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O potencial mercado dos tecidos técnicos e nãotecidos

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Fraldas, aventais e máscaras para médicos e dentistas, campo cirúrgico, luvas, roupas de cama ? estas são apenas algumas das mais de 400 utilizações dos chamados tecidos técnicos e nãotecidos. De maneira geral, os tecidos técnicos são produtos que têm como base fibras e fios a serem usados no produto final, especificamente para fins técnicos e práticos e não puramente estéticos. São eles: fios, monofilamentos, tecidos, malhas, fitas, cordas, cordões, correias, cabos, cordames, redes, emborrachados, materiais têxteis revestidos e reforços têxteis. Os nãotecidos são estruturas formadas por fibras ou filamentos naturais, artificiais ou sintéticos e podem ser divididos em duráveis (como revestimento interno de automóveis, base de carpete geotêxtil e entretelas para confecção) e descartáveis (panos de limpeza, absorventes, fraldas, coberturas agrícolas, roupas descartáveis para a área médico-hospitalar).
Este material tem ganhado espaço no mercado têxtil por ser uma alternativa higiênica e barata, tendo um crescimento em média de 10% por ano. ?Especialmente os produtos descartáveis garantem que esta média não se altere, afinal, fraldas, absorventes higiênicos e alguns materiais médico-hospitalares precisam ser utilizados sempre, não importando a situação econômica do País?, afirma Jorge Saito, secretário executivo da ABINT (Associação Brasileira das Indústrias de NãoTecido).
Segundo dados da ABINT, atualmente, dos 40% do total do mercado de tecidos técnicos e nãotecidos são de produtos descartáveis, sendo que desse percentual, apenas 2% são específicos para médicos e hospitais. ?Este baixo índice deve-se, na verdade, mais a obstáculos culturais do que econômicos?, acredita Jorge Saito.
Empresas brasileirasEm todo o Brasil existe, hoje, 70 empresas dedicadas somente a este ramo, algumas já exportando para o Mercosul, Estados Unidos e Europa. Porém qualquer outra empresa têxtil, com uma máquina de corte e costura em overlock, é capaz de produzir um produto partindo do nãotecido. O custo para a empresa é baixo e o retorno é rápido e garantido, especialmente para fornecedores de hospitais, grandes clínicas ou laboratórios.
Em 2004, este mercado fechou com 2% do consumo de 130 mil toneladas. ?O índice de penetração de roupas médico-hospitalares, por exemplo, é de 4% no mercado atualmente?, finaliza o secretário executivo da ABINT, associação que também trabalha com comitês mostrando em hospitais a importância em utilizar os materiais feitos de nãotecido para evitar o risco de infecção hospitalar.
Para produzir artigos para qualquer setor é preciso seguir normas estabelecidas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e ganhar a licença da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Auxiliando o crescimento do setor, há dois anos, o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) do Estado de São Paulo, lançou um manual com 340 páginas, contendo informações técnicas à toda a cadeia têxtil, inclusive publicando as normas da ABNT, o que facilitou a orientação dos profissionais ténicos e administrativos.
Setor em crescimentoO Brasil é um mercado em potencial para tecidos técnicos e nãotecidos. A afirmação é da executiva Ligia Amorim, diretora geral da Messe Frankfurt Feiras, que organiza a Techtextil South America, feira do setor de tecidos técnicos e nãotecidos da América Latina, que aconteceu no mês de novembro em São Paulo. ?Nesta 4ª edição da feira, temos 50% dos expositores brasileiros, o que é bem importante para o mercado?, afirma Ligia.
De acordo com a executiva, o Brasil representa aproximadamente 75% do mercado da América Latina, e a América Latina representa 5% do mercado mundial. ?Isso quer dizer que o Brasil está num aposição bastante interessante neste negócio?, conta Ligia, que acredita que o País já passou da fase de ?engatinhar?, porém ainda encontra-se longe de atingir um nível da Alemanha, por exemplo. Naquele país, na edição de 2005 da mesma feira em Frankfurt, 400 expositores eram alemães dentre um total de 1074 expositores. Nesta edição no Brasil, 110 expositores apresentaram suas novidades.
A executiva acredita ser difícil ainda especificar em números este mercado, já que este encontra-se no início e em fase de expansão. ?Outro ponto é que é complicado também separarmos da indústria têxtil o que é tecido técnico e nãotecido dos tecidos comuns, afinal um tecido que não mancha, por exemplo, não deixa de ser um tecido?, explica Ligia Amorim.
Para Michael Jaenecke, diretor mundial da marca Techtextil, ?o mercado está sempre crescendo porque a população tem se preocupado mais com a saúde e investido mais nesta área, além do crescimento natural da população?. Origem dos nãotecidosPressões e circunstâncias externas deram origem ao nãotecido:
· a necessidade de simplificar o processo têxtil;
· a necessidade de desenvolver novos tipos de produtos têxteis;
· a necessidade crescente da reciclagem de resíduos e fibras;
· aspectos econômicos;
· a possibilidade de aplicação e desenvolvimento de outras áreas industriais.
Apesar de ser difícil estabelecer uma data para o seu surgimento, na indústria papeleira, o primeiro produto a apresentar uma textura parecida com o nãotecido surgiu no Egito, no ano de 2400 a.C. No século XV, inicia-se o desenvolvimento da indústria papeleira e em 1799, o francês Louis Robert inventou o primeiro equipamento para fabricação de papel descontínuo.
Nos EUA produziu-se a primeira roupa de papel e Henry e Sealy Fourdrinier desenvolveram a máquina de fabricação de papel, que passou então a ser de produção contínua; o equipamento é conhecido atualmente como Fourdrinier.
Na década de 30, iniciaram-se nos EUA as primeiras experiências para fabricação do nãotecido de celulose consolidado com látex. Por volta de 1957 observou-se uma estrutura semelhante ao nãotecido, fabricada em equipamentos da indústria de papel, usando-se polpa de celulose, bambu, asbestos, algodão, raiom viscose, poliamida, vidro, poliéster e outras fibras químicas.
A década de 60 marca o lançamento do nãotecido no mercado como matéria-prima industrial e como produto de consumo. Apareceram as primeiras patentes para a fabricação do nãotecido de filamento contínuo através da fiação por fusão. Já em 70, encontra a indústria de nãotecido em plena ascensão, com grandes desenvolvimentos e novas tecnologias, de processos e matérias-primas. (Fonte: ABINT)

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