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Nova substância pode substituir desfibriladores

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A catuama, composto com catuaba, mairapuama, guaraná e gengibre vendido em farmácias como estimulante sexual, possui uma substância que inibe a fibrilação do músculo do coração, normalizando o ritmo cardíaco. A descoberta foi feita por pesquisadores da Faculdade de Medicina (FM) da USP e será o ponto de partida no desenvolvimento de drogas injetáveis que substituirão os desfibriladores, aparelhos que regularizam os batimentos do coração por meio de choques elétricos, informa a Agência USP. O professor Irineu Tadeu Velasco, coordenador da pesquisa, explica que a fibrilação ocorre quando uma força extraordinária surge no ventrículo (cavidade do coração) e estimula repetidamente as fibras do músculo cardíaco, o que impede sua contração. “O coração começa a fibrilar, ou seja, vibra e não consegue bombear o sangue para irrigar os tecidos do organismo”, explica. “O processo é causado por irritabilidade miocárdica, que pode ter origem em um infarto ou qualquer outra lesão cardiovascular.”
Velasco conta que o efeito desfibrilador da catuama foi descoberto quando o laboratório que produz o extrato vegetal procurou a FM para saber se o composto poderia ser utilizado por idosos sem alterar a contratilidade miocárdica. Os testes, supervisionados pela técnica Vera Pontieri, usaram corações de ratos e coelhos que tiveram as coronárias amarradas para produzir infarto e alterar a contratilidade do músculo cardíaco. “Normalmente, o procedimento causa fibrilaçao ventricular em 30% dos corações usados nas experiências”, afirma. “Mas em contato com a catuama, os músculos cardíacos desfibrilaram”.
De acordo com o professor Velasco, os pesquisadores da FM isolaram o componente da catuama que controla a fibrilação. “Experiências em células com eletrodos num microscópio especial (patch clamp) mostraram que esta substância inibe o canal de sódio das células cardíacas, influenciando a atividade elétrica do músculo cardíaco e desfibrilando o coração”, relata Irineu Velasco. “O próximo passo é isolar a molécula que causa a desfibrilação para estudar os efeitos preventivos e desenvolver drogas injetáveis para evitar a fibrilação, o que levará em média cerca de sete anos”.
Velasco explica que o risco de morte por desfibrilação é maior em pessoas jovens que já tenham sofrido infarto, pois a circulação colateral é menos desenvolvida. “A vibração caótica do coração é controlada com choques elétricos, e ainda não existem remédios que revertam a fibrilação”, aponta o professor. “Os medicamentos injetáveis são muito mais práticos que os desfibriladores, embora alguns países estejam instalando aparelhos em locais públicos para situações de emergência”.
Para desenvolver os remédios contra a desfibrilação, a USP e o laboratório que produz a catuama deverão se associar a laboratórios estrangeiros. Estudos da USP e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) demonstraram que o composto pode servir como antidepressivo e estimula o organismo a produzir substâncias que inibem a arteroesclerose e as psicoses esquizofrênicas. As pesquisas sobre o efeito desfibrilador da catuama contam com o apoio da Fapesp.

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