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“O incentivo está em medir o processo – não o resultado”, diz Barry Chaiken

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A área de saúde é considerada uma das mais importantes pela população, e ao mesmo tempo é a que ocasiona maior insatisfação em nosso país, conforme pesquisa do Visão Brasil 2030.

Assegurar a sustentabilidade financeira do setor não é um desafio apenas do Brasil: gastos crescentes, aumento da carga de doenças, envelhecimento da população e modelos de pagamentos são temáticas discutidas mundialmente, ou seja, é hora de refletir: O setor vem remunerando a doença ao invés da saúde?

O value-based healthcare (VBHC) é um modelo proposto por Michael Porter e parte da premissa de que o intuito final da atenção à saúde é gerar valor para o paciente, isto significa que a análise de valor deve ponderar os resultados de saúde importantes para o paciente, em relação ao custo de atingir tais metas.

Conversamos com o Dr. Barry Chaiken, Professor Adjunto da Boston University e ex-Membro do Conselho da HIMSS, sobre como os fatores sociais, econômicos e tecnológicos impactam na mudança do value-based healthcare.

Chaiken afirma que o cuidado de saúde está entrando em uma era de mudanças significativas, para ele o VBHC incentiva os prestadores de saúde a oferecer os melhores cuidados ao menor custo. Por sua vez, os pacientes recebem maior qualidade de atendimento com melhor valor.

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Fonte: healthcatalyst.com

Enquanto o modelo tradicional de reembolso (fee-for-service) promove a quantidade de procedimentos, o value-based healthcare tem como objetivo oferecer melhores cuidados aos indivíduos, melhorar as estratégias de gerenciamento da população e reduzir os custos de saúde.

Chaiken declara, que no caso do Brasil, que presencia uma crise econômica, é de suma importância que a cadeia de saúde busque alternativas para conter os gastos com a saúde. Para ele, o value-based healthcare é um dos caminhos para fazer com que o sistema se mantenha sustentável.

O incentivo de medir a assistência médica se centralizou nos processos, ao invés de olhar para os resultados, que é o que mais importa para os pacientes e as suas famílias. O paciente precisa conhecer as etapas do seu tratamento, como uma intervenção médica afetará suas atividades diárias, por exemplo, saber de fato qual o impacto do seu problema de saúde.

Uma das ferramentas que contribuem para a diminuição das despesas com assistência médica é medir os resultados e despesas, isto é o custo total do ciclo completo do tratamento do paciente. Entretanto, a assistência médica ainda não disponibiliza uma análise das despesas totais de um ciclo de tratamento, mas a tecnologia desponta como um importante aliado para o desenvolvimento desse inovações que colaboram diretamente para o aprimoramento do VBHC.

A criação de um sistema de saúde baseado em valor demanda investimento em tecnologia, inovação. Chaiken reitera que a saúde necessita de um nível de interoperabilidade, isto é os dados devem ser compartilhados entre hospitais e os outros sistemas usados, para que o médico, seja no hospital, na clínica, no pronto socorro, todos os responsáveis pela assistência vejam a mesma informação sobre aquele paciente. Até o momento o setor não tem nenhum sistema universal de dados que agregue um nível de segurança, permitindo que as informações possam ser compartilhadas entre todos.

Para que possamos pensar no value-based healthcare como uma meta central, as organizações precisam padronizar os dados para que eles possam ser compartilhados igualmente. Só assim poderemos avançar mais sobre a discussão de Valor, diz Chaiken.

 

       
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