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“Nova jornada contra o câncer de pulmão começou”

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A guerra contra o câncer representa um desafio cada vez maior para a medicina, pois trata-se de uma doença complexa e altamente adaptável. Apesar de enormes progressos terem sido feitos na redução da mortalidade, o número de pessoas afetadas por esta doença crescerá devido a maior expectativa de vida e ao consequente envelhecimento da população. Dentre os diversos tipos da doença, o câncer de pulmão é um desafio à parte. Um tipo de câncer silencioso, descoberto na maioria dos casos já nos estágios mais avançados.

Entretanto, o tratamento para o câncer de pulmão mudou. Uma das principais características dessa mudança, que vem ocorrendo nos últimos cinco anos, é o reconhecimento de que ele não é uma única doença, e sim múltipla, com diferenças em nível molecular. Isso significa que em alguns casos, se o médico puder localizar exatamente os genes e proteínas que estimulam o tumor, ele pode bloqueá-lo, como uma chave e uma fechadura e assim desligá-lo.

Todo o conhecimento acumulado na década de 90 até meados de 2005 permitiu que nos últimos cinco anos o avanço contra este tipo de câncer fosse mais efetivo. Entender melhor a doença foi fator primordial para a medicina trazer uma mudança de fato. Esse entendimento permite novas descobertas em tratamentos que atuam diretamente nas células tumorais impedindo o crescimento e desenvolvimento do câncer, possibilitando ao paciente viver por mais tempo e com mais qualidade de vida. Chamamos isso de superespecialiação em Oncologia.

Embora o câncer de pulmão diagnosticado precocemente seja uma doença curável, não há ainda uma cura para os casos avançados, mas é possível ter melhor controle, por muito mais tempo, com menos efeitos colaterais. É neste momento que entram em cena os medicamentos chamados terapia-alvo. Não se trata de uma promessa de um medicamento milagroso para todo mundo e sim de encontrar o medicamento mais indicado para um determinado grupo de pacientes, que melhor responderá àquela substância. Entramos na era do chamado tratamento personalizado e o futuro já virou realidade.

O conhecimento das bases moleculares de qualquer tipo de câncer antes da escolha do tratamento tem sido cada vez mais o objetivo dos especialistas em Oncologia. Em pouco espaço de tempo, essa investigação será rotina no consultório dos oncologistas. Logo depois da biópsia, os genes do tumor serão avaliados pelo médico para determinar a escolha do tratamento mais indicado. A escolha do remédio com base na localização do câncer ou de acordo com as características de agressividade verificadas sob o microscópio dará lugar à droga especialmente projetada para desestruturar sinais vitais das células cancerosas, impedindo assim seu avanço.

As características genéticas dos pacientes também serão base de escolha do tratamento porque influenciam a resposta aos remédios e a capacidade de suportar efeitos colaterais. Em outras palavras, antes do início do tratamento, será possível saber se a melhor escolha será enfrentar os efeitos tóxicos da quimioterapia ou investir significativamente em novas drogas alvo direcionadas. O câncer de pulmão não é diferente. Com mais de 27 mil novos casos esperados para o Brasil em 2011, é preciso avançar cada vez mais no diagnóstico e tratamento, mas sem esquecer que a prevenção e o diagnóstico precoce são os melhores aliados no combate a doença.

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