o novo mercado que se forma, ainda sem dono, com novas deman­das que levam ao desenvolvimento, por inovação muitas vezes, de novos produtos e serviços. E a terceira é o aproveitamento dos seniores como profissionais por mais tempo dentro das organizações. O médico gerontologista Alexandre Kalache, um dos maiores, se não o maior, especialis­tas do mundo em envelhecimento populacional, criador das “cidades amigas do idoso”, discorre sobre as ameaças e oportunidades que surgem com esse fenômeno, assim como os pontos fortes e fracos do Brasil e suas organizações para lidar com ele.

Qual o desafio do Envelhecimento Populacional?

O Brasil deve dobrar a propor­ ção de idosos –de 9% para 18% da população total– em 17 anos, “de vi­rada”. Em 2025, teremos 32 milhões de pessoas com mais de 60 anos em nosso País. E, em 2050, esse número pode subir para 70 milhões. Para comparar, a França dobrou de 7% para 14% em 115 anos, e ela já era um país rico –que continuou rico. Ou seja, a França teve tanto tempo como recursos para implantar polí­ticas específicas de enfrentamento do desafio e, mesmo assim, cometeu erros tão grandes que, há quatro anos, quando houve aquela onda de calor na Europa, morreram 15 mil idosos lá porque não eram mo­ nitorados. Tanto que quem deu o alerta sobre o fenômeno foram as funerárias, não a saúde pública.

Um país que envelhece como o Brasil, em 17 anos, podemos dizer que envelhece “de virada”.

E qual é o risco exatamente?

Vou dar só o exemplo da saúde. Com mais idosos e sem dinheiro para tratar de sua saúde preven­ tivamente, vão acabar desviando recursos dos programas de saúde da mulher, da criança, do trabalha­ dor, agravando muito os problemas sociais e gerando uma tensão que pode virar guerra intergeracional.

Sem querer chorar o leite derramado, mas tudo isso não era algo previsível que podia ter sido atacado com bom planejamento?

Sim! As políticas de previdência social já eram insustentáveis quando foram implantadas, na década de 1940, no governo Getulio Vargas. Era só fazer contas para perceber. E essas políticas podiam ter sido che­ cadas nos últimos 30 anos, quando o grupo que tinha mais de 60 anos de idade ainda era pequeno –4% da população.

E, se o pior acontecer, penalizam-se não só toda a sociedade, como também os negócios…

Exato. E, na verdade, bastaria apoiar a cuidadora do idoso, geralmente é uma mulher, por isso digo “cuidadora”– e integrá-lo na socieda­ de, o que seria bem mais barato.

Há estudos sobre qual deve ser a maneira de o idoso trabalhar? A rotina 24 por 7 não é a ideal...

Você pode criar incentivos para que as pessoas possam trabalhar por mais tempo de várias formas. O ideal é ir promovendo uma redução gradual, paulatina, do tempo de trabalho, de 42 horas semanais para 30, depois, daqui a três anos, 20 ho­ ras, então meio período… Também pode haver incentivos determinan­ do que não é preciso ir todo dia à empresa; algumas tarefas podem ser cumpridas em casa. E é importante criar mecanismos para que seja feita a transmissão de conhecimento dos mais velhos aos mais jovens. Em geral, as empresas colocam os idosos num gueto, man­ tendo­os inacessíveis aos jovens pela hierarquia e gerando antipatia.

Fonte: HSM, Maio-Junho 2009

Atenciosamente,

Fernando Cembranelli

Equipe EmpreenderSaúde

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